EXTERMINADOS



O feito heróico conquistado na 1ª mão deu aos portistas o sentimento que era possível chegar às meias-finais e conseguir o inimaginável.

Deu ao mundo a curiosidade de saber se este Porto era mesmo capaz de atirar borda fora o colosso Bayern.
Deu ao Bayern o mesmo medo de ser eliminado que trouxeram o ano passado do Santiago Bernabéu.
Estas 3 realidades foram sendo cozinhadas e agitadas num cocktail que rebentou na nossa cara com estrondo.

O Porto cuidou-se, preparou-se e teve a audácia de pensar que mesmo sem Danilo e Alex podíamos repetir a tactica, a equipa e a estratégia e vergar o Bayern.

O Bayern observou bem a 1ª mão, o que falhou e entrou em campo com os niveis motivacionais em alta e a vontade de nos trocar as voltas e mudar tudo com a mesma equipa.

O Porto, ao contrário do que tenho lido e ouvido, foi exactamente o mesmo.
A estratégia foi a mesma, igualzinha.
A estratégia que nos deu o 3-1 foi a mesma que nos vergou com a humilhação do Allianz Arena.

Quem mudou não foi Lopetegui e o Porto. Foi Guardiola e o Bayern que deram uma lição de inteligência e humildade.

No Dragão o Porto foi casuistico na pressão. Não saltava em cima de Boateng, Rafinha e Bernat da mesma forma que atacava Xabi Alonso e Dante.

Guardiola resolveu esse problema. Tirou Dante da estrada e deu ao Bayern um central que não sendo a última Coca-Cola no deserto é claramente melhor que o brasileiro na qualidade de passe curto, longo e recepção da bola.

Quanto à Xabi Alonso deu-o à morte. Guardiola tirou Xabi da 1ª fase de construção voluntariamente deixando que Jackson o andasse a rondar mas sem possibilidades de o atacar.

Funcionava quase como a marcação individual no andebol. Xabi era dado à morte mas a pressão de Jackson inutilizada.

Quem saía a construir era Boateng e principalmente Badstuber. Recebiam bola e arrancavam com ela até chegarem à fronteira em que Herrera e Oliver os tivessem que pressionar.

Lá chegados o Bayern abandona mais uma das tradicionais armas do seu futebol. O tikitaka sem Plano B.
Badstuber avança e é bola longa e directa para as alas esquerda e direita. O Bayern a jogar da defesa para o ataque, sem grandes toques, nem redes de apoio.

Chegados à ala mais uma mudança face ao jogo do Dragão e ao habitual modelo Guardiola. Forçar a linha de fundo e cruzamentos para a área.

Após o cruzamento mais uma mudança. Estão 2 avançados na área fisicos e capazes de disputar com vigor e inteligência todas as bolas.

O  Bayern, no papel, jogou num estranho 4-4-2 à Inglesa.

Mudou a tactica, mudou a 1ª fase de construção, abdicou do monopólio do jogo interior intercalando-o com o jogo directo, cruzou muito mais do que o costume e apostou no jogo aéreo muito mais do que o costume.

O resultado do Dragão fez com que Guardiola estudasse o Porto ao pormenor, analisasse os pontos fracos do Bayern até à ultima gota e apostasse no efeito surpresa no jogo de volta.

Até nos deu o mesmo onze como forma de anestesia para o vendaval que estava planeado.

O Porto não estava preparado para nada disto.

Nos primeiros 10,15 minutos lá tentou o mesmo método de pressão do Dragão. Aquele que permitiu que o Bayern aplicasse a lição n.º1. Pressionem como de costume e descubram que Dante não está e enganem-se pensando que Xabi  vai estar.

Depois desse período não houve pressão alta porque para haver pressão alta há uma condição necessária e obrigatória. A bola tem que chegar ao ataque.

Dizer que o Porto errou ao não pressionar alto é o mesmo que dizer que o Neuer esteve fraco por não ter feito uma defesa.

Para pressionar alto é preciso conseguir esticar o jogo primeiro tal como para um redes defender é necessário que o adversário remate.

Quem leu a última crónica perceberá que o período mais dificil do Porto foi a 1ª parte do Dragão. 

Marcamos aqueles 2 golos de rajada mas não conseguimos sair do nosso meio-campo em posse como queríamos.

Recordar-se-ão também que elegi Alex Sandro como o que melhor soube conciliar a exigência do modelo de Lopetegui (sair em posse e com passes curtos) com a fabulosa pressão alta do Bayern.

No jogo do Dragão o Porto tinha Danilo, Alex e Oliver como membros técnicos, capazes e esclarecidos para sobreviver à faixa de gaza da pressão do Bayern.

Nessa 1ª parte o Porto nunca passou essa faixa de Gaza mas teve a inteligência de saber perder a bola e a de responder às dificuldades da posse do Bayern com uma boa organização defensiva.

Acontece que naquele jogo o Bayern pressionou muito e bem mas atacou como de costume. Muito passe, muita procura de espaço, muito jogo interior.

A nossa defesa respondeu bem mas o tipo de desafio foi mais no dominio do foco, da atenção e do preenchimento de todos os espaços entre-linhas.

No jogo de Munich tivemos uma dificuldade natural e que devia ser esperada. Já só havia Oliver como membro técnico, capaz e inteligente para tentar passar a faixa de Gaza. No lugar de Danilo e Alex estavam Reyes e Indi. Infelizmente Lopetegui pensou que se podia passar a Faixa de Gaza mesmo assim. Plano A sempre!!!!

Não saímos vivos uma única vez da faixa de Gaza. Não conseguimos sair sequer da 1ª zona de pressão do Bayern e aquela pressão alta que tinha sido tentada logo no inicio do jogo de Munich não pode ser replicada. Tudo morria em Gaza e nada chegava perto de Neuer.

A loucura de querer sair a jogar com jogadores mais fisicos do que técnicos (Herrera, Reyes, Casemiro, Indi, Centrais) e com jogadores muito técnicos mas pouco inteligentes (Brahimi) foi a 1ª pedra no nosso caixão. A responsabilidade objectiva é de quem acha que a forma de caça tem que ser sempre a mesma independentemente da arma com que se caça.


A partir dessa ideia peregrina só havia uma salvação. Confiar na organização defensiva que tão bem se tinha portado no Dragão.

A organização falhou mas foi exemplarmente forçada a falhar pelo adversário.

O Porto tinha 2 defesas centrais a jogar a laterais. Um era obrigatório e outro facultativo.

A escolha de Reyes em detrimento de Ricardo é compreensivel para quem esperava um Bayern comum. Muito jogo interior, algum corpo a corpo e pouco jogo de linha com cruzamentos.

Guardiola engana-nos e mete o Bayern a jogar à inglesa. Quando os centrais que cavalgavam para cima do nosso meio-campo, enquanto Xabi Alonso e Jackson estavam a namorar-se num metro quadrado de relvado, metiam a bola longa para os médios-ala (Lahm, Gotze) o posicionamento de Reyes e Indi era o de defender por dentro.

A partir daí a desmultiplicação de Rafinha e Bernat associada à incapacidade natural de Brahimi e Quaresma de serem 2.ºs defesas laterais construiram a 2ª pedra no caixão.

Reyes e Indi demasiado por dentro, Quaresma e Brahimi sem andamento e as bolas começaram a pinchar na área. Uma, duas, três vezes. Se roubavamos a bola tentavamos o modo de caça com fisga e perdiamo-la logo a seguir. Casemiro ficou perdido porque tinha que jogar 3 passos atrás para ajudar o 2 para 2 dentro da área.

O barco ficou à deriva. Laterais dentro, trinco a deixar de ser trinco para apagar o fogo na área, médios a terem que saltar nos defesas centrais adversários para logo de seguida verem uma bola a por eles  sobrevoar sem apelo nem agravo.

O Bayern com FULL GAS, lição estudada ao pormenor e espirito similar a de quem tinha perdido no Bernabéu na 1ª mão.

O Porto como um barco perdido no Mediterrâneo. A faixa de gaza em cada bola que conquistavamos e perdiámos. Neuer lá longeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.

Num dos ping pongs continuos sobre a nossa grande área acontece o improvável. Thiago Alcantara marca de cabeça antecipando-se a Maicon.


Estava aberta a Caixa de Pandora para o total exterminio do Porto em escassos minutos. Perante a tremideira, a surpresa, a impotência e a burrice de quem responde sempre o mesmo a todo o tipo de perguntas juntou-se um redes incapaz de segurar a equipa e lhe devolver a tranquilidade perdida.
Titubeou no 2.º golo e foi outra vez pelo jogo aéreo que o Porto baqueou.

Como se não bastasse o nosso destempero e o FULL GAS do Bayern eles também estavam inspiradissimos marcando mais um golo de cabeça desta vez depois de uma jogada de sonho.
Muller remata, Ressalto em Indi e Fabiano com a flexibilidade de uma velha de 80 anos. QUATRO.
TIREM-NOS DAQUI!!!!

Antes do intervalo ainda havia tempo para o QUINTO.

Se futebol fosse boxe o arbitro tinha tido a delicadeza de interromper a partida antes dos 45 minutos. 1,2,3,4,5,6,7,8,9,....10 e o Porto no tapete.

Como o futebol só acaba ao minuto 45 o Porto foi-se arrastando pelo tapete, KO e à espera que o arbitro acabasse com a agonia.

A ida para os balneários foi o fim da eliminatória e da humilhação.

Se Lopetegui tem toda a responsabilidade por não ter educado e preparado a equipa para dar respostas adequadas e flexiveis a cada contexto do jogo teve os cojones para em 15 minutos fazer mais alterações do que em 8 meses.

Bateu um flashback do Mundial, Lopes incorporou Van Gaal e vamos lá evitar levar 10.

Para não levar 10 é preciso responder (TARDE E A MÁS HORAS) à tactica do Bayern, distribuir os jogadores pelo terreno para fugir da Faixa de Gaza.

Casemiro desce para central não para apagar mas precaver fogos. Ricardo e Indi fazem as alas e o Porto volta a ter um trinco que só se tem que preocupar com o que se passa à sua frente.

O Bayern descansa daquele ritmo infernal, o Porto melhora e cresce e dividimos um jogo já morto.

À medida que Lopetegui vai fazendo substituições marcha-atrás a equipa vai conseguindo chegar cada vez mais à frente até ao momento em que o Porto faz o 5-1.

Quando Jackson cheira 5-2, os 4000 gritam PORTO a plenos pulmões e a cidade inteira salta frustrada com aquele falhanço, lembramo-nos que o morto podia ressuscitar.

A fase final é de uma equipa a correr atrás, com agressividade nos limites do permitido e a expulsão de Marcano acaba por ditar o fim da guerra, da humilhação e do exterminio.

Foram 6 dias de ilusão que acabaram com um terrivel choque de realidade.

O Bayern que errou e depois asfixiou o Porto nos primeiros 45 minutos do Dragão é muito forte para nós.

O Bayern que sucumbiu fisicamente e não conseguiu dar resposta nos segundos 45 minutos do Dragão estaria ao nosso alcance.

O Bayern que entrou com estudo, espirito, agressividade e talento para os primeiros 45 minutos do Allianz Arena é a melhor equipa do Mundo  e só quem seja capaz de o reconhecer é que os poderá travar como fez o Real Madrid o ano passado.

Esse Bayern é inacessivel para todas as equipas do Mundo que a ele não se adaptem.

Quando os apanhamos pela frente e vemos um Bayern preocupado em adaptar-se ao melhor Porto e um Porto fiel ao seu ADN mesmo sem Danilo e Alex a hecatombe está ao virar da esquina.

O choque de realidade diz-nos que o Bayern é, como dizia Lopetegui, o melhor Bayern da história.

O choque de realidade diz-nos que este Porto não é, como parece claro, nem o melhor, nem o 2.º melhor, nem o 3.º ou 4.º melhor Porto dos últimos 10 anos.

O choque de realidade diz-nos que nenhum desses melhores Portos seria capaz de se bater com o melhor Bayern da história.

O que é facto é que foram possíveis aqueles 6 saborosos dias de ilusão que infelizmente não deixarão saudades depois do exterminio.

Cabe a Lopetegui melhorar este Porto, aprender com a humildade e flexibilidade tactica demonstrada pelo melhor dos Treinadores e fazer subir na hierarquia da análise dos últimos 10 anos a qualidade do seu Porto.

 Só assim será possivel que num próximo reencontro se consiga competir sem exterminios nem humilhações.

 

ANÁLISES INDIVIDUAIS:

Fabiano -  Tem culpas no 2.º e no 4.º golo. Tudo isso seria ultrapassável se percebermos que a bitola do guarda-redes não foi muito diferente do resto da equipa mas o que não me sai da cabeça é a sensação “Tirem-me daqui” que ele transparece para todos.
Falta auto-confiança e carisma para dar o grito de guerra que o faça impôr e que lhe permita liderar a defesa e tranquiza-la na tempestade.

Reyes – Pobre Reyes. Foi o primeiro jogo que o vi fazer a defesa-direito na vida. Replicou os movimentos de Indi demasiado por dentro para uma equipa a jogar contra um 4-4-2 british.
Mostrou agressividade descontrolada e falta de serenidade mas não foi por ele que perdemos. Ele foi apenas mais um incapaz de impedir a avalanche bávara.

Maicon – Está ligado ao momento constrangedor da partida quando um adversário com menos 20 cm lhe marca um golo de cabeça nas barbas. Não dominou o espaço áereo, não conseguiu lidar com a dupla de avançados do Bayern e revelou uma estranha apatia sempre que tentava defender com os olhos e à zona situações em que Lewandowski estava na grande área já de perna engatilhada.

Marcano – Falhou onde seria de esperar que a dupla de centrais mostrasse a sua força. Bolas áereas. Vai ter pesadelos com quase todos os jogadores do Bayern que disputaram e ganharam bolas na grande área do Porto.
Na 2ª parte foi Defesa-Central / Defesa-Esquerdo no esquema de 3 defesas e gostei da personalidade e caracter com que acaba a partida. Eu via aquelas entradas agressivas mais como um sentimento de que era possível do que como uma forma de canalizar frustração.
O momento em que ao minuto 88 Marcano se porta como um menino a querer ver a sua equipa das escadas mesmo sabendo que o jogo estava feito comoveu-me. É até ao fim.

Indi – O que Reyes fez mal a Defesa Direito Indi não fez melhor a defesa esquerdo. O bayern marcou golos de um lado e de outro. Nenhum deles conseguiu construir nada de jeito. Nenhum deles foi capaz de fechar a linha.

Casemiro -  O mais sacrificado pela surpresa de Guardiola no 4-4-2. Quando um trinco tem o fogo à sua volta e não sabe para onde se deve virar temos o caldo entornado.
Foi incapaz de mandar onde devia e foi inútil ao tentar ajudar os defesas centrais na luta com Muller/Lewandowski.
Na 2ª parte Lopetegui deu-lhe o papel do Libero e safou-se mais ou menos bem num lugar que não é o seu.

Oliver –Sem fazer parte dum pelotão preparado para responder às adversidades não tem a tarimba para fazer valer a sua luz propria e guiar a equipa.
Tentou pressionar em vão. Tentou construir em vão e foi engolido pela  incapacidade colectiva da equipa que representa.

Herrera – Pensem numa equipa que tenha como modelo de jogo e paradigma o futebol vertical e directo e a pressão campo inteiro de jogadores com 3 pulmões.
Agora metam lá Mata, Gomaa, Xavi, Isco e Fabregas.
Pensem agora uma equipa que tenha como modelo de jogo a posse e paradigma a construção em passe apoiado.
Agora metam lá o Matuidi, o Herrera, o Sissoko, o Yaya Toure e o Vidal.
Não faz sentido querer construir em posse e em passe e pedir para Herrera protagonizar esse filme.
É como contratar o Sylvester Stallone para fazer o Encontro de Irmãos e o Dustin Hoffman para protagonizar o Rambo. Erro de casting.
Herrera é útil e tem nivel para jogar no Porto se não o puserem a fazer filmes em que tenha que decorar 200 paginas de guião.

Brahimi -  O que escrevi na 1ª mão vale para a 2ª. Brahimi é uma perfeita inutilidade para equipas obrigadas a jogar em bloco baixo. É o pior a pressionar alto, é o pior a ajudar o defesa do seu lado em tarefas defensivas, é o mais convencido quando toca a construir bem cá atrás.
Se o cerebro não acompanhar o talento único com os pés temo o pior.
A qualidade que ele tem permitir-lhe-á defender mal, pressionar menos e, mesmo assim, ser um jogador de eleição. Sem meter inteligência no jogo vai morrer rápido.

Quaresma – Tirando a altercação com Bernat a postura de Quaresma foi similar à da 1ª mão. Tentou pressionar quando a bola chegou acima, tentou ajudar quando a bola não saiu de baixo embora sem sucesso como se viu no 1.º golo.
Sai ao intervalo por questões tacticas mas teria sido mais util do que o argelino se ficasse ao lado de Jackson.

Jackson – Qualidade com e sem bola. Impotência para poder fazer algo quando o barco estava a deriva, o pugilista no tapete.
Na 2ª parte a equipa cresce e Jackson rega esse crescimento marcando um golo, fazendo jogo, remates e conseguindo o milagre de fazer renascer a esperança ao portismo.
Craque em todas as horas.

Ricardo – Deu a dinâmica, a entrega e a agressividade descontrolada como é costume contra Bayerns ou Penafieis. Apesar disso não estancou a derrocada porque entre aos 33 com 3-0 e aos 40 já lá estavam 5.
Na 2ª parte Lopetegui arma aquele 3-5-2 Van Gaal o que dá a Ricardo plenos poderes para mostrar a sua intensidade, flexibiildade e talento.
Dos melhores jogadores na 2ª parte e um guerreiro a sério.


Rúben Neves – É certo que o Bayern levantou o pé mas a entrada do miúdo oxigenou a equipa e deu sentido à revolução de Lopetegui ao intervalo.
O Porto teve um trinco preocupado só com o que estava à sua frente e um trinco com qualidade e certeza de passe. Conseguiu passar a sua luz para a equipa e transmite sempre serenidade e tranquilidade no que faz. Quando se está com 5-0 abaixo é fundamental que alguns dos 11 o consigam fazer.
 Excelente jogo.


Evandro – Outra substituição defensiva que fez a equipa atacar melhor pelo controle conquistado do meio-campo.


Por: Walter Casagrande
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Posted by Tribuna Portista

Invejável!

#Joker #Champions #FCPorto

Uma dor reflexa
De teor físico
E do estado anímico…
Em forma convexa!

Toda nos consome
Desd’a mão ao ombro
Pelo desassombro
De qu’alguém nos “come”!

Sente-se na ponta
Mas do cotovelo!!
E não ha como retê-lo
Nessa grande montra!!!

“Vai esse corrupto
Jogar à Alemanha!?
Que grand’a façanha
Do clube do fruto!!”

“Se até no Dragão
Tiveram a sorte
Do clube mais forte
Estar em recessão!!”

“Cheio de lesionados
E sem internacionais!!
E com os capitais
Quase decuplicados!?…”

“É uma injustiça
Pois o Jackson fez falta!!
E o Neuer nem empata
A progressão à baliza!!”

“E aqueles centrais?
Nem na segunda Liga!!
Não há quem lhes diga
Que são tão banais?…”

“S’até o Quaresma
Lhes roubou o passe?!
Em pressão? Que classe!??
E a trivela à mesma??”

“E lançar o Colombiano
Em lance corrido?
C’o Boateng “comido”
No dealbar do pano?”

” Vindo de lesão?
Jogando infiltrado!?
E fintar pr’o lado
O Neuer no chão???”

“E marcando golo?
Três ao Alemão??
Sem ser o campeão
Da Liga do Colo?”

“Isto não bate certo!
É grand’a cabala!!
E s’o Porto embala
Por aqui mais perto?…”

“S’até já se gravou
Esse grande hino!!
E s’há um desafino???
E s’isto não acabou???”

“Já foi o Belém…
C’o “bela” exibição!
Mas s’em dia “não”
O árbitro apita bem?!”..

“E se hoje ganha?
O que já lá vem?
E no Domingo, quem
É qu’os apanha?”

“Quem apag’a Luz?
Quem deslig’a rega?
Quem a cruz carrega
Do próprio Jesus???”


Por: Joker
terça-feira, 21 de abril de 2015
Posted by Tribuna Portista

FC Porto 1 - 0 Académica - Rodar no jogo sem lógica


O futebol português não merece o Futebol Clube do Porto. O prestigio que tem deve-o em grande parte às nossas conquistas e às nossa equipas. Há mais de meio século que somos os únicos que levamos o nome do futebol português ao topo da Europa.

Seria motivo mais que suficiente para ser respeitado. Pena é que neste cantinho à beira-mar os responsáveis por garantir a melhoria desta indústria em Portugal insistem em hostilizar o nosso clube.

O Porto vinha há menos das 72 horas regulamentares de uma exibição grandiosa, daquelas que só o melhor clube português o tem conseguido. Pediu que o jogo entre esta eliminatória fosse adiado. Como bem disse Lopetegui havia datas disponíveis. O clube que nos defrontou aceitava o adiamento. Os gestores desta coisa a que chamam Liga não concordou. Estranho - ou talvez não - quando uma semana antes aceitaram que a final da Taça organizada por este organismo fosse adiada.

Lógica? Nenhuma. Adiem-se finais para o clube do regime (cada vez mais o clube do regime) possa descansar. Mas que os regulamentos não se sigam quando o FC Porto está a ser bem sucedido na Europa como nenhum outro clube português o consegue.

Mas adiante...

Lopetegui tem confiança no plantel. Tinha de mudar bastante, sob pena de comprometer os 2 objectivos que nos restam. Certamente muitos atletas ainda não tinham recuperado do esforço e não teriam um rendimento como habitual. E ainda comprometíamos a luta que teremos na terça-feira em Munique.

Em conversas antes do jogo era notória a dificuldade em haver um consenso qual o melhor 11. Rodar o menos possivel, rodar alguns ou rodar o máximo possivel? Lopetegui escolheu a última. Qualquer que fosse a escolha traria riscos.

O 11 escolhido traria inúmeras surpresas. Restavam Fabiano e Alex Sandro. O primeiro pela especificidade do posto, o segundo pela impossibilidade de atuar em Munique. Danilo também não estará no próximo jogo mas como estava em risco de exclusão caso visse amarelo não foi opção. O nosso técnico está a perceber os riscos de ser o Porto e como tem de se precaver...

As surpresas não acabaram aqui. Alex Sandro foi central. Ricardo provavelmente preparou-se para a batalha que terá (permanece a dúvida se será ele ou Reyes) na lateral direita. Rúben voltou ao posto de sempre, era o 6. Hernâni deu mais um passo na sua adaptação e foi titular.

Com tantas mudança penso que maior parte dos adeptos não esperavam uma grande exibição. Digo até que a tolerância seria bem maior que habitualmente. Que fosse sempre assim...

Taticamente também poderíamos ter dificuldades acrescidas. Não se reparou. Os erros que conseguimos descortinar foram sobretudo individuais.

Não foi uma exibição assombrosa embora o jogo tenha dado a sensação de estar sempre controlado.

De inicio serviu para alguns jogadores brilharem. Hernâni foi o caso mais flagrante. Na primeira oportunidade digna de registo, servido por Aboubakar (tem-se distinguido pelas assistências ultimamente), a contratação mais recente fez o que melhor sabe. Ganhou em velocidade a quem lhe apareceu. Não marcou à primeira, marcou à segunda.

Não se sentia o peso das mudanças. Pelo contrário, sentimo-nos sempre perto de marcar o segundo antes do intervalo. Tudo assente em princípios que os mais utilizados costumam mostrar. Bom posicionamento após uma perda de bola, rápida pressão. Com bola a procura de espaços. Com segurança, mas não hesitando em mudar flanco para fazer dançar o adversário.

Podíamos ter marcado mais. Evandro acertou no poste, José Angel permitiu a defesa da tarde a Cristiano.

A equipa visitante raramente conseguia incomodar neste período.

A segunda parte foi mais do mesmo mas com mais um ou outro susto bem resolvido por Fabiano...

Na cabeça de todos, incluindo adeptos, ansiava-se pelo final do jogo. Não era um dia para ópera. Não era um dia que nos podíamos dar ao luxo de pensar em goal-average. Não por falta de qualidade dos intervenientes mas porque aqui e ali surgiam sinais de nervosismo... Nessa tarde vencer era suficiente e já estávamos a fazer. Era o que precisávamos... Foi o que conseguimos.

Uma última nota. As escolas Dragon Force estiveram presentes no estádio. Toda elas ou quase todas. Isso não foi esquecido por uma claque. Eles são o futuro e foi um primeiro gesto de carinho para todos os jovens que lá estão. Que alguns deles tenham a oportunidade de o voltarem a receber daqui a alguns anos...


Análises individuais:

Fabiano: Um guarda-redes de equipa grande é poucas vezes chamado a intervir no seu papel principal papel, defender remates. E como são tão pouco chamados a defender a concentração tem de estar sempre no máximo, têm de estar preparados para quando surgir o tal remate.

Fabiano teve esse momento. Grande defesa na segunda parte num remate à queima-roupa quando até aí quase só tinha sido chamado para jogar com os pés.

Ricardo: Os olhos estavam colocados nele. Danilo é Danilo e até para ele iria ser difícil. Ricardo vai ter um jogo em que vai ter de estar no máximo. Já estará no ponto em que nos fará esquecer Danilo, nem que seja por 90 minutos?

Foi um ensaio e não propriamente dos mais difíceis. Ainda tentou usar a sua vocação ofensiva mas notou-se sobretudo a preocupação em ser sempre competente defensivamente. Cumpriu.

Em Munique Ricardo não tem de sentir pressão se for ele o escolhido. Tem de jogar o que sabe. E mostrar a garra que sempre mostrou. Já passou por isto. Foi o lateral esquerdo a estrear num jogo dificil. Acabou a festejar. Fará o mesmo...  É um lutador e está pronto para a batalha!

Reyes: Não foi muito posto à prova. É um central elegante que tenta sair a jogar. Registo para perceber que acima disso está a segurança. Minuto final. na dúvida, chutão para a bancada... Fisicamente mais robusto. Bem a dar o corpo para parar um remate de Fernando Alexandre.

Continue a trabalhar. Trabalhar muito.

Alex Sandro: Não é um central e nunca será. Falhou a meio da primeira parte e podia ter sido perigoso. Uma falha que não destrói a missão de sacrifício para que foi designado. Melhorou quando passou para a esquerda.

José Angel: Com pouco trabalho defensivo aventurou-se pelo ataque. Os seus bons cruzamentos já são conhecidos. Os remates em volley foram uma surpresa.

Ruben Neves: Se fosse NBA seria aquele rookie que afundava na cara dos consagrados. Como é futebol mostra que a a qualidade ou se tem ou não. Ele tem muita e quer crescer. Fisicamente já se bate de igual para igual. Tecnicamente dá lições. Tacticamente cada vez mais presente. A cortar, a marcar terreno, a pedir bola para construir.

Campaña: Dizer que joga de pantufas pode ser um elogio ou uma critica. Para Campaña ambas. Joga de pantufas porque tens uns pés com muita qualidade, a bola sai sempre redondinha sem grande esforço(merecia golo aquele livre). Mas naquela zona por vezes é preciso ser-se um lavrador, um cão de fila. É preciso tirar as pantufas e lavrar a terra. Faltou isso...

Evandro: Um dos mais utilizados do 11. Mostrou o motivo. Dinâmico na circulação, bem na ocupação dos espaços. Foi aquele centro campista que a equipa procurava para decidir se era altura para agitar ou acalmar o jogo.

Quintero: Começa a tornar-se habitual. Por um lado a sua capacidade técnica deslumbra. Por outro o seu alhemaneto em alguns períodos desilude. Quintero vive neste limbo nos últimos jogos. Ora sai um passe magistral, ora sai uma bola perdida infantilmente e irresponsavelmente. Depende dele que jogador tornar-se. Pode estar no topo. Pode ser aquele tipico sul-americano que tem uns fogachos mas que nunca terá a carreira que o seu talento merece.

Hernâni: Segunda jornada consecutiva a marcar. Tem um pique incrivel. É aguerrido, ficam na retina dois lances em que quase cai mas prossegue a jogada e cria perigo. Talvez por querer mostrar-se nem sempre decidiu bem. Normal... Todavia foi sempre o mais perigoso da equipa e cada vez mais uma opção a ter em conta.

Aboubakar: Hernâni marcou pela segunda vez e ambas foram assistências do camaronês. Tem dificuldades em ser a referência como é Jackson mas mostra um pouco da sua (muita) valia quando é mais visto como um elemento de jogo do que a referência principal.

Marcano: Entrou depois de um lance de perigo academista. Missão: acalmar a defesa e dar tranquilidade. Sucesso: total

Oliver: Depois da tranquilidade na defesa com Marcano, a alta-rotação de Oliver no meio campo. Estávamos a jogar a 50 e passamos a jogar a 70.

Jackson: A defesa estava tranquila, o meio campo subiu de rotação, faltava apenas a qualidade no ataque. Lopetegui não foi de modas e para os 10 minutos lançou o ás de trunfo. Chegou para assustar a equipa visitante. Falhou o golo mais fácil da sua carreira no final e tinha estado perto de marcar antes. Não festejou desta vez. Estará a guardar a veia goleadora para os 2 jogos seguintes... 


Ficha de Jogo:
 
FC Porto 1-0 Académica
Primeira Liga, 29ª jornada
Sábado, 18 Abril 2015 - 18:00
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 36.117


Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa).
Assistentes: André Campos e Nuno Vicente.
4º Árbitro: João Malheiro Pinto.

FC Porto: Fabiano, Ricardo, Reyes, Alex Sandro, José Ángel, Campaña, Rúben Neves, Evandro, Quintero, Aboubakar, Hernâni.
Suplentes: Helton, Marcano (59' Quintero), Quaresma, Brahimi, Jackson Martínez (82' Aboubakar), Adrián López, Óliver Torres (65' Campaña).
Treinador: Julen Lopetegui.

Académica: Cristiano, Ricardo Esgaio, Iago, João Real, Oualembo, Fernando Alexandre, Lucas Mineiro, Nuno Piloto, Rui Pedro, Rafael Lopes, Ivanildo.
Suplentes: Lee, Ricardo Nascimento, Magique (67' Lucas Mineiro), Cissé, Diallo (71' Rui Pedro), Ofori, Hugo Seco (82' Ivanildo).
Treinador: José Viterbo.

Ao intervalo: 1-2.
Marcadores: Hernâni (11').
Disciplina: cartão amarelo a Oualembo (19'), Iago (40'), Ricardo Esgaio (57'), Reyes (56'), Ricardo (62').



  Por: Paulinho Santos





Outras Tribunas: Génio


Uma das características humanas que mais me surpreende é o génio. Perante a genialidade, no seu preciso contacto, sentimo-nos simultaneamente diminuídos e engrandecidos. Vemos nessa exata correspondência, a precisão de Deus, da natureza, do Homem, na realização da perfeição. Nada está mais próximo desse ideal de perfeição que a natureza do génio.

Conviver com ele, com o génio, nessa presença diária através do encontro de palavras escritas, dá-nos a percepção, errada, que a mediocridade também é uma forma de realização. Nada mais errado. A mediocridade é um exercício existencial, a genialidade é um produto acabado. No génio está a perfeição do acto, o que pressupõe não a completude da obra como ideal de realização, mas a sua exacta individualidade. Nada ou ninguém, algum dia, naquele exacto quadrante o poderá equiparar, seja na beleza, na originalidade, no seu exacto caracter, que lhe determina uma existência única e acabada.

Há génios em muitas áreas. Ao longo da minha vida também tive os meus ícones, os meus heróis, a quem me queria equiparar um dia, nas diversas áreas de interesse que fui alimentando ao longo da minha vida. Primeiro o futebol. Em criança só tinha um desejo: ser profissional de futebol. Para isso dedicava os meus “longos” dias na prática desse jogo que me apaixonava. Só pensava futebol, fosse em casa, na escola, na igreja, no exacto momento em que despachadas as minhas obrigações correntes – que mais das vezes, obviava – e me podia consagrar de corpo e alma, ao exercício desse jogo.

Lamentavelmente e para meu infortúnio, o que me sobrava em técnica e destreza mental (para o jogo :-)) faltava-me em capacidade e resistência física. Aquilo que conseguia fazer nos jogos de recreio, ou nos “quintais” alcatroados onde fazíamos as nossas “peladas”, brilhando a grande altura na minha técnica apuradíssima – por mil vezes ensaiada – quando chegado aos grandes campos, relvados ou não, soçobrava perante a imensidão do esforço físico exigido para abrilhantar tal técnica nos verdadeiros campos de “batalha”.

Passada a ilusão do futebol de praticante, transportei essa paixão para o adepto acirrado de um clube longínquo e perdedor, que partir dos anos 80 começou a pedir meças aos outrora clubes “gloriosos” da capital. Mas isso são contas de outro rosário que se o tempo, e a paciência, me permitirem um dia, aqui dissecarei com maior cuidado e pertinácia.

Do que aqui falo hoje é desse génio, desenfreado e único que, de tempos a tempos, nos faz questionar sobre a prova de relevância da nossa própria existência. Dá-me ideia que o grosso da humanidade – no qual me incluo – vive para absorver esse impacto, esse vislumbre de lucidez e razão. Sim, confesso que esse lugar na plateia dos espectadores viventes em razão do génio não me insatisfaz mas, deixa-me incerto quanto à natureza da minha existência. Sim, gosto de saborear e deleitar-me nessas precisões quase matemáticas da palavra, seja ela falada ou escrita que, de tempos a tempos tenho a sorte de contemplar em livro ou num discurso de ocasião, mas isso traz-me, inevitavelmente, ao meu processo ontológico existencial. A singularidade do génio torna-o único. Sem essa singularidade, todos seríamos génios, medíocres ou idiotas, e o mundo fatalmente uma prova sem superação.

Despontar-se como génio tem, fatalmente, uma prova de intervenção divina. E essa é uma prova de que “Deus” tem preferências, tem escolhas, na hora de apontar à perfeição. Não o condeno. Quem tem o poder de escolha também tem o ónus da prova, e Deus, por ser Deus, não pode falhar! Por isso escolhe o melhor, o único capaz dessa prova de irrealidade para tantos espectadores, como eu, da natureza triste do quotidiano.

Sem essa magistralidade, sem essa pincelada, sem essa actuação simbólica, o mundo não passaria de um lugar lúgubre nas expectativas mais grandiosas do próprio Homem. Vivemos uma vida errante, na expectativa de descobrirmos o cerne da questão e sabemos que, mais cedo ou mais tarde, encontraremos essa resposta na palavra singular do génio. E a nossa vida é o testemunho basilar dessa correlação entre o autor e a personagem, na forma como a nossa própria existência se articula na perfeição do enredo.

Confesso que me levantei a meio da noite para escrever outro tipo de texto. Era sobre o génio, de igual modo, mas com uma dose, assaz venenosa, sobre a intervenção angelical na formação do “génio”.

Há, como sabemos, outro tipo de “génio”. O “génio” da garrafa, sempre pronto para nos fabricar mais um desejo. Esse “génio”, produto não-acabado, da relação uni-direcional Homem-Deus, julga-se escolhido porque na sua alienação se presume um ser de luz. Tem-se por escolhido, não pela prova irrefutável da singularidade absoluta do seu acto, mas pela própria presunção da escolha!? Um “génio” deste tipo fabrica todo o tipo de desejos, mas só concede três, como prova da sua intermediação (única) entre o céu e a terra. Desses três desejos, esse “génio” não realiza um sequer, porque se tem, por definição, na imaterialidade das relações.


É a diferença de génios. Nuns, o génio serve-nos a condição humana no vislumbre que a perfeição, e Deus quiçá, existe; noutros, o “génio” concede-nos a certeza da existência de Deus, sem o seu ténue reflexo como prova de semelhança…



 Por: Joker

JA, WIR KÖNNEN!


Vivemos na 4ª feira uma das noites mais épicas de que há memória.

Eu, já vi muito futebol e não me lembro de o Porto eliminar, em duas mãos, uma equipa que no papel lhe era tão superior.

Ainda não eliminou e sendo sincero está ainda a quilómetros de distância de o conseguir fazer. 

O Bayern era, até ontem, a equipa favorita a ganhar a Champions.

O Bayern é, e continuará a ser, a equipa de topo em que o treinador mais exponencia o colectivo conseguindo que o todo seja muito superior à soma das partes e é essa força colectiva que protege mais o Bayern da lesão de um craque do que um Barcelona ou um Real Madrid.

Foi essa força que combatemos. Foi essa equipa que conseguimos bater. É esse gigante que podemos eliminar.

O jogo do dia 15 para a EUROPA e para o MUNDO era a constelação de estrelas de Paris. Quem não fosse francês, espanhol, português (que não sejam catedráticos da bola) ou alemão queria era ver o PSG – Barcelona.

E dia 21 de Abril? Os olhos do mundo estarão onde? Por causa de quem?

O Porto respeitou o seu ADN. Jogou com a tactica do costume com a atitude do costume.

O Bayern respeitou o seu ADN. Jogou com a tactica do costume com a atitude do costume.

Estas 2 realidades tinham tudo para redundar num desfecho em que só os mais fortes ganham. Com armas iguais, estratégias iguais ganha quem é melhor.

Alguém dos que me lê pensa que o Atlético de Madrid conseguiria ter o recorde que tem contra o Real Madrid se jogasse na mesma tactica e com o mesmo espirito ofensivo?

Lopetegui é mais teimoso que uma mula. Vai ser À MINHA MANEIRA e vou provar que é possivel discutir uma eliminatória contra um colosso replicando-lhes a tactica.

Vou tentar perceber como foi possível que o milagre fazendo do relvado do Dragão um ringue de boxe e tentando analisar os 5 assaltos vividos com a ajuda do MESTRE DA CHICLETE.

1.       Avaliação da qualidade de cada equipa em ataque organizado
2.       Avaliação da qualidade de cada equipa na transição ofensiva
3.       Avaliação da qualidade de cada equipa em organização defensiva
4.       Avaliação da qualidade de cada equipa em transição defensiva
5.       Avaliação da qualidade de cada equipa na estratégia das bolas paradas.
Os 5 momentos que, como o mundo de futebol sabe, foram inventados por Jorge Jesus serão os 5 assaltos para analisar a partida de ontem.



  1. ATAQUE ORGANIZADO
O Bayern é muito melhor que o Porto em ataque organizado. É melhor do que qualquer equipa do Mundo. São criadas várias placas giratórias que vão fazendo o adversário correr da esquerda à direita e varios jogadores se movimentam entre linhas para espaços interiores criando o caos em qualquer defesa.
O Bayern é muito melhor do que o Porto e na 4ª feira provou que é melhor. Todo o período entre o 2-0 e os 45 minutos de jogo demonstra que com bola eles são melhores e mais capazes de chegar à grande área em construção desde a defesa.
O golo do Bayern é a prova provada da capacidade e confiança que eles têm no desmontar das equipas com bola. Passe, passe, passe, 4/5 homens na área e GOLO!
Tiveram 2 cantos seguidos e não conseguiram fazer a diferença. A bola parada para quem tem 5/6 jogadores com menos de 1,80m fica mais difícil.
A inteligência suprema de uma equipa muitíssimo bem treinada jogou com as 5 armas JESUSIANAS e foi rápida a decidir:
“Na bola parada não fazemos a diferença.
Somos fortes na organização ofensiva.
O Porto está muito forte na organização defensiva.

Fugimos da bola parada com um canto curto, apostamos na construção organizada e aproveitamos que a defesa do Porto está toda metida na grande área e despreparada posicionalmente para defender organizadamente.”

E assim foi. Herrera sai do sítio para tentar roubar uma bola que escapa in extremis, Danilo está mais à esquerda que à direita, Alex mais à direita que à esquerda e há o espaço para a bola cair em Boateng que rasga a área onde permanecem à espera vários jogadores do Bayern.

É certo que há aquela indecisão de Indi que trai Maicon mas a verdade é que sofremos um golo típico de quem enfrenta um colosso estratégico e inteligente.
Isso serve para perceber que mesmo quando o foco está a 1000%, o rigor a 2000% é complicadíssimo jogar contra estas equipas.

CONCLUSÃO: No item n.º 1 Bayern ganhou aos Pontos.



  1. TRANSIÇÃO OFENSIVA

A transição ofensiva não é uma arma de eleição destas equipas. Quem tem Robben, Ribery ou Tello pode dinamitar qualquer defesa em contra-ataque se quiser mas quem joga em posse e o que quer é ter bola, quando a recupera tem pânico de a perder rápido. 

É esse o modelo do Bayern de Guardiola e do Porto de Lopetegui.

Quem joga em posse obriga-se a ser mais rápido na recuperação da bola pós perda do que no ataque à baliza pós roubo.

Em princípio este seria um item do jogo irrelevante porque não é o recurso de eleição mas na 4ª feira foi decisivo ao nos dar aquele plus de ânimo e de confiança capaz de pôr o sonho à porta.

É também aqui que Lopetegui nos ganha o jogo. O Porto foi forte nas vertentes do jogo que normalmente passam ao lado de Porto e Bayern.

Lopetegui prepara a tactica para 14 jogadores. O que Danilo tem que fazer, o que Quaresma tem que fazer, o que Jackson tem que fazer,………, o que Dante vai fazer, o que Xabi Alonso julga que tem tempo para fazer e o que Boateng e Dante não esperam que uma equipa como o Porto faça.

Ligação directa ao “QUEREMOS TUDO”
.
O 3.º golo do Porto entra para o TOP dos golos da minha vida. Vou tentar descrever de forma exaustiva o lance vivido em segundos.
Quando Alex Sandro muda a velocidade eu aprovo mentalmente. 

Quando Alex Sandro resolve meter aquele passe longo eu aprovo mentalmente. É isto que temos que fazer quando temos um Ponta de Lança de TOP Mundial. Forçar, forçar.

Quando vejo que é Boateng e não Dante a perseguir Jackson desanimo. Este vai chegar à bola.

Não chega e o peito começa a insuflar-se de ar. Desanimo vira ténue esperança.

Jackson dá um pequeno toque bem à minha frente e a impressão que me fica é que a bola andou quilómetros em direcção a Neuer. A ténue esperança vira desilusão pela certa.

Parece que a bola andou quilómetros mas Jackson chega primeiro. O Peito está cheio de ar e já não há mais oxigénio para respirar. A desilusão leva uma chapada da esperança.

Jackson desvia a bola para o lado de fora e a minha cabeça doida vê a bola a ir furiosa para a linha de fundo. Penso: “NÃOOOOOOOO Jackson..Para aí já não tens ângulo para marcar”.

Quando vejo que a bola vai meiguinha para dentro da baliza é a descarga total. Não chega a kelvinizar-me mas os efeitos são similares. Uma descarga brutal que esvazia o peito em milésimos de segundo e concentra toda aquela energia nos olhos que ficam com mais talento para chamar as lágrimas do que a boca para mostrar os dentes.

O momento que devia ser de felicidade extrema para um adepto da bola é totalmente capturado pela comoção.

O estádio vem abaixo e do alto da minha bancada vejo pessoas a descerem ou a caírem 5 ou 6 filas. É incrível o que a bola faz com as pessoas. É incrível o que vivemos naquela noite.

Jamais me esquecerei do filme daquele lance.

O Porto foi a única equipa a utilizar este recurso. Transição ofensiva . Não utilizou na quantidade exigível para quem joga contra o Bayern mas a qualidade e a classe de Jackson aproximaram o QUEREMOS TUDO de Lopetegui da realidade. 

CONCLUSÃO: No item n.º 2 o Porto ganhou aos Pontos


  1. ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA
Não há quem consiga ter a mínima chance contra equipas da casta de Real, Barcelona e Bayern se não for TOP na organização defensiva.

Este é o outro capítulo de jogo que é um recurso pouco utilizado e enfiado no fundo da gaveta de uma época.

Porto e Bayern costumam ter bola entre 60% e 70% do tempo. Quanto não a têm o normal é que a transição defensiva resolva ou mitigue o problema.

Quando vemos que o MUNDO dá ao Atlético de Madrid boas possibilidades de lutar com o Real e até de ganhar a Champions percebemos que as equipas competentes e rotinadas neste capítulo de jogo têm meio caminho andado para o sucesso.

Que equipa é que encostou o Porto de Lopetegui no seu meio-campo até ao jogo de ontem?

Braga na Taça da Liga e ……………….?

Que equipa no Mundo é capaz de encostar o Bayern de Guardiola bem lá atrás?

Defrontaram-se duas equipas com pouca rodagem e sem marcas de cordas nas costas.

Depois do 2-0 foi um grande Bayern que encostou o Porto às cordas. Passes interiores, deslocação de 3, 4 e 5 jogadores para as imediações de grande área, criação de espaços entre linhas que não acabavam mais.

Foi um sufoco ofensivo que transformou 35 minutos de jogo efectivos em 2 horas mentais.

O Porto foi brilhante, rigoroso, organizado, solidário e totalmente focado.

Casemiro foi o expoente máximo da solidariedade e do foco. Quando havia a mínima falha, aquelas pernas envolvidas em chamas e aquele coração que ultrapassava o peito resolveram tudo e comeram todas as entrelinhas do Mundo.

A única falha colectiva foi quando a equipa se organizou para uma coisa (Bola Parada) e o Bayern nos deu outra.

A equipa de Guardiola só foi realmente testada neste domínio nos primeiros 20 minutos da 2ª parte e mostrou que não se sente confortável a defender  e que a pele das costas de tão macia que é se irrita com qualquer tipo de cordas.

CONCLUSÃO: No item n.º 3 o Porto ganhou aos Pontos


  1. TRANSIÇÃO DEFENSIVA
As equipas de posse, de tiki taka baseiam 90% do seu futebol na organização ofensiva e na transição defensiva.

Atacam, Perdem, Aceleram, Recuperam, Acalmam, Atacam, , Perdem, Aceleram, Recuperam, Acalmam.

As equipas de Guardiola são as melhores do Mundo neste domínio. Não tenho dúvida nenhuma que o ponto forte (à parte do génio de Messi) daquele Barcelona que maravilhou o Mundo era este.

O Inter de Mourinho elimina o Barça de Guardiola quando se rende a essa evidência e percebe que tentar ter bola contra uma equipa que pressiona alto, posicionalmente perfeita e com muitos jogadores é um bilhete para a desgraça.

O Bayern da primeira parte foi muito, muito bom neste capítulo. O Porto não conseguiu ter bola e trocar a bola de forma tranquila e segura durante 1 segundo.

Eu via quase todos (à parte de Herrera e Brahimi) a tomarem ou a tentarem tomar boas decisões mas quando a bola chegava ao destinatário seguinte a recepção era sempre atormentada por 2 e 3 homens de preto.

A primeira parte do Bayern foi brilhante e um exemplo de como pressionar alto, em matilha e com muitos.

A sorte, ou melhor, a competência da maior parte dos jogadores do Porto permitiu que essa avalanche de homens de preto que procurava recuperar a bola apanhando-nos desorganizados não tivesse sucesso.

O Bayern foi uma equipa que pressionou pós-perda à Guardiola na 1ª parte.

O Porto foi uma equipa incomodadíssima por essa pressão, não foi capaz de passar por ela mas teve a responsabilidade e inteligência de ser vencido nos sítios certos e de ter sempre a ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA preparada para responder de forma rápida à perda.
Se o Bayern foi brilhante o Porto foi letal.

Os 2 golos são lances de compêndio. A pressão não é total à Bayern o que revela uma inteligência de Lopetegui que nos fez ganhar o jogo.

O Porto não tem capacidade física para pressionar alto sempre, com muitos homens e a importunar de forma constante cada jogador que recebe a bola.

Nem tem o Porto, nem teve o Bayern.

O Porto de Vitor Pereira fez isso contra o Barcelona de Guardiola e ficou de gatas na 2ª parte.
O Porto de Vitor Pereira fez isso contra o Malaga de Pellegrini e ficou de gatas na 2ª parte.
O Bayern de Guardiola fez isso contra o Porto de Lopetegui e na 2ª parte deu o estouro.

Quem pressiona muito e bem tem que ter a noção que o jogo tem 90 minutos. Um ciclista não ataca uma montanha de 1ª categoria se souber que ela coincide com a meta da mesma forma como a atacaria se ainda faltassem 150 Km pela frente.
O Porto de Lopetegui foi cirúrgico.

Enquanto o Bayern pressionava tudo e todos, o Porto de Lopetegui pressionava mais as linhas de saída de passe do que o portador.
A ideia que transmitia ao Bayern no início de construção era: “Vou dar-te sossego com bola mas vais ficar sem alternativas a seguir.”

Esta falsa sensação de segurança que um lado pensou que tinha (o Bayern) e o outro sabia que nunca teria (o Porto) acaba por decidir os destinos do jogo.

Tal como o Bayern nos enganou quando troca a Bola Parada pela Construção nós também os enganamos com essa manha de “Vais ter tempo para pensar mas não terás alternativas.”

Engana porque os jogadores do Bayern respiravam na recepção e só se preocupavam na fase posterior. Antes da preocupação havia sempre o conforto porque: “ O Porto não pressiona como nós.

É verdade. Vocês não nos deram um segundo de sossego. Por isso obrigamo-nos a estar sempre alerta.

Em contrapartida o Xabi Alonso não sonhava que seria atacado daquela forma selvagem pela pantera colombiana.
Então? Afinal nem receber podemos?

Caíram os queixos a Dante quando o bafo do cigano lhe pôs os cabelos em pé.

O Porto foi imprevisível, constante e duradouro na pressão.

Jackson, Quaresma, Oliver, Herrera foram brilhantes nesse domínio. Brilhantes porque alternaram o “Recebe à vontade” com o “Já aqui estou”.

Brilhantes porque Lopetegui percebeu que se o “Já aqui estou” fosse dominante perdíamos o efeito surpresa, dávamos tempo a que Guardiola acertasse agulhas e não acabaríamos o jogo de PÉ.

Este pressão imprevisível e concertada nos alvos certos deu possibilidade a que o Porto conseguisse ter na 2ª parte mais “Já aqui estou” do que o Bayern.

Se Guardiola sabe que tem jogadores que regressam de lesões prolongadas como Lahm e Thiago é culpado de não antecipar que uma equipa que “está sempre” na 1ª parte pode desaparecer na 2ª.

CONCLUSÃO: No item n.º 4 o Bayern foi brilhante em 45 minutos, o Porto foi inteligente nos 90 e ganhou por KO.


  1. BOLA PARADA
Jorge Jesus tem razão. Nos dias de hoje a estratégia para as bolas paradas é tão determinante como qualquer outro capítulo do jogo.
O Porto perde em casa com o Benfica por causa disso.

O Bayern é eliminado da Champions sem conseguir lutar à conta disto.

Como neste domínio nem o Porto nem o Bayern são equipas de TOP não foi por aqui que o jogo se resolveu.

O Bayern marcou pontos ao enganar o Porto na primeira meia hora com 2 a 3 marcações de livres de forma rápida e o Porto empatou com lances como o de Casemiro na 1ª parte que sinalizavam as vulnerabilidade que os alemães têm e que podem ajudar a decidir a eliminatória.

CONCLUSÃO: No item n.º 5 regista-se um EMPATE TÉCNICO.


Analisando estes 5 assaltos podemos tentar retirar algum sumo deste combate.

  • O Melhor colectivo do Mundo esteve em patamares altíssimos nos dois capítulos mais importantes do modelo tiki taka e……PERDEU
  • Uma equipa perfeita com bola defrontou uma equipa perfeita sem ela e……PERDEU
  •  
  • Uma equipa sem medo de perder a bola defrontou uma equipa com medo de a perder e…….PERDEU.
  • Uma equipa que se centrou naquilo que sabe fazer bem defrontou uma equipa que se preocupou em fazer bem aquilo que não costuma fazer e………..PERDEU.
  • Uma equipa que QUER TUDO e não se centra em 2 assaltos para ganhar o combate pode lutar com colossos.
  • Uma equipa que sabe que tem que DURAR o tempo todo pode lutar com colossos.

O PORTO conquistou uma vitória épica SEM BOLA, com INTELIGÊNCIA e com CINISMO.

Tirando a trivela do Quaresma, o passe do Alex e o génio de Jackson não foram pelas acções COM BOLA que o Porto ganha o jogo.
Oliver, Herrera, Casemiro, Danilo e todos os outros foram enormes e fizeram grandes jogos sem que essa avaliação se suporte nos magníficos passes, fintas, remates ou cruzamentos.

Tudo isto porque o futebol está mudado. 

O jogo de 4ª feira pode entrar para a história da modalidade como as eliminatórias do Inter-Barcelona, Bayern-Barcelona e Real Madrid-Dortmund.

Eu não acredito que nós estamos metidos nisto. Nós, Porto, estamos METIDOS NISTO.

O Mundo do futebol interrogava-se se Chelsea, City, PSG ou Atlético poderiam beliscar Bayern, Barça e Real.

Em circunstâncias normais mesmo para esses seria impossível sequer sonhar com isso.

Nós, de um escalão bem mais abaixo, estamos mais perto de conseguir (embora esteja ainda longe) a qualificação mais improvável e épica do FCP numa eliminatória a duas mãos.

O Bayern era o favorito à Champions. Que sonho, MEU DEUS. 

Que me perdoem todos mas eu não me importo de arriscar o campeonato e poupar toda a equipa titular para 3ª feira se isso me der mais 4 a 5 % de hipóteses de eliminarmos o Bayern e chegarmos às meias.        

O que vimos na 4ª feira e o que vivemos na 4ª feira merece que se FAÇA ABSOLUTAMENTE TUDO para tentar passar esta eliminatória.           
Com 0-0, 1-1 ou até 2-1 eu ponderava. Assim, na minha cabeça e depois do que fizemos e vivemos, merecemos dar prioridade ao sonho.    

Já seria uma montanha duríssima de escalar com Danilo e Alex.

Sem 2 dos nossos 4 insubstituíveis (estou a meter o BULLDOZER MIRO no meio) fica muito mais complicado. 

Se levarmos para lá Casemiro, Jackson, Herrera, Oliver, Quaresma& friends sem estarem o mais frescos possível não vamos respeitar o que sofremos, o que fizemos e o que vivemos na 4ªfeira.

Podemos ficar na história do futebol moderno. Traçar um caminho, mostrar que não há impossíveis.
O Ruben, o Hernâni, o Evandro, o Aboubakar e todos os outros têm que dar no sábado a sua contribuição para o sonho.               

Dia 16, Dia 17, Dia 18 (com intervalo entre as 18.00 e as 20.00), Dia 19, Dia 20 e Dia 21 a prioridade é tentar que o dia 15 fique na nossa história.

Isto é mais difícil que ganhar a Liga Europa, MESMO.

FAZER TUDO POR TUDO. 

Só nós podemos conseguir. Vão 4000 daqui.
Está tudo maluco com isto e vão passar mais 10 anos até voltarmos a ter uma oportunidade destas.

O Mundo acha que o Bayern vai dar a volta e quer ver se aqueles malucos de azul e branco conseguem o inimaginável.
Os malucos de azul e branco SOMOS NÓS.




Análises Individuais:

Fabiano – No jogo mais difícil da época não teve muito trabalho porque a organização defensiva da equipa foi fazendo o trabalho sujo.
Quando chamado disse presente com uma defesa a remate de Rode e a fazer a mancha a Lewandowski após a marcação de um fora de jogo.

Danilo – Monstruosa exibição. Conhece os timings perfeitos de quando subir ou ficar, quando passar curto e longo. Está formidável fisicamente e o tempo de aprendizagem a jogar numa equipa de Topo Europeu que faz da posse uma regra deram-lhe uma complementaridade que nenhum defesa tem.
A falta que Danilo faz na 2ª mão vai bem para além da marcação ao ala esquerdo do Bayern e ao estica a perna para evitar cruzamentos.
Onde Ricardo está a léguas é na capacidade de tomar decisão com bola e acima de tudo na capacidade de ser um 3.º central e um 4.º médio quando o jogo pede.
Na 1ª parte há um lance bem demonstrativo dessa realidade quando Danilo se coloca à frente de Lewandowski, ganha uma falta e impede que ele fique isolado na cara de Fabiano.

Maicon – Responsável e agressivo. Estas 2 caracteristicas foram o bastante para brilhar mesmo com alguns erros na construção. Na realidade, errar na construção contra o Bayern não é grave porque é comum.
O que não se pode fazer é não saber errar na construção. Nada contra uma bola perdida na linha lateral porque neste contexto de pressão é um erro aceitável.

Indi – Responsável, agressivo e manhoso. Não salta mas não deixa ninguém saltar, não chega mas morde, arranha e incomoda para que ninguém chegue também. Isto é Indi que tem cultura e manha de veterano num corpo de jovem.
Com bola tem a calma que precisamos e quando a solta tem a qualidade que necessitamos.

Alex Sandro – Fenomenal. No pior período do Porto em que o Bayern acampou no nosso meio-campo o melhor jogador com bola foi sempre Alex. Sempre que era acossado  arrancava com sentido e passava com precisão.
No melhor período do Porto voltou a ser ele a empurrar e a forçar a equipa a avançar com arrancadas com bola, desmarcações sem bola e passes que transformaram a realidade em sonho.
Este Homem tem lugar em qualquer equipa do mundo. Este Homem com a atitude de 4ª feira é titular em qualquer equipa do mundo.
Renovem com ele, POR FAVOR!

Casemiro – MIP. MOST IMPORTANT PLAYER.
Fez um jogo verdadeiramente espectacular. Este Casemiro mete medo ao João vilela do Gil Vicente ou ao Philip Lahm do Bayern. É um bloco de cimento que se move para todo o lado em fúria e com uma agressividade aterrorizante.
Não deixa espaço algum para os adversários pensarem que tipo de abordagem devem ter com ele. Não há conversas. Tenho a certeza que ninguém o quer ter por perto porque ele aleija a sério. Quando ele mete o pé parece que tem o peso de 250 KG. Quando ele mete o pé fá-lo com a velocidade de quem é um peso-pluma.
O Bayern não faz o 1-1 porque o Bloco de Cimento malucóide vem a correr para se encostar no Muller e para o entortar antes do cabeceamento para Lewandowski.
Ele sabe que não chega mas não se importa. Vou lá de qualquer maneira e entorto o Muller de tal forma que ele jamais conseguirá marcar.
Fez 345 dobras após-perda. Na bola parada é alto e espesso. Papa todo o espaço entre-linhas com pernas, corpo, saliva, chuteiras, toladas e sangue.
Eu estou rendido. Absolutamente rendido.

Oliver Torres – A União Ciclista Internacional tem andado a investigar o novo fenómeno de doping mecânico em que existe um minimotor a dar andamento à bicicleta.
Começo a duvidar se Oliver Torres tem um minimotor incorporado e anda a transferir do ciclismo para o futebol esse tipo de doping.
Foi o primeiro a ser substituído mas ainda consegue aparecer no TOP dos que mais correram e a média de andamento do seu minimotor apontava para números ao estilo do melhor Borussia de Dortmund (13 KM).
Costumo tentar compará-lo com Xavi pela capacidade que tem em circular a bola, passar, não a perder e encontrar sempre o melhor caminho.
Ontem, Oliver Torres teve que ser tudo menos aquilo que é. Na 1ª parte foi sufocado sempre que a bola lhe chegava aos pés mas tratou de sufocar tudo e todos com o seu minimotor.
Convido  todos a observarem o lance do 2.º golo do Porto olhando apenas para o Oliver. O Xavi não faz isto e se o Simeone viu aquilo BYE BYE.
Oliver Torres foi o jogador que Simeone gosta de ter mas que julga que Oliver não é.
Oliver provou-nos que tanto pode ser o cérebro Xavi como o motor Vidal ou Pogba.
Como a partida foi complicadíssima para o seu lado Xavi incorporou o motor Vidal.
BRAVO! 

Herrera – Este era um jogo mais para as suas características do que para as de Oliver.
Cumpriu na perfeição a parte da pressão ao ser um dos 3 homens (com Quaresma e Jackson) que do nada saltava para o JÁ AQUI ESTOU que tirava o sossego ao portador da bola do Bayern.
Em posse teve as dificuldades da era Paulo Fonseca mas isso já era expectável tamanho o muro que tinha pela frente. Não foi o único a tremer nesse capítulo do jogo.
Ficou um pouco aquém do que seria previsto na questão abordada por Guardiola. O do falso-lento que arranca e rasga.
Essa característica do Mexicano será fundamental para repartir o jogo, ganhar terreno e conquistar livres perigosos como conseguiu fazer na segunda parte.
Um bom jogo com esforço no limite.

Brahimi – Cumpriu na pressão à distância a Rafinha e teve uma ou duas oportunidades para brilhar na 2ª parte quando recebe e parte para cima no último terço.
Em todo o resto da partida foi um peixe fora de água. Se o Porto é encostado atrás Brahimi prejudica mais do que ajuda.
Não morde na pressão, recebe a bola muito atrás e envolve-se em fintas e piruetas onde quer que esteja. Casemiro, Alex e Indi tinham que ter o mesmo cuidado quando a bola estava em Muller do que quando estava com Brahimi.
Não vale a pena ter Brahimi em campo assim.

Quaresma – Fabuloso. Parecia um médio à Dortmund estilo Lucas Piszczek a correr, a pressionar e a morder a sério. Tudo isto no corpo do Quaresma com o talento de sempre.
Vou hierarquizar por ordem crescente os 4 momentos mais importantes da extraordinária performance de ontem.
Em 4.º lugar o penalti. Foi marcado com responsabilidade e classe. Todos nós sabemos o que nos tem custado esta dificuldade de ter quem marque com segurança os penaltis.
Quaresma devolveu-nos isso. Não havendo Evandro a sua titularidade dá-nos mais alegria do que desconfiança quando o árbitro aponta para a marca dos 11 metros.
Em 3.º lugar a trivela. O destino tem coisas tramadas e às vezes põe o comboio a passar 2 vezes na mesma estação. Não há portista que se esqueça daquele duelo Quaresma-Neuer do Schalke que nos ajudou a atirar para a eliminação.
Agora outra vez Ricardo. Agora é o Grande Neuer e tu já perdeste a oportunidade se ser o Grande Quaresma que na altura pensavas que te estava destinado.
Agora outra vez Ricardo. Agora é o Grande Bayern e o teu Porto não tem argumentos para se bater de igual para igual como contra aquele Schalke.
Estás sozinho Ricardo. E agora?
Que alegria Ricardo. Que TRIVELA!
Em 2.º lugar a Dantização ao sprint. Eu já sabia que o Jackson era capaz de fazer aquilo ao Xabi Alonso. Eu pensava que o Quaresma não tinha a inteligência e a predisposição para atacar o Dante daquela forma assassina.
O golo é colectivo mas Quaresma apostou a sério no “JÁ AQUI ESTOU!” com um sprint sem bola que para mim fica para a história.
Em 1.º lugar o pedido de substituição. Só se ganham jogos destes se o comprometimento com o colectivo matar qualquer ambição pessoal.
Eu treinador valorizaria qualquer jogador meu que me ajudasse a ler o jogo. Fazer das tripas coração e ir para lá dos limites são tudo gestos muito heroicos mas podem prejudicar a equipa.
Se a equipa pode fazer substituições e um jogador sente que já não pode cumprir com os mínimos só tem que fazer o que o Quaresma fez.
TIRA-ME LOPES. Eu já não consigo ajudar mais a equipa. O Quaresma a dizer isto!


Jackson – Não tenho palavras para o MVP. ÉPICO é pouco para ver o que um jogador faz num jogo de intensidade máxima após mais um mês de paragem.
Guião de cinema. No Fuga para a Vitória o Pelé ganha de braço ao peito.
Na 4ª feira Jackson Martinez fez o melhor e mais importante jogo que o vi fazer.
Não há melhor 9 do Mundo para encaixar nesta equipa.
Pé esquerdo, pé direito, cabeça, recepções à contorcionista, pressão com a inteligência de Lucho ou Moutinho, sprint à alucinado quando vê Brahimi a enganar Alex, perder a bola e deixar o corredor órfão.
Há muitos lances em que o bloco de cimento Casemiro já vem a lavrar para resolver mas tem que parar quando percebe que a Pantera veio cá atrás tratar do assunto.
Ataca os adversários como se fosse um selvagem mas olhamos para a forma como se movimenta, como anda, como recebe a bola e a desvia dos adversários e tudo é classe e elegância.
Vai para um safari na selva de smoking. E ganha-nos o jogo sendo avançado, médio, defesa, extremo, capitão, líder espiritual, tudo.
Jackson foi Jackson, foi Luis Suarez, foi Lucho Gonzalez, foi Gary Medel, foi tudo.
 Com ele JA, WIR KÖNNEN!
Podemos tudo com ele.


Ruben Neves - Sinto-o mais forte e mais preparado para o choque. Isso rouba-lhe velocidade de reacção mas dá-lhe argumentos para jogar contra matulões que encostem o cabedal.
Entrou para o lugar de Oliver Torres e cumpriu defensivamente numa altura em que o Bayern tentava mas o jogo estava mais mortiço. 

Hernâni – Neste menino eu vejo grande parte das nossas possibilidades de chegar às meias.
Jogar contra o Bayern com espaço nas costas é o perfil de jogo ideal para Hernâni. Só tem que correr e tentar finalizar que as oportunidades aparecerão.
Na 4ª feira entrou a tempo de provar o meu presságio mas só pode fazer um sprint que não deu em nada por ter corrido para um lado e o Casemiro passado para o outro.

Evandro – Estávamos no lavar dos cestos e a sua cultura táctica foi chamada a liça. Pouco tempo em campo não permite uma avaliação do seu rendimento para lá do tradicional “cumpriu”.


Ficha de jogo:

FC Porto 3 - 1 Bayern Munique UEFA Champions League, 1/4 final, 1ª mão
Quarta-feira, 15 Abril 2015 - 19:45
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 50.092

Árbitro: Carlos Velasco Carballo (Espanha)
Assistentes: Roberto Alonso e Juan Yuste; Carlos Del Cerro e Jesús Gil Manzano
4º Árbitro: Raúl Cabanero

FC Porto: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Óliver Torres, Quaresma, Jackson Martínez, Brahimi. Suplentes: Helton, Quintero, Reyes, Evandro (84' Quaresma), Hernâni (79' Brahimi), Rúben Neves (75' Óliver Torres), Aboubakar. Treinador: Julen Lopetegui.
Bayern Munique:  Neuer, Rafinha, Boateng, Dante, Bernat, Xabi Alonso, Lahm, Thiago Alcântara, Müller, Lewandowski, Götze. Suplentes: Pepe Reina, Pizarro, Gaudino, Rode (56' Götze), Badstuber (74' Xabi Alonso), Weiser, Lucic. Treinador: Pepe Guardiola.
Ao intervalo: 2-1. Marcadores: Quaresma (3' pen), Quaresma (10'), Thiago Alcântara (28'), Jackson Martínez (65'). Disciplina: cartão amarelo a Neuer (2'), Bernat (16'), Casemiro (31'), Alex Sandro (37'), Lahm (38'), Rode (71'), Danilo (83').


Por: Walter Casagrande

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