quarta-feira, 30 de maio de 2012

Glórias do Passado, Penta: No domínio dos deuses


Continuando a nossa viagem pela historia:





Cinco títulos em igual número de épocas é feito único no futebol português, é o escrever em linhas de ouro a mais brilhante página de história desde que em Portugal existe futebol organizado. Se na época passada (1997/98) chegar ao Tetra – e tal valeu reeditar o feito mítico do Sporting dos Cinco Violinos – significou o ultrapassar do sonho, o Penta entra no domínio dos deuses. Nesta altura, um olhar atento para o futebol português, com as suas convulsões, contradições e virtudes, leva-nos a concluir que será mais fácil o FC Porto chegar ao Hexa do que ver o seu Penta igualado. Dar fio à estrela será, em princípio, mais viável do que lançar uma nova e a concorrência permitir que voe tão alto como a Azul e Branca.





Bobby Robson iniciou a caminhada para aquilo que parecia impossível, pois ele próprio chegara às Antas para “safar” uma época iniciada por Ivic e que se afigurava desastrosa desde que, no pós-25 de Abril, os Portistas passaram a discutir ponto a ponto os títulos nacionais. Após dois anos e meio de Azul e Branco – meio ano a recuperar a imagem e os jogadores e os dois seguintes a erguer o troféu de campeão, Robson mudou-se para o azul-grenã, do Barcelona.

O futebol português vivia um momento de euforia, com uma honrosa presença no Euro’96. Terminada a aventura da selecção, Pinto da Costa atravessou-se no caminho do seleccionador e António Oliveira passou a ser o treinador do FC Porto. Ou seja, o responsável pela conquista do Tricampeonato, já de si um feito ímpar no historial do clube. Apesar de nunca ter sido um bem-amado, António Oliveira conseguiu o Tri e o Tetra, abdicando no final da época, depois de ter juntado a Taça de Portugal ao Título de 1997/98.
Fernando Santos foi o eleito para continuar a campanha rumo ao sonho maior. Tetra tinha sido o Sporting no tempo dos violinos, que se calhar não eram cinco, mas sim onze, sendo que cinco deles eram Stradivarius, como disse alguém com a memória comparativa de quem os viu actuar.

Sócio do Benfica – com fotografia publicada a votar nas últimas eleições -, engenheiro de canudo e treinador de profissão, Fernando Santos provocou algumas exaltações de espíritos. Ainda por cima dizia Porto em vez de FC Porto, o que, para os desconfiados indefectíveis do clube, era importantíssimo quando as coisas corriam mal e nada de mais se, como era “obrigação”, a equipa somava três pontos.

A pulso, depois de um período de aprendizagem mútua – o treinador precisava de aprender a ser campeão e os jogadores a serem campeões comandados por ele, sem que tal significasse um corte radical com o passado, mas sim uma nova filosofia -, Fernando Santos e o seu 4-3-3 ditaram a lei de um campeonato em que só o Boavista conseguiu assumir-se como sombra.

De Lisboa e dos rivais de Alvalade e da Luz, chegavam notícias de convulsões, confusões e pontos perdidos.

O Pentacampeonato ia ganhando forma e uma segunda volta soberba confirmou, a uma jornada do fim, aquilo que se adivinhou logo depois da eliminação da Taça de Portugal, em casa, com o Torreense. A forma como o grupo foi capaz de se unir e de lutar contra a adversidade deu aos Portistas, desde logo, a garantia de que o quinto título consecutivo seria uma realidade. O Boavista deu luta, pressionou bastante, mas acabou por ganhar a melhor equipa.

Como sempre acontece.


Por: Nirutam
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