terça-feira, 22 de maio de 2018

A ponta do icebergue


A ponta do icebergue

O escândalo sucessivo
Sobr'o desporto em Portugal,
Em qualquer capa de jornal...
É um aperitivo!!

É apenas o cume
Do nosso icebergue,
Qu'um dia submerge
Pr'a nos dar maior queixume!

Essa constatação inata
De qu'o país é isto,
E que de tão mal visto
Ninguém o empata...

Porque já ganhou
O jogo a pedido,
E o campeão foi decido
No que se apostou!

Nas pequenas acções
Vemos as mais ilustres,
E os eternos embustes
Das nossas comemorações!

O ir-se ao Marquês
Já supunha tal conduta,
Porque essa figura bruta
Também as fez...

Também liquidou os inimigos
Com conspirações,
Com encenações
E pagamentos extorquidos!

A nossa história
Está cheia de equívocos,
E na presença de tais mitos
Também gritámos vitória!!

Conseguimos aqui edificar
Uma nação,
Mas a nossa maior glorificação
Ainda é subornar!

O travo de corrupção
Coloca-nos na vanguarda,
E mundo a nós não nos retarda
No crime da evolução!

Somos dos primeiros
Na arte do suborno,
Porque se alguma coisa demos ao mundo
Por pioneiros,

Foi o travo corruptivo
De vencer por antecipação,
E fazermos disso celebração
Em porte altivo!

O nosso país irmão
Também nos seguiu em tal exemplo,
Porque esse é o nosso maior sentimento
De comunhão!

Demos ao mundo
As descobertas e o genoma,
E o português por idioma,
E um barco ao fundo...

Também queria ter orgulho
Nos nossos actos passados,
Mas os presentes são dados
De grande esbulho!

O nosso povo
Vive de falsas promessas,
E ainda esper'as remessas
Do mundo novo...

Vive do fado,
Da cantoria tristonha,
E até o Sócrates s'envergonha
Deste resultado...

Já estava decidido
No andebol,
E no futebol
Venceu-se contr'o poder instituído!

E até o ex-primeiro
Se sente nisto injustiçado,
Porque nunca lhe foi provado
A origem do dinheiro...

E com estes "amigos"
Que nos dão subsistência,
Não há nisto jurisprudência
Qu'o condene em tais artigos...

Porque se roubou
Fez bem ao povo,
E ao Isaltino nunca foi estorvo
O quanto "adjudicou"!

E se tinha um primo rico e taxista
A viver na Suíça,
Porque não se lhe dava premissa
Também de economista?

E os bancos, os bancos,
Descapitalizados p'los políticos,
E pagos por nós que, somíticos,
Chorámos nos impostos prantos...

Alguém foi preso?
O Vara, o Costa, "o dono de tudo isto"?
Mais depressa se prendia Cristo
E o Barrabás saía ileso...

Vivemos na ponta
Do icebergue,
E no dia que tudo s'albergue
O país fica por conta...

E a dívida pública
Dá-se a pagamento por letra,
E promete-se a vitória certa
Do benfica...

Joker


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