sexta-feira, 18 de maio de 2018

Tudo na desportiva...


Encurralaram o leão 
No centro da savana, 
Não dura mais uma semana, 
É a sua extinção...

Meteram o caçador 
No centro da selva, 
E ele dispara tod'a salva 
Como um franco-atirador!

O leão está caçado 
Pelos seus cuidadores,
Tantos anos promissores 
Pr'a se morrer enganado...

C'o leão em suspenso 
Afama-se como Rei da Selva,
O homem que se nega 
Ao bom-senso!

Usam-se batedores 
Pr'a se mostrar força,
Que na selva vale mais uma coça 
Que prémios maiores...

E bate-se no abono de família 
C'uma barra de ferro!?
Não há aqui um erro 
Na própria vigília?

A lei da selva 
Impera em Alcochete,
E nem à prova de colete 
Alguém ali se salva...

Está tudo na fuga pr'a frente 
Em pronta demissão, 
Mas no reino do leão 
Só manda um dirigente...

Quem ordenou o ataque 
Ao covil do leão?
Não houve orquestração 
Da claque? 

Quem ordena 
Em tal reino?
Quem é que num treino 
Prepara uma encomenda?!

Tudo de salvo-conduto 
Pr'a entrada triunfal, 
E tudo tratado igual 
Num travo bruto!

E o presidente 
Tudo relativizar, 
Porque ele só quer ganhar 
A sua gente...

E o secretário d'Estado 
Até aparecer,
Pr'a nos surpreender 
Com rosto de culpado!?

Os governantes 
Desta terra selvagem,
Têm falta de coragem 
Pr'a atentar os meliantes!

E então c'os ilegais 
Assobia pr'o lado,
Porqu'o benfica é maior qu'o Estado 
E qu'os outros reinos animais...

Mas agora qu'a corrupção 
Atingiu a capital do Império, 
Apareceu de rosto de sério 
A governação!?

Como s'esta doença ancestral  
Fosse mal esporádico,
E o Estado fosse atávico 
Em Portugal...

Mas o único mega-processo 
Foi contr'a cidade do norte,
Porque aí o Estado é mais forte 
Na construção do nexo!

E formou equipas-especiais 
Pr'a se preparar a acusação,
E ainda criou uma encenação 
Com enviados-especiais!

Mas c'o benfica 
A coisa pia fininho, 
E o Estado arrepia caminho 
Ond'a ave nidifica...

É no futebol, na justiça,
No governo ou na banca, 
E ninguém disto s'espanta 
Por ser o benfica...

Ou agora o leão 
Que lá jaz no seu velório,
E ainda serviu de bode-expiatório 
Pr'a social "comunicação"...

O centro da corrupção 
Não é a Luz é a própria selva,
E aí a comunicação social não s'enerva  
Ao aceder à informação...

E lá ouvir "conversas privadas"
Ou a ler as transcrições, 
"Violando" as jurisdições 
Não autorizadas!?

Até o Braz 
Lê as mensagens do telemóvel, 
Ele para quem não existe móbil 
Em tantos gigas que veem de trás...

Mudou-se o epicentro 
Da corrupção em Portugal, 
E o leão se já está mal 
Ainda pode ir dentro...

E nist'o Porto 
Tido por corrupto em tais cabeças,
Perdeu tais taças 
Porque isto é desporto...

Joker
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