terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Qual o melhor modelo de gestão para os clubes


Uma das principais dificuldades que a maior parte dos clubes de futebol se debatem hoje em dia para resolverem as suas obrigações contratuais com os seus jogadores e demais fornecedores, em parte, prende-se com o tipo de modelo de gestão que praticam, ou que acham que seja o mais adequado para fazer face às enormes despesas que contraem na sua organização desportiva, vivendo quase todos os clubes acima das suas reais possibilidades, dando azo todos os anos a casos de incumprimento de remunerações por parte das suas débeis tesourarias, situação que não é nova e que nem tão pouco é desconhecida da opinião pública, para não dizer mesmo que até é perfeitamente natural e pacífica para os tempos que correm, que esta situação se verifique com total normalidade na sociedade moderna, bem ao jeito da maioria dos países que também se encontram endividados perante as suas contas públicas e que também andam sempre com deficit enormes, e que ninguém acredita que alguma vez as dívidas sejam totalmente liquidadas, atirando toda esta problemática financeira sempre para as gerações vindouras, baseado naquela ideia peregrina do, “Quem vier que resolva ou feche a porta”.

Foi desta forma que durante todos estes anos de convivência conturbada em termos de finanças que os clubes se propuseram a encontrar meios de financiamento, começando no início a viverem exclusivamente da cotização dos seus associados e das receitas dos jogos que realizavam entre si, para depois passarem a enveredar pela alocação de Bingos e bombas de gasolina, publicidade e outros patrocínios, e presentemente lá vão sobrevivendo com o acréscimo das receitas das transmissões desportivas, presenças nas Ligas Europeias, venda dos seus principais jogadores, inclusão do modelo de SADs desportivas, financiamento através da banca que entretanto lhes fechou a porta, e ultimamente com a introdução de fundos de capitais de risco tendo como base de apoio financeiro o valor de alguns passes de jogadores influentes na equipa e com mercado europeu. 

Porém, como o tempo não pára e por vezes tende a fazer alterações de percurso gerando ainda mais dificuldades, os clubes têm necessidades imperiosas de estarem sempre a criar novos modelos de financiamento para substituírem os que ainda sobejam, mas com fortes possibilidades de virem a desaparecer como certamente irá acontecer com os famigerados fundos de capitais de risco, em que os clubes portugueses, espanhóis e da América do Sul foram os principais interessados no recurso a este tipo de diversificação de financiamento na contratação de jogadores, consubstanciado através da partilha de percentagens dos passes dos seus ativos, e que segundo um estudo encomendado pela Associação Europeia de Clubes à KPMG e divulgado em Novembro de 2013 indicava que até 36% dos jogadores no mercado português estariam sob o universo da "third party ownership", sendo que, o comércio em torno dos direitos económicos dos jogadores está muitas vezes associado a práticas opacas ou fraudulentas nas transações, investidores fantasmas e beneficiários desconhecidos", razão pela qual, a UEFA entendeu já proibir a partir do dia 1 de maio da cena desportiva esta alternativa ao crédito, por, segundo aquele organismo desportivo, não terem os famigerados fundos razão substantiva em termos de existência legislativa e desportiva.

Acontece que para os principais clubes portugueses, se bem que no caso do SCP pelos vistos esta situação não lhe irá trazer problemas, uma vez que já se pronunciou oficialmente contra a subscrição destes fundos, e o futuro é que irá dizer se terá razão ou não, terão então pelo menos o FCP e SLB de ajustarem outros mecanismos financeiros para continuarem no mesmo nível desportivo que patenteiam e a que nos vêm habituando, o que não será fácil pois o tempo dos mecenas já lá vai, e os poucos investidores que existem e que ainda estão interessados em investir nos clubes, naturalmente que exigem uma contrapartida que passa pelo controlo total ou maioritário do próprio clube, situação que pelo menos o FCP já se manifestou totalmente contra e em defesa da hegemonia do clube e dos seus adeptos, que também preferem o modelo atual que lhes dá um controlo absoluto do clube e da SAD.

Todavia, este sentimento clubista e conservador que os clubes portugueses ainda estão presos, não tenho dúvidas que a breve trecho terá que ser alterado e revisto para o bem dos mesmos e para a sua própria sobrevivência, e isto se quiserem continuar no pelotão da frente da Europa em termos de feitos desportivos, e os seus apaniguados adeptos terão que se adaptar rapidamente às novas circunstâncias próprias dos tempos em que vivemos, dando lugar como já acontece por toda a Europa, a um novo modelo de gestão desportiva que passará pela venda do próprio clube a investidores estrangeiros, ou então, enveredar por um maior aproveitamento das camadas jovens, que infelizmente em Portugal é só uma espécie de miragem com muito poucas exceções à regra, pese embora, as excelentes prestações de vários jovens com enorme talento e potencial que por cá há, que para mostrarem o seu real valor têm que infelizmente partir para outras paragens, demonstrando assim que os clubes que os formaram não os aproveitaram da melhor forma, em detrimento de outras opções estrangeiras duvidosas que se vêm a tornar um autentico fracasso desportivo e financeiro, para gáudio e aproveitamento de alguns dirigentes e empresários que por aí andam, que só têm como principal objetivo encher os seus bolsos de milhões de euros.



Por: Natachas.



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