quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sonho




Sonho

(O país parou!
Como que histérico
Pelo feito homérico
Qu’a tv passou

Sim, é o benfica
O clube do povo
E nada de novo…
Que por lá se transmita!)

É o feito heróico
No país uníssono!
E dum longo ressono…
Acordo eu eufórico!

O país rejubila!
O povo está na rua!
A luta continua?…
Na massa que oscila!?

E lá vem o cortejo
Que não o dos capitães..
(Credo! São mais qu’as mães!)
É a revolução que vejo?

E neste mediatismo
Qu’acompanha a coluna
Que se julg’a Comuna!!
Mas é puro lirismo…

Ah, é o trio eléctrico
Dos campeões nacionais!
Qu’em vivas guturais
Nos lembram o feito épico!

Campeões, são Campeões!
Grit’o homem da proa
E nisto pára Lisboa!…
Em quantas “revoluções”?

E o nosso herói avança
Trajado d’encarnado!
D’encontr’ao blindado
Evitand’a matança?

Não, esse até perdeu
No jogo da política
Na pensão vitalícia…
Perdendo porque venceu!

Pois nesse dia vinte
O povo saiu à rua
A liberdade é sua…
N’Assembleia constituinte?

Não, na praça do Marquês
Que símbolo d’outra era
Duma visão tão fera…
Qu’hoje nos serve à vez!

E nessa transmissão
Pareço estar num sonho
Numa visão: medonho!
P’la efabulação!

Transmite-se num contínuo
Numa orgía de vitória!
Que nisto rez’a história
Como seu único símbolo!

A águia, sempre a águia
Como símbolo d’opressão
Que nos serve a lição
A história em qualquer página!

E em pleno mês d’Abril
Vitoria-se o regime
P’lo feito sublime!?
Numa marcha civil!

E a comunicação social
Dá o destaque óbvio
Com’o travo do ópio
No “cérebro” parietal!

E o registo hipnótico
Da transmissão televisiva
Só não é opressiva…
Ao imbecil e utópico!

Por isso adormeço
No registo da apoteose!
Que numa só osmose
A ela não pertenço!

O meu mundo é sonho
E não me serv’a onda
Da televisiva sonda…
Que na minha mente disponho!

Mas entende-se o feito
Depois de longa espera:
O povo já prospera!
E o sonho é um conceito…





Por: Joker
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