segunda-feira, 7 de abril de 2014

Liga Zon Sagres, 26ª Jornada; FC Porto 3 - 1 Académica

#FCPorto #Portugal #Gestão #Académica



Gestão

Resta esfregar as mãos para sacudir o pó. Está feito o trabalho de casa. Ganhamos, com folga embora algo sofrido e sofrível na segunda parte. Mantivemos a distância para quem já está a fazer um campeonato excepcional e parece ter apetite para mais e continuamos na perseguição por um segundo lugar, cada vez mais inalcançável, mas que é nossa obrigação espernear até ao fim.




Estes jogos entre disputas europeias a eliminar são muito traiçoeiros, sobretudo para uma equipa que está longe de estar estável e confiante nas suas capacidades. É incomparável este FC Porto de Luís Castro ao de Paulo Fonseca. Demos um salto imenso na consistência da equipa, sobretudo em termos tácticos e mentais (direi até que em atitude competitiva a evolução é tremenda), mas este FC Porto ainda tem sequelas profundas do anterior legado.

Nem tudo correu bem, houve sempre espaço a mais para a Académica sair a jogar. O nosso meio campo hoje estruturou-se de forma conveniente, mas na sua essência só existiu a atacar. Fernando, suspenso para Sevilha, aproveitou e deu uma descansada, como dizem os brasileiros. Já Herrera e Quintero são jogadores ainda muito pouco formatados no plano defensivo. A atacar dão logo nas vistas, mas a defender ainda não estão nem calibrados. Muito amorfos, só correm para trás se a bola passar perto, ainda não procuram cortar linhas de passe, quanto mais ocupar espaços e criarem uma teia de pressão alta. Impossível naquelas cabeças, nesta fase. Perdemos muito tempo esta época e só agora dão os primeiros passos nesta aprendizagem.

Quanto ao jogo, valeu pela primeira parte, onde o FC Porto constrói o resultado que lhe permite entrar em regime poupança para a segunda.

Luís Castro introduz algumas alterações na equipa, pensando na batalha na Andaluzia que se aproxima. Ricardo entra para lateral direito. Abdoulaye assume o lugar de Mangala. No meio campo, Herrera dá descanso a Defour e Quintero assume a criatividade. No ataque, Ghilas é a novidade e Quaresma é poupado.

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O FC Porto entra muito forte, tomando conta do jogo e encostando a Académica às cordas. Inaugura o marcador ao quarto minuto de jogo, por Jackson e com assistência de Ghilas, o que facilita o comando de jogo por parte do FC Porto. É um FC Porto dominador, mas macio na hora de defender a meio campo, pelas razões já indicadas. E assim a Académica vai espreitando o contra-ataque nas vagas de domínio portista.




É assim que a Académica assusta, por duas vezes, com Fabiano a defender para os postes. A estes dois momentos de empertigamento, o FC Porto responde com o segundo golo, numa execução sublime.
A Académica deprime e o FC Porto mantém-se no comando do jogo. Pouco depois, penalti claro sobre Quintero e Jackson faz o seu segundo golo da noite. O intervalo daria descanso aos da Briosa.

A segunda parte é deprimente, é certo. O FC Porto parou de jogar. Mas a gestão do esforço impunha-se. 

Poder-se-ia congelar a posse de bola, não permitindo a Académica ter tanto acesso a esta. É uma das sequelas de que sofre esta equipa. Se fosse mais autoconfiante, escondia a bola e só se desgastava quando a Académica tentasse a transição ofensiva. Mas o adormecimento foi mais profundo e o piloto automático ligou-se logo. A Académica reduz para 3-1 pouco depois do reinício e ameaça o 3-2 só parado por uma defesa assombrosa de Fabiano.

Luís Castro mantém-se decidido a dar o máximo de rotação à equipa, mas foi pena que não tenha dado uma oportunidade a Kelvin. Era um bom jogo para o testar.

A Académica acaba por perder gás e é o FC Porto que ameaça o 4-1 por Danilo, já no fim do jogo.

Segue-se a batalha de Andaluzia. Sem Fernando e Jackson, mas suficientemente competentes para passarmos.



Análises Individuais:

Fabiano – Duas defesas estrondosas na primeira parte a desviar remates para os postes. Na segunda parte, faz uma defesa assombrosa ao defender um remate a queima-roupa e sobre a linha de golo, primeiro com uma cabeçada e depois com uma palmada. Percebo agora porque a sua primeira alcunha foi “Sobrenatural”. Tem limitações e espero bem que quem trabalhe com ele todos os dias as tente superar. Vale a pena.

Ricardo – Grande jogo do miúdo. Teve erros, precisa de ler um manual sobre como ser um lateral ou alguém que lhe dê umas dicas, mas das boas. Mas tem um coração enorme e não se esconde. Está aqui um excelente projecto de lateral direito. Safou-se bem a lateral esquerdo.

Alex Sandro – Jogo muito amorfo. Inoperante no aspecto defensivo e pouco participativo no ataque.

Reyes – Continua a sua curva de crescimento. Está muito mais senhor de si e aborda os lances já com alguma autoridade. Ainda abusa do seu bom futebol, mas esta recta final de temporada está a fazê-lo crescer de forma desmesurada.

Abdoulaye – É radioactivo e prova-o a cada jogo. Passado, ultrapassado e até humilhado. Vai dando para o gasto.

Fernando – Uma soneca no serviço. Jogo bem fraquinho. Poupou-se bem.

Herrera – É um craque quando se aproxima da área contrária. É um susto quando se aproxima da nossa área. Está mais que visto o que tem que trabalhar. Para ser um 8 de topo, tem que trabalhar e muito o aspecto defensivo do seu jogo. A atacar pouco há a aprender. A defender, quase tudo. Um bom começo é tornar-se menos errático no passe. Trabalhar até ao vómito o passe curto. Fez uma primeira parte de grande nível no aspecto ofensivo, mas cai a pique na segunda.

Quintero – A análise é muito igual à de Herrera. Excepto no aspecto técnico do passe. É um jogador que dá muita qualidade ao jogo ofensivo, embora tenha que aprender a jogar mais simples, não digo ao primeiro toque, mas a não agarrar-se tanto à bola. Se aumentar a sua velocidade de execução, é logo ainda amais perigoso. Não pode ser tão ausente defensivamente. Por fim, que se acabe com a ideia que pode ser chutado para falso extremo. Não pode. É assassinar o seu potencial.

Varela – Deu seguimento ao seu último jogo. Nem tão profundamente mau como consegue ser. Nem tão surpreendentemente bom como muito raramente é.

Ghilas – É o melhor em campo. Se calhar, Fabiano merecia mais. Mas este jogo de Ghilas, para mim, é mais significativo. Primeiro, porque demonstrou ser um jogador com muito potencial e vai ser uma fera em Sevilha. Segundo, porque ficou provado que pode ocupar aquela posição e que a desempenha com muita qualidade, desde que a equipa procure o seu jogo interior. Terceiro, que foi um crime a utilização que teve na maior parte desta temporada. Não é jogador para os últimos dois minutos. É titular!

Jackson – Entendeu-se às mil maravilhas com Ghilas. Sai do jogo com dois golos, um deles de penalti, para aplacar antigos fantasmas. Faltou mais jogo na segunda parte. Que aproveite a “folga”.


Danilo – Entrou apático. Picou o ponto e falhou um golo certo.

Quaresma – Entrou com vontade, mas com muitas perdas de bola. Tem que ser mais efectivo e desperdiçar menos jogo.

Josué – Entrou bem, com vontade, mas acabou afundado num meio campo que já não funcionava. Fernando de férias e Herrera bem distante do nível da primeira parte.

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Ficha de Jogo:


FC Porto: Fabiano, Ricardo, Diego Reyes, Abdoulaye, Alex Sandro (Danilo), Fernando, Herrera, Quintero, Varela (Quaresma), Ghilas (Josué), Jackson
Suplentes: Kadu, Danilo, Josué, Carlos Eduardo, Licá, Kelvin e Quaresma
Treinador: Luis Castro

Académica: Ricardo, Marcelo, João Real, Halliche, Grilo (Marinho), Fernando Alexandre, Makelele, Marcos Paulo (Ogu), Salvador Agra (Diogo Valente), Rafael Lopes, Ivanildo
Suplentes: Peiser, Aníbal Capela, Marinho, Manoel, Diogo Valente, Nuno Piloto, Ogu.
Treinador: Sérgio Conceição



Árbitro: Manuel Mota, substituído por Ricardo Coimbra 


Por: Breogán
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