terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Clubes e treinadores pequenos “Os pobres coitados”

Para quem como eu tem o costume diário de folhear os jornais desportivos, ou fazendo uma passagem geral pelos principais sites da especialidade desportiva, fica desde logo com a perfeita noção que o poder ou o cerne desta questão, raramente passa pelos clubes menos poderosos ou tidos como tais, estando toda esta forma de estar na vida ligada à hipocrisia das sociedades modernas, que só se preocupa com os altos interesses dos principais lóbis que gravitam na sociedade, e chutando para o lado de uma forma desprezível tudo o que não se encaixa neste enquadramento de raciocínio.

É por isso que raramente assistimos nos principais órgãos de comunicação social desportiva, à exaltação ou à ocupação de um determinado espaço de tempo dos clubes julgados de menor importância, mesmo que alguns deles em termos de condições de trabalho e de instalações desportivas não estejam assim tão longe dos denominados, “Eleitos”, refiro-me naturalmente ao FCP, SLB e SCP, clubes que em Portugal pelo seu passado e estatuto atual dominam tudo e todos nesta área desportiva, que muitas vezes se assemelha a uma autentica guerra de conflitos numa espécie de selva desportiva, não dando qualquer hipótese a quem ousar intrometer-se na liderança da Liga ou nos seus interesses pessoais.

Assim em jeito de memória lembro-me que esporadicamente, aparece um ou outro clube que se atreve a juntar a este triunvirato há muito eleito pelo sistema instalado, como foram em tempos idos o Belenenses e Boavista que conquistaram um campeonato para logo serem desterrados ou despromovidos destas lides, dos casos mais recentes do Guimarães e o Braga que tentaram uma aproximação ao grandes, da mesma maneira como neste momento se apresentam o Belenenses e o P. Ferreira e o V. Guimarães, mas certamente que não será por muito tempo, pois o próprio sistema montado pelo tal triunvirato se encarregará de não permitir tal desiderato, utilizando todos os meios ao seu alcance para travar qualquer tentativa para uma aproximação, foi assim na época em que o Braga lutou até ao fim pela conquista do campeonato sem sucesso, aparecendo na altura pesados castigos a jogadores nucleares da equipa que travaram o clube minhoto de melhores voos desportivos e financeiros.

De igual forma, no que concerne ao panorama dos treinadores de menor nomeada que militam em equipas de segundo plano, também raramente se lhes dá o verdadeiro valor que merecem pelo trabalho realizado, sendo muitas vezes preteridos em detrimento de outros menos capazes mas já com algum cartel passageiro e fugaz num ou noutro clube de maior dimensão, e que por vezes se vem a provar que seriam boas apostas se lhes tivessem dado as mesmas condições de trabalho, como acontece com alguns que têm de fazer carreira fora do país.

Na prática, os ditos de bons treinadores tendem sempre a treinar os melhores clubes, aqueles que lhes podem oferecer os melhores jogadores e condições remuneratórias excepcionais, não sendo estas condições muitas vezes sinónimo de só boa qualidade por parte destes, já que as condições de trabalho também são diferentes para melhor, veja-se por exemplo o caso de Mourinho, que teve a sorte de ter uma oportunidade no FCP, para depois de uma forma inteligente saber gerir a sua carreira, com passagem pelo Chelsea quando o clube estava na mó de baixo, mas existiam condições financeiras para formar uma boa equipa, ou de igual modo e nas mesmas condições do caso anterior, quando passou pelo Inter de Milão, sem nunca aceitar um projeto desportivo onde não via que estivessem reunidas todas estas valências.

É por esta razão que sempre me interroguei sobre o conceito de “bom treinador”, já que raramente se podem fazer comparações iguais entre treinadores com as mesmas condições de trabalho e nos mesmos clubes, pois, se por exemplo, Paulo Fonseca o ano passado tivesse ao seu dispor o mesmo plantel deste atual FCP, nunca iremos saber ao certo se os resultados desportivos e financeiros por ele obtidos seriam melhores ou piores do que conseguiu na passagem fugaz pelo clube azul e branco.

Voltando de novo ao poder do citado triunvirato, ao contrário de outras ligas europeias em que raramente se repete o mesmo campeão e se divide o bolo por um rol de vários clubes, o que em Portugal seria impensável e realizável pois certamente que cairia o Carmo e a Trindade, enquanto não se alterarem certas regras regulamentares e de jogo de bastidores, no sentido de dar uma visão mais consentânea com a verdade desportiva, onde os três denominados de “grandes” são sempre os mais favorecidos, como aconteceu na última jornada do campeonato, seria importante e justo introduzir-se num curto espaço de tempo algumas alterações de regras processuais e estrutorais a saber:

• Os relatórios dos árbitros e dos observadores dos mesmos poderem ser lidos e analisados publicamente, ou por quem assim o entender;

• Análise e revisão de todos os jogos após conclusão dos mesmos através das imagens televisivas;

• Alteração ou retificação de castigos disciplinares nos casos de erros de arbitragem por mau julgamento, no sentido de dar um cunho de maior justiça ao jogo;

• Aplicação de castigos disciplinares após os jogos, quando o árbitro por razões perfeitamente evidentes e inexplicáveis, não forem objeto de punição durante o jogo;

• Possibilidade de exclusão temporária de 5 minutos dos jogadores após amostragem do 2º cartão (cartão azul);

• Exclusão temporária do jogador que pratique uma falta violenta, no mesmo espaço de tempo que o jogador adversário estiver a ser assistido pela equipa médica.

• Diligenciar no sentido de futuramente, ser possível recorrer às imagens televisivas para no próprio jogo se poder fazer a verdadeira justiça desportiva, dos lances em que o jogo fica parado por decisão do árbitro, ou por a bola se encontrar fora das quatro linhas do relvado.


Por: Natachas
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