segunda-feira, 14 de abril de 2014

Liga Zon Sagres, 27ª Jornada; SC Braga 1 - 3 FC Porto

#FCPorto #Portugal #Chatice #Braga



Chatice

 Foi uma chatice. 

 Quando terminou o jogo, tive aquela sensação de alívio que já não tinha desde o secundário. Onde aquelas aulas de (pseudo) filosofia, com uma senhor de 60 anos em tom monocórdico e de aspecto muito douto, debitava uma torrente de palavras, a maior parte das quais, para mim, sem sentido algum e que remetiam para tais abstracções metafísicas que chegava a duvidar que ela acreditasse no que estava para ali a dizer e mais, que considerasse, realmente, a filosofia uma ciência. Era então que tocava a campainha. A sensação de alívio era indescritível. Parecia que o meu cérebro sofrera uma hora de hipoxia, mas que voltava à vida, latejando a cada passo que dava até à porta de saída. E quando, finalmente, chegava cá fora e enchia o peito de ar, este parecia ter um aroma novo, profundamente agradável.


Josué, o homem da sombra não desiste de lutar






Assim foi este jogo. Um sacrifício enorme, só para não chumbar por faltas. E sei que um dia, olharei para trás e lamentarei não ter usado essas horas preciosas, onde dispunha de energia, boa saúde e vontade, para algo mais útil.






O Braga na defesa era o Braga B. O FC Porto era uma equipa de terceiras escolhas ou de daqueles que nem escolhas deveriam ser. Ambas as equipas acordaram em cumprir calendário, num jogo que julgam nada significar para as mesmas, pois estão apostadas a salvar a face (e não a época!) nos jogos da próxima Quarta-Feira.

Como o futebol português vive de modas, também a abordagem a estes jogos, os semi-insignificantes, não foge à regra. A última moda dita que se deve fazer rotação extrema, quase mudar onzes por completo. Autênticas revoluções, à boa maneira britânica. Mas por essas bandas, os plantéis são mais ricos e equilibrados, o que garante que a quebra competitiva não seja tão acentuada.

Sobre o jogo pouco há a dizer. Primeiro, falarei sobre o “apitador”. Este ano, todos querem um pedaço de nós. Não há jogo onde não haja artista. Penalti, golo mal anulado e até uma tentativa de pescar polvo com duplo amarelo para o próximo clássico, tudo vale. É um menu variado. Segundo, fizemos uma primeira parte razoável, onde podíamos ter saído para o intervalo a ganhar por uma margem maior. Terceiro, quando o Braga começou a meter a artilharia pesada que tinha no banco, só não ficamos logo a perder por milagre. Quarto, saímos de Braga com mais sorte que juízo, com três pontos no bolso que podem ser fulcrais para mantermos a situação que temos e para não termos que torcer pelo FC Paços de Ferreira amanhã, como se do FC Porto se tratasse.

Por fim, não acredito que este tipo de gestão nos traga vantagem alguma para o próximo jogo. Pelo contrário, é mais um jogo que traz uma série de dúvidas e que nada contribui para a solidez da equipa. Também não trará para o Braga, pelos mesmos motivos.


Espero ver na Quarta-Feira uma abordagem ao jogo muito diferente da que vi em Sevilha. Uma repetição será imperdoável. Não ter medo de ousar. Quem muito quer tapar a cabeça, mais descobre os pés.



Análises Individuais:

Fabiano – Salva o FC Porto na segunda parte com duas defesas portentosas. A defesa ao remate de Éder é sublime. O melhor em campo. O que numa vitória fora por 1-3, é significativo.


Victor Garcia – Estreia sóbria e bem conseguida. Um dos poucos pontos de interesse da partida. Sólido a defender e competente a atacar.

Ricardo – Mostrou alma e talento. Claro, não é solução para a posição, tão só, um mau remendo. Mas nunca virou a cara à luta e ganhou muitas batalhas.

Abdoulaye – É altamente radioactivo. Certamente mais radioactivo que o reactor de Chernobyl que dorme debaixo de uma cobertura de betão armado. Cada bola perto dele é uma descarga de radioactividade. O lance que perde para Rafa é algo que fica entre a estupidez e o descaramento. Minha nossa!

Maicon – Sobreviver a Chernobyl não é para qualquer um. Entra chuva radioactiva, lá se foi safando. Um jogo competente quanto baste.

Fernando – Continua na moleza com que havia jogado o último jogo. Pouco autoritário, embora o jogo não estivesse para muita luta. Há jogos de dominó nos jardins deste país mais acesos que esta disputa a meio campo.

Carlos Eduardo – Passou grande parte do jogo num estado de sonambulismo futebolístico. Quase que aposto que jogou lesionado, uma vez mais, o que a ser verdade, é grave, mas que não desculpa na totalidade a pasmaceira do seu jogo. Marca o último golo, quase que em desagravo pelo jogo que (não) fez.

Josué – O melhor jogador do meio campo. Ainda muito errático e muito parado, mas foi dos seus pés que surgiu o bom futebol do FC Porto em Braga. Duas assistências e outras pinceladas de talento.

Varela – Continuo a achar que a sua titularidade foi uma afronta ao adepto portista. Faz uma meia hora de bom nível, se a comparamos com a sua produção mais recente. Embora os laterais do Braga fossem mais que vulgares. Após essa meia hora, volta ao registo habitual. Boa finalização no golo e o árbitro tirou-lhe outro.

Licá – Espero que tenha sido a sua despedida. Da titularidade e do FC Porto.

Jackson – É um talento. Mostrou toda a sua qualidade na primeira parte, onde foi o principal motor ofensivo da equipa. A assistência para Varela é primorosa. A segunda parte foi mais azeda. Com o crescimento do Braga, a equipa afastou-se em definitivo.


Defour – Entrou para 6, não fosse o árbitro tentar uma coisa engraçada. Cumpriu, sem brilhar. À Defour.

Ghilas – Trouxe mais acutilância quando Varela já nada dava.

Quintero – A sua entrada obrigou o Braga a recuar, o que deu a oportunidade ao FC Porto de voltar a entrar no jogo. Um criativo é sempre motivo de preocupação e Quintero fixou o meio campo defensivo bracarense. O FC Porto cresceu, acaba por vencer e o golo do descanso é seu, numa boa finalização.



Ficha de Jogo:


SC Braga: Eduardo; Tomás Dabó, Santos, André Pinto e Núrio; Custódio, Luiz Carlos e Battaglia; Erivaldo, Pardo e Moreno.
Suplentes: Cristiano, Eder, Rafa, Miljkovic, Paulo Vinicius, Vukcevic e Nuno Valente.
Treinador: Jorge Paixão


FC Porto: Fabiano, Víctor García, Maicon, Abdoulaye e Ricardo; Fernando, Josué e Carlos Eduardo; Varela, Jackson e Licá.
Suplentes: Kadú, Mangala, Alex Sandro, Defour, Kelvin, Quintero e Ghilas
Treinador: Luis Castro


Árbitro: Rui Costa


Por: Breogán

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