terça-feira, 22 de abril de 2014

Liga 2013/14, 28.ª jornada: FC Porto 3 - 0 Rio Ave

#FCPorto #Portugal #Benfica #Futebol #Quintero 

A ESCURIDÃO DO PÓS-ÉPOCA.

A vontade de todos os portistas era que a época acabasse.





Quanto já não se luta por nada de relevante os jogos são vistos como os de pré-época.
Estes, são oficiais e disputam-se depois da nossa época ter sido feita em cacos.
Pós-época.






Faltam 3 ou 4 jogos e não há imagem para limpar. Resta evitar que ela se suje mais e que o momento penoso que vivemos não se torne demasiado humilhante.
Eliminar o Benfica B no próximo Domingo sem festejar, ganhar em Olhão e fazer questão de ganhar o jogo da 30ª jornada.

Ir para a casa com o sentimento de dever incumprido.

Vamos ao jogo:

Como o 3.º lugar ainda não estava garantido Luís Castro encara este jogo com a equipa titular. Com os castigados Fernando e Quaresma de fora entram os suplentes Josué e Ricardo.

O que se vê nos primeiros 15 minutos é um Porto dinâmico e acutilante. Varela e Herrera pegam nos cordelinhos da equipa e empurram-na para a baliza de Ederson.

Três oportunidades num piscar de olhos:

Primeiro uma fuga de Varela pela ala, recepção de classe de Herrera e remate em arco para fora. De seguida uma incursão de Danilo pela direita, assistência para Herrera e remate para defesa de Ederson e alivio de Lionn para canto.

Por último, cabeçada de Mangala na sequência do canto a obrigar a uma defesa de recurso.

A partir daí o jogo hibernou. Que chatice estar para aqui no relvado. O único que tenta espevitar-se a si e à equipa era o Danilo. Até para o balneário foi a sprintar.

De resto devagar e devagarinho.
Erráticos e faltosos.


Vem a 2ª parte e entra um raio de sol. Quintero.

O colombiano personifica o tipo de jogador talentoso que os companheiros procuram.

Oferece-se ao jogo sempre que entra e lhe dura o gás e é normalmente o eleito para fazer uma tabela. Por norma, respeita as desmarcações dos companheiros e vai procurando à esquerda e à direita um espaço e um atalho para desengarrafar o jogo.

É o que acontece. Jackson tem parceiro e passa a ser interventivo, Danilo tem parceiro e continua a ser interventivo, Ricardo acorda e Alex ganha espaço com a inflexão de Ghilas para o meio.

O eixo central da defesa continua como sempre. Lances aéreos são para cortar telepaticamente o que resulta na perfeição com Tarantini a ter espaço e a falhar mais um cabeceamento (depois de um lance na 1ª parte) em plena grande área.





Primeiro acender de luz: Herrera acelera o jogo e procura Quintero. A primeira recepção é atabalhoada o que o obriga a improvisar e sem balanço a fazer pingar a bola por cima dos defesas do Rio Ave. Jackson mete o corpo e ganha o penalti para depois o bater à Homem. Biqueiro a meia altura para um lado. Golo.






Novo desligar. O tradicional gás de Quintero que magnetiza o jogo começa a ir-se.
A bola passa a ter que ser empurrada para a frente em vez de deslizar pelo relvado.
Volta o ram-ram pastoso típico de jogos de pós-época.

Segundo acender de luz: O gás vai mas Quintero fica. Se a quantidade de bolas que lhe vêm parar aos pés diminui, a qualidade que tem em ler o jogo e pôr a bola onde quer mantém-se.





Herrera vai a trote e o espaço parece não existir. Quanto Herrera decide que pode haver espaço para acelerar já Quintero tinha visto que era para ali que a bola tinha que ir.
Como o pensamento do colombiano se antecipa ao movimento do mexicano o passe parece que vai na queima.





Mesmo assim o instinto e o poder de Herrera transformam o 2.º passe de futsal no 2.º golo.

Missão cumprida. Em esforço, com muita hibernação mas cumprida.

Quintero ainda inventa um livre que Danilo marcar às três tabelas.


Ganhar o jogo e ir para casa ver o que está RESERVADO para continuar a sofrer.
Chegar a Domingo, qualificar a equipa para a Final da Taça Lucilio e ir para casa.

Quem não teve pressa para tirar os pedregulhos que desde o início da época estavam amarrados aos pés agora não pode pensar que o GLU GLU GLU debaixo de água passa num instante.

Aguenta, Aguenta!



Análises Individuais:

Fabiano – Viu 2 bolas cabeceadas pelo Tarantini a passar. Já começa a sentir que tem estatuto para reclamar com a passividade da defesa nos lances aéreos.
Ao fim de meia dúzia de jogos já é ele que se preocupa com o que tem à frente quando seria suposto que os da frente se preocupassem com a tremideira do recém-chegado guarda-redes que está atrás.

Danilo – O jogador do Porto que nunca desligou. Tem carácter, tem atitude e vai tentando mexer com a equipa. É uma pena que não se tenha percebido que quem tenta dar o que a equipa não tem pouco pode fazer a partir do lugar de defesa-direito.
Se o MVP fosse decidido aos pontos ganharia o troféu.

Alex Sandro – Mesmo pastelão, mesmo engonhando tem qualidade a rodos. Dificilmente perde uma disputa de bola. Não tem o espírito do seu compatriota do lado mas conseguiu conduzir tanto jogo ofensivo como os que à frente dele jogaram.

Maicon – “Anda comigo ver os aviões” – Ele e o Mangala resolveram ouvir os Azeitonas durante o jogo. Tem como única nota positiva ter estado melhor que o francês.

Mangala – Para além do gosto musical ainda teve mais tesourinhos deprimentes a sair do reportório. Vê os aviões com o Maicon, falha o tempo de salto como o Reyes e vira jogadores ao contrário sem razão aparente como o Abdoulaye.

Defour – O jogador que personifica o ram-ram pastoso desta noite. Tem cultura táctica, sabe o que pode fazer, sabe o que deve fazer e pronto. Está feito.
Sabe mais do que faz e às vezes peço para que tente fazer mais do que pensa que sabe.
Era capaz de se surpreender.

Herrera – Ao menos nele o peso da pós-época não se faz sentir. Joga como se não houvesse história para trás e vida para a frente. Tem detalhes que revelam o que pode valer. Tem paragens que revelam o estado alienígena em que se encontra.
O melhor do meio-campo na 1ª parte.

Josué – Quando um treinador diz a um jogador que em caso de perda de bola é necessário matar a jogada não quer dizer que sempre que o jogador perde a bola deve fazer falta seja em que situação de jogo for.
O Josué vive enganado. Se o Defour veste a fatiota do pastoso, Josué fica com o complicativo e errático.

Ricardo – Ausente do jogo até ao final da 1ª parte quando estourou uma bola nas mãos do Ederson. Na 2ª melhorou à boleia de Danilo e Quintero e acabou em bom plano quando fez a viagem mais longa de ala direito para defesa esquerdo.

Varela – Entra num daqueles dias bons e agita o jogo com as pinceladas de qualidade.
A meio da primeira parte esgota-se o pincel, vem a lesão e fecha-se o pano.

Jackson – Jogo fraco. Na 1ª parte não existiu nem a equipa se preocupou em lhe dar vida.
Na 2ª parte Quintero dá-lhe um pouco de vida mas a sua exibição só se salva pela falta que arrancou e pelo melhor penalti que marcou desde que cá chegou.


Ghilas – Teve uma relevância para o jogo similar às que o Paulo Fonseca lhe possibilitava ter quando o introduzia aos 87 minutos. Pouco se viu e passou ao lado de jogo. Não é grave porque acumulou créditos nesta 2ª parte da época.

Quintero – Enquanto se viu Luz do dia o Porto mexeu. Caiu a noite e o Porto adormeceu. Veio o intervalo e Luís Castro deu clareza ao jogo colectivo obrigando toda a equipa a acordar.
Põe a bola onde quer. Dois passes à futsal = Duas assistências.
MVP do jogo por KO

Licá: A substituição mais imprevisível da era Luis Castro.
Entrou, deu umas pedaladas à ciclista para a frente e para trás mas sem qualquer significado para a história do jogo.



Ficha de Jogo:

FC Porto-Rio Ave, 3-0
Liga 2013/14, 28.ª jornada
21 de Abril de 2014
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 17.509 espectadores

Árbitro: Nuno Almeida (Algarve).
Assistentes: Pais António e Valter Pereira.
Quarto Árbitro: José Laranjeira.

FC PORTO: Fabiano, Danilo, Maicon, Mangala, Alex Sandro, Defour, Herrera, Josué, Ricardo, Jackson Martinez, Varela.
Substituições: Ghilas por Varela (38), Quintero por Josué (46), Licá por Alex Sandro (77).
Não utilizados: Kadú, Reyes, Carlos Eduardo, Kelvin.
Treinador: António Folha.

RIO AVE: Ederson, Lionn, Rodríguez, Marcelo, Edimar, Filipe Augusto, Tarantini, Rúben, Braga, Pedro Santos, Hassan.
Substituições: André Vilas Boas por Lionn (40), Ukra por Braga (68), Diego por Rúben (75).
Não utilizados: Ventura, Tiago Pinto, Júlio Alves, Velikonja.
Treinador: Nuno Espírito Santo.

Ao intervalo: 0-0.
Marcadores: Jackson (61m, pen), Herrera (72m), Danilo (90m+4).
Cartões amarelos: Mangala (34m), Josué (34m), Alex Sandro (36m), Marcelo (60m), Edimar (62m).



Por: Walter Casagrande
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