terça-feira, 2 de dezembro de 2014

FC Porto 5-0 Rio Ave: PAIMS, PRINGLES E BOBÓS.

#FCPorto #RioAve



Os 2 jogadores do Porto com maior cartel internacional chamam-se Jackson Martinez e Yacine Brahimi. São os cabeças de cartaz da equipa.

Ontem jogamos mancos. O Colombiano passou 78 minutos a tentar colaborar de forma eRrática. O argelino passou 56 minutos escondido do jogo. Nem errático esteve. Simplesmente não esteve.

A boa notícia é que o Porto conseguiu fazer um bom jogo sem as suas estrelas.

Nas últimas semanas e com a inclusão de Oliver numa linha próxima de Casemiro a equipa sai a jogar de forma menos insegura.

Nas últimas semanas, com a sedimentação de Oliver como parceiro de Herrera vimos o mexicano a pegar na equipa ao colo e a fazer, com fulgor físico, o IO-IO entre a defesa e o ataque que compatibiliza segurança defensiva com preenchimento numérico da área ofensiva. Defendemos melhor e chegamos com mais gente lá à frente.

Essa melhoria de processos defensivos e a rotina de movimentos no meio-campo (onde tudo se decide) permitiu que a equipa arrancasse para uns excelentes 20 minutos.

Com a Herrera a fazer de MVP em part time, com Oliver a fazer um trabalho de Lucho e Danilo, Alex e Tello a dar asas à equipa percebemos que mesmo mancos de estrelas podemos ter equipa.

Num dia em que Jackson se resolva travestir de Martin Pringle e Brahimi se arme em Fabio Paim  de meia tigela estamos vivos.

Estamos vivos porque há mais vida para além dos craques e estamos vivos porque a equipa está a adquirir rotinas que lhe permite estar menos dependente dos craques.

Há motivo para preocupação quando sentimos que no Jogo A ou B só ganhamos porque Jackson ou porque Brahimi.... Quando o individual disfarça lacunas estruturais do colectivo.

Quando sucede o contrário estamos no bom caminho.

Após os 20 minutos em que faltou finalizar as jogadas construídas pelas asas do avião FCP a equipa foi levantando o pé do acelerador. É nessa altura que o mexicano se começa a desgastar e o Rio Ave ganha confiança por ter sobrevivido ao vendaval inicial.

Na 2ª parte a sorte paga a divida da primeira parte. O golo madrugador que surge após deslize de Marcelo permite que a equipa se tranquilize e Lopetegui faça o que era preciso ser feito sem pressão das bancadas.
Com Tello já sem o fulgor gasto em sprints diabólicos na 1ª parte e Pringle e Paim a não acertar a nota o peso da equipa ficava todo nos ombros do meio-campo que não podia deixar de picar o ponto no ataque, órfão dos ausentes Jackson e Brahimi.

Casemiro devia, mas já não podia ser tão agressivo porque já estava amarelado. Oliver é um excelente condicionador do jogo ofensivo adversário porque pressiona com inteligência, ocupa bem os espaços e sabe ganhar o tempo que a equipa precisa para a transição defensiva.

Se é um excelente condicionador não se destaca pela agressividade na luta pela posse. Em choque de canelas, chuteiras e o que for preciso na disputa de bola centímetro a centímetro.

Herrera condiciona pior mas agride melhor. Sucede que ele e Tello eram os que mais acusavam o esforço que acarretou levar a equipa manca ao colo na 1ª parte.

Neste contexto o Porto sofre. Sofre, porque quem devia pôr em sentido a defesa do Rio Ave meteu férias o que ajuda a empurrar o jogo para a baliza de Fabiano.

Lopetegui percebe que dar 1 passo atrás é fundamental e com a abençoada capa de protecção do 1-0 tira um jogador a menos no ataque para introduzir um jogador a mais no meio-campo.

O público compreende a retirada da sua estrela. Reage, dando razão aos olhos em vez do coração emocional que só quer talento no relvado.

O efeito é imediato. Rúben, por si só, não faz a equipa atacar melhor mas impede que o Rio Ave continue a invadir a grande área portista o que era um excelente 1.º passo.

Rúben continua com a classe dos passes mas entra como se fosse o Bobó do Boavista da década de 90. É hora de aquecer umas canelas adversárias para mostrar quem manda.

O passo atrás fundamental tinha sido dado. Reganhar o controle do jogo.

Cumprido esse desiderato havia margem de manobra para ir em busca daqueles 20 minutos da 1ª parte. Hora dos 2 passos em frente.

Na minha cabeça estava na hora de sair o Pringle. Se sem Paím tínhamos melhorado com o Aboubakar iriamos voar.

Lopetegui faz a distinção entre quem nem tentou errar (Brahimi) e quem ia errando (Jackson) e age em conformidade. A estrela fica e quem sai é Herrera.

Magia lá para dentro. Quintero não entra tão bem como Rúben mas a equipa parece dar continuidade à ideia de Lopetegui.

Marcano e Casemiro cheiram o golo e ao bater dos 78 minutos Pringle desincorpora do corpo de Jackson Martinez que tem uma jogada digna dos eleitos. Lopetegui tinha razão.
2-0, jogo fechado e os 2 passos em frente dar-nos-iam os 3 pontos necessários.
Acaba a luta tactica com o adversário externo e começa o desafio com o amigo interno.

Alex Brilha, Oliver carimba e Danilo fica possuído pelo DEMO.

O resultado é enganador e tremendamente injusto para o Rio Ave mas é filho duma equipa que se sabe segurar melhor, duma equipa menos dependente dos craques e dum treinador que soube ler o jogo por entre Paims, Pringles e Bobós.



Análises individuais:

Fabiano – Confiança. Ele está cada vez mais confiante e nós confiamos nele cada vez mais. É um círculo virtuoso que espero nunca venha a ser quebrado.

Danilo – Escrevam comigo: JOGADOR À PORTO, JOGADOR À PORTO, JOGADOR À PORTO.
Sempre defendeu melhor que Daniel Alves. Agora ataca melhor que Daniel Alves. É um verdadeiro galgo possuído pelo demónio que inferniza a vida ao lateral sem que o médio-ala adversário perceba quando e como é que o galgo passou por ele.
Foi assim na 1ª parte de forma regular e na 2ª esporadicamente.
O lance dos 93 minutos é de alguém que joga sem saber o resultado. De alguém que acorda às 8.20 quando tem viagem de avião marcada para as 8.35.
Que horas são? Chiça! Abre!
Danilo ao minuto 92.30 esqueceu-se que estava 4-0 e correu para apanhar o avião.
Revejam o lance, por favor. O ataque em sprint para se antecipar ao adversário e ganhar a bola. Recupera a bola já em 6ª velocidade e mete a 7ª velocidade em direcção ao aeroporto.
O Carro chia por todos os lados. Sem abrandar e com o avião a partir não há tempo para esperar pela perna direita. Vai com a esquerda. Quero lá saber.
Quando era puto via resumos do futebol alemão no Domingo Desportivo e ficava maravilhado com golos de outra galáxia. Ontem vi a outra galáxia.

Alex Sandro– A dupla de laterais do Porto é melhor do que qualquer candidato a vencer a Champions. Real Madrid, Barça, Bayern e Chelsea. Não há pai.
Alex Sandro fez um jogo competente cumprindo com o que era suposto e ainda o trabalho de quem tinha metido férias. Está a recuperar a forma e mereceu a sorte daquele ressalto.

Martins Indi – Não há dúvida que é o melhor central do Porto. É a antítese de Mangala. Este faz jogos bons mas sentimos que o melhor Martins Indi não será muito melhor do que vemos. Mangala fazia vários jogos sofriveis mas deixava sempre a ideia de poder tocar o céu.
Dado o actual plantel de centrais do clube, ter um tecto mais baixo mas que nos proteja da chuva é mais importante.

Marcano – O Pé direito parece ser para subir o autocarro. Enquanto Lopetegui não olha a sério para Reyes está numa luta titânica com Maicon para a titularidade. Marcano tem menos potencial mas é mais rato e tem menos paragens cerebrais. Maicon tem tudo o que é preciso mas mostra aquilo que sabemos. Quem ganhará?
Avaliando as últimas exibições de ambos Marcano está à frente. Por pouco, mas à frente.

Casemiro – Posicionalmente está muito melhor. A rotina da posição 6 e a rotina dum formato de meio-campo estabilizado sem experimentalismos de duplos pivot´s fazem-lhe bem. Ontem voltou a revelar a tendência para a agressividade disparatada que lhe roubam balas para a luta. Na fase complicada do jogo precisávamos de agressividade e Casemiro não podia porque andou a brincar às tesouras na 1ª parte.

Oliver – Pêndulo. É o jogador mais importante para o Porto de hoje estar mais seguro colectivamente e para jogadores como Casemiro e Herrera estarem a crescer individualmente.
Durante os 90 minutos ele está próximo e troca passes com todos. Tanto o vemos perto de Indi como de Jackson. Dá apoio e linha de passe a toda a gente. Não sprinta mas nunca para.
Falta-lhe remate, falta-lhe a chegada à área de Herrera mas é um jogador de Lucho. Os portistas percebem a importãncia de artigos luchuosos.

Herrera – Hoje é indiscutivel na equipa. Varre o campo todo e é um dos focos desestabilizadores para qualquer equipa porque tanto arranca em velocidade, como remata.
Tudo isto é feito sem que os terrenos que o mexicano pisa sejam previsiveis. Não é um 10 mas aparece na posição 10 quando lhe dá. Não é um 9,5 mas anda por lá quando lhe dá na gana. Vagabundeia por ali sem deixar de ser 8 e sem deixar de ajudar Oliver e Casemiro.
Puro sangue. A irracionalidade e as lacunas que tem começam a ser café pequeno para o que tem dado à equipa.

Brahimi – Fábio Paim. Estava a espera de criticar o Brahimi por se agarrar muito à bola, por falhar drible após drible. Não imaginava fazê-lo porque teve uma atitude em campo  como se estivesse com limitações fisicas, como se não lhe apetecesse correr, como se estivesse a pensar noutras coisas.  Conquistou crédito suficiente para não fazer de um Paím um caso mas preferia vê-lo a jogar mal do que a não jogar.

Tello – O único do ataque ligado e competente. Começou com o gás todo e a deixar os adversários a milhas sempre que ligava o turbo. Por ele o Porto não tinha demorado 47 minutos para fazer 1-0. Foi por ele que o Porto não demorou mais de 47 minutos para marcar.
Mostrou que merece ser titular. É único e com o tempo saberá aprimorar a finalização.

Jackson – Ou chegava atrasado, ou falhava as tabelas, ou falhava a recepção ajudando a lançar o contra-ataque adversário. Um pouquinho do grande Jackson de 2014/15 teria bastado para evitar o sofrimento da 2ª parte. Não se pode dizer que tenha forte corpo mole porque o colombiano errou por não deixar de tentar mas é verdade que fica mais dificil nos dias em que Pringle desce ao Dragão. Ao minuto 78 biqueirada na bola e nas pringueladas que o assaltaram durante mais de uma hora. Ponta de Lança de Champions de regresso.

Rúben Neves – Surpreendente. Tem amargado no banco há vários jogos o que poderia levá-lo a desmoralizar face à quebra do sonho.
Jogo dificil com o Porto a perder a mão. Lopetegui chama-o e traça-lhe uma missão. Rúben entra à Bobó e não deixando de fazer do relvado uma mesa de bilhar com os passes teleguiados cumpre com 17 anos e corpo de menino o que nós imaginavamos ser tarefa para os Diakhités desta vida.  Morder canelas, entradas de sola, pé no tornozelo.
Rúben não deixou de ser Neves mas deu ao Porto o Bobó que precisávamos.

Quintero – Teve um ou outro pormenor de classe (4.º golo) mas não se pode dizer que a sua entrada tenha sido a que fez saltar o marcador de 1-0 para 5-0. Cumpriu sem grandes brilhantismos ajudando a equipa a dar os passos em frente necessários.

Quaresma – Pouco tempo em campo. Suficiente para ver de perto o que faz o Demónio quando baixa na pele de um profissionalão da bola.
  

Ficha de jogo:

FC Porto 5-0 Rio Ave
Primeira Liga, 11ª jornada
Domingo, 30 Novembro 2014 - 20:15
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 30.328

Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria).
Assistentes: Bertino Miranda e Luís Marcelino.
Quarto Árbitro: Pedro Vilaça.

FC Porto: Fabiano, Danilo, Martins Indi, Marcano, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Óliver Torres, Brahimi, Jackson Martínez, Tello.
Suplentes: Andrés Fernández, Maicon, Quaresma (83' Tello), Quintero (70' Herrera), Adrián López, Rúben Neves (56' Brahimi), Aboubakar.
Treinador: Julen Lopetegui.

Rio Ave: Cássio, Lionn, Marcelo, Prince, Tiago Pinto, Wakaso, Pedro Moreira, Diego, Ukra, Esmael, Marvin Zeegelaar.
Suplentes: Ederson, Luís Gustavo (78' Pedro Moreira), Hassan (62' Marvin Zeegelaar), Boateng, André Vilas Boas, Roderick, Del Valle (69' Esmael).
Treinador: Pedro Martins.

Ao intervalo: 0-0.
Marcadores: Tello (47'), Jackson Martínez (78'), Alex Sandro (89'), Óliver Torres (90+1'), Danilo (90+3').
Disciplina: amarelo a Esmael (28'), Lionn (29'), Casemiro (38'), Wakaso (44'), Martins Indi (67'), Luís Gustavo (86'.

Por: Walter Casagrande
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