sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Em teoria fazia sentido...

Ora cá estamos mais uma vez no lugar onde todas as equipas querem estar. Na incrível Champions League. Nada como ouvir aquele hino.

1ª jornada. O jogo era contra o Dynamo Kiev, incontestado campeão da Ucrânia. Previa-se portanto à partida um jogo complicado, sobretudo jogando fora.

Lopetegui volta ao bloco de apontamentos para ir buscar uma táctica mais conservadora e o 4-3-3 transforma-se num 4-4-2. Danilo e Herrera voltam assim ao onze para fazer companhia a André e a Ruben Neves. Na frente Brahimi apoia Aboubakar e na defesa a novidade é Indi (devido ao castigo de Marcano).

À partida percebia-se a ideia. Conter, numa primeira fase, uma equipa motivada e competente a jogar em casa para depois tentar, numa segunda fase, o assalto à vitória.

Em teoria fazia sentido, mas na prática surgiram alguns problemas. Sobretudo porque os 4 médios nunca funcionaram como uma unidade complementar. Danilo, Ruben e André pareciam algo perdidos nas marcações, muitas vezes marcando as mesmas zonas e deixando outras zonas por marcar. E bom... Herrera... foi um espectáculo paralelo de tropeções nele mesmo. Também em termos de posicionamento foi um mistério.

Ou seja, o Porto de facto apresentou um muro de pedra, o problema é que o muro estava cheio de buracos. Utilizar 4 médios não é uma má estratégia, simplesmente isso tem que ser bem feito.

Como não foi feito da melhor maneira, a equipa ucraniana acabou por ter ascendente na 1ª parte. Casillas foi o primeiro a tremer logo aos 9 minutos, ao largar uma bola.

O golo aos 20 minutos não foi assim uma surpresa, num lance onde a descoordenação da defesa portista foi gritante.

Felizmente para o Porto, os ares de Kiev não incomodaram Aboubakar, que esteve endiabrado e fez o empate de cabeça 3 minutos depois. O cruzamento pertenceu a Layun.

No entanto, o Porto continuava desconfortável no jogo sobretudo a defender, mas também a atacar. Brahimi remava contra a maré, mas era Aboubakar que colocava os ucranianos em sentido.

Ainda antes do intervalo, Casillas brilha e nega o golo a Garmash, em mais um lance de descoordenação na defesa portista.

O intervalo soube bem...

E o Porto entra melhor na 2ª parte, apesar de manter o mesmo onze.

No entanto, apenas aos 65 minutos a equipa volta às raízes e ao bom futebol. Tello entra para o lugar de Herrera e as  peças parecem ajustar-se. Não que Tello tenha trazido muito ao jogo, mas o regresso ao 4-3-3 foi como um regresso a casa.

A partir daí, o Porto sobe as linhas e cresce. Corona deixa o aviso num grande remate, mas é Aboubakar quem dança o Cha Cha Cha, aproveitando uma bola perdida. 

O jogo parecia definido, o Dynamo Kiev não mostrava grande ânimo. Mas no futebol tudo pode acontecer e aconteceu...

...um erro gritante da equipa de arbitragem. Golo irregular do Dynamo, já que há claro fora de jogo posicional (ou seja, o jogador em fora de jogo interfere de forma clara na jogada).

Mas a verdade é que o árbitro também faz parte do jogo e o resultado embora frustrante acaba por ser justo.

Fica a clara ideia que o meio campo do Porto ainda é um "work in progress" e desta vez a defesa não ajudou. No entanto, começam a aparecer bons sinais aqui e ali e jogadores como Aboubakar, Corona e André começam a ser bem mais que promessas.

Vem agora aí um ciclo que qualquer portista adora. Testes de fogo é o melhor que podem dar a qualquer Dragão.


Análise individual:

Casillas: Um erro que podia ter tido consequências. De resto esteve bem e com uma enorme defesa.

Maxi: Dá a ideia que foi arrastado pela descoordenação defensiva da equipa. Deu sempre o máximo e é sempre o primeiro a dar o exemplo.

Maicon/Indi: É difícil separar as duas exibições. Foram uma dupla completamente disfuncional. Sempre fora de posição, deixaram muitas vezes a marcação de forma algo amadora.

Layun: A defender revelou algumas dificuldades, mas acrescenta grande poder ofensivo. É dele o cruzamento para o 1º golo.

Danilo: Parece sempre mais perdido e desconfortável quando tem que dividir os seus espaços.

André: Apesar da desconexão no meio campo, a raça vem sempre ao de cima. 

Ruben Neves: Perdido entre ser um trinco ou um médio de transição. Ficou no limbo.

Herrera: O que estava a fazer em campo é até hoje um mistério. 

Brahimi: Um bom jogo dada a falta de apoio. Ainda criou algum perigo mesmo no pior período da equipa.

Aboubakar: Melhor em campo. Não é fácil entrar para o leque de ilustres pontas de lança que marcaram a história do Porto. Aboubakar parece querer ser o próximo. Tem tudo para isso.


Tello: Pouco acrecentou.

Corona: Fez saber ao que veio assim que entrou com um grande remate. O algodão não engana e o Corona também não.

Osvaldo: Sem tempo.


Por: Prodígio 

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