domingo, 21 de dezembro de 2014

RESSACA



Era um jogo dos mais dificeis de jogar.

A adrenalina,o entusiasmo e a motivação de Domingo passado transformaram-se em ressaca para o jogo seguinte.


Noite fria, pouca mobilização da nação portista, adversário fraco e 6 longos pontos.

O combustível de Domingo ajudava a equipa a voar mas contra o Setúbal adrenalina, entusiasmo e motivação eram zero.

Apenas o profissionalismo e a obrigação de vencer tentavam compensar a ressaca.
Perante este contexto a equipa entra bem no jogo. 
Como de costume é o samba brasileiro que faz a equipa voar.

Oliver e Campaña dão qualidade de passe e cultura posicional, Quaresma dá passe, Tello velocidade mas quem faz o Airbus levantar da pista são os laterais do Porto.
O domínio territorial só se traduz em superioridade no marcador quando Danilo mete a 6ª velocidade e obriga Herrera a sair da 4ª velocidade que era o padrão do jogo até então.
O passe sai, Danilo trai o pacto de "vamos jogar todos sem esgalhar porque pode aleijar" e Manu não gosta.
Manu não gosta da traição e o arbitro vê o toque.
Chega a hora de ver algo pouco comum nos últimos meses. Algum jogador do plantel principal do FCP marca bem um penálti. Golo.
O frágil Setubal ainda se está a tentar recompor do penálti de Quaresma, da traição de Danilo e da cumplicidade de Herrera e Tello solto na direita é obrigado a assistir a classe de Jackson.
2-0, jogo fechado e prova superada,
Demasiado cedo mas compreensivelmente para quem percebe o contexto do jogo com que comecei a crónica.

Era um dia frio. De ressaca. A obrigatoriedade de ganhar num dia em que o desânimo de Domingo ainda dói e a valia do adversário não permitia que se ousasse pensar que aquela era noite para falar de facturas por pagar.
Isto, porque o Mundo Porto sabe que há facturas por pagar mas não se esquece qual é o cliente que está em divida.

É esse que tem que pagar. Para chegar a esse dia é preciso que a equipa cumpra obrigações nestes dias mais sombrios e menos competitivos.
Dado o cariz da partida a 2ª parte é um longo e comprido bocejo. O Porto joga mal e o Setúbal é fraco demais para capitalizar essa deficiência.
Lopetegui tenta dar bola à equipa com Evandro para mudar o rumo dos acontecimentos. De seguida vai com a magia de Quintero.

A ressaca era demasiado pesada para ser movida por 1 ou 2 Homens.
Só ao minuto 87 quando Brahimi entra é que o jogo tem 2 flashes. Não se pense que foi pela substituição. Na realidade os flashes são uma consequência do acaso e do cansaço do adversário.
O 4-0 acaba por roubar o bocejo e dar um sorriso ao fiel público que mesmo em dias de ressaca não falha.
O Porto cumpriu num dia de ressaca e isso é a única coisa que interessa.
Um Porto de gala e uma magnifica exibição não nos tiraria da boca o sabor que temos.
Há facturas por pagar. Quando nos voltarmos a encontrar com o cliente certo temos que a liquidar.
Até lá.........é pedalar!!!
Análises Individuais:
Fabiano - Comentar a sua exibição é a mesma coisa que discorrer sobre a qualidade de um guarda-chuva no mês de Agosto.
Danilo - É um capitão sem braçadeira. O momento em que de repente passa pela cabeça de Danilo em iniciar um sprint maluco pela ala direita é o que define o cumprimento da obrigação em dia de ressaca.
Marca um golo num pénalti mal marcado.
Maicon - Voltamos ao mês de Agosto e ao guarda-chuva. O Setúbal foi demasiado fraco para concluir seja o que for de positivo ou negativo. Quando o defesa não falha perante um adversário que não consegue atacar......
Martins Indi - A regularidade habitual na fria noite de "Agosto". O amarelo era dispensável mas percebo que Martins Indi só saiba jogador de uma maneira.
Alex Sandro - Pelo 2.º jogo consecutivo são os laterais do Porto os que atacam melhor do que a ala. Tello, Brahimi e Quaresma causaram sempre menos problemas aos laterais adversários que Danilo e Alex.
O Porto tem 2 minas de ouro nas alas. 2 minas cuja exploração só está contratualizada até 2016. Risco desnecessário.
Campaña - Deixou uma boa impressão. É adulto no posicionamento e tem qualidade de passe curto, médio e longo. Pareceu saber ler o jogo.
Faltou que o adversário colocasse ao Porto problemas diferentes para que a intensidade e a capacidade na disputa de bola homem vs homem.
Oliver - É um motorzinho. Este menino tem que ser tratado à LA SALVIO.
Beber a sua qualidade com tranquilidade e paciência. Neste ano vamos usar e abusar dos seus recursos.
Para o ano esperar o momento certo na sua relação com o Atlético de Madrid para o resgatar de forma definitiva.
Se a Liga dos Campeões nos correr bem isso será complicado mas, nesse caso, essa má noticia será um optimo sinal.
Herrera - Está no momento do jogo quando o sprint de Danilo lhe abre uma avenida. O mexicano sente-se nas suas ste quintas quando ele e os companheiros colocam o jogo numa passe de corrida, pernas e velocidade.
Quando o chip muda para toque, bola e precisão ficamos com o homem errado na altura errada.
Cabe a Lopetegui gerir estes perfis de jogo com o que Herrera pode dar.
Tello - Cada jogo que passa confirma porque é que jogou no Barcelona. A velocidade que tem é mortal para qualquer adversário.
Cada jogo que passa confirma porque é que já não joga no Barcelona. As dificuldades que tem em definir os lances que a sua velocidade lhe garante levam a equipa ao desespero.
Quaresma - Uma boa 1ª parte na capacidade de fazer um jogo associativo, de passe. Foi mais um 4.º médio do que um extremo nessa altura do jogo.
Sempre que quis reviver aqueles 20 minutos do Domingo e ser o extremo que inferniza a vida ao lateral mostrou que contra o Benfica o que vimos foi mais excepção do que regra.
Jackson - A classe do ponta de lança que só empurra porque sabe sempre como se antecipar ao defesa.
Chegar primeiro a um lance de golo fácil é uma ciência ao alcance de poucos.
Jackson é um eleito.

Evandro - Entrou bem, com vontade de correr e jeito para passar. Como faltavam pares para essa música não teve força para mudar o perfil sonolento da partida.
Quintero - O jogo contra o Setúbal seria à partida dos poucos em que se poderia pensar em Quintero a 10 sem que o risco de desequilibrio defensivo pudesse pôr em causa essa ideia.
A sua entrada para onde gosta de jogar acabou por provar que com o colombiano em campo teria sido possível bocejar menos e sorrir mais.
Brahimi - Mereceu o castigo de entrar aos 87 minutos. O golo que marcou e o penalti que sofreu são um prémio para quem aceitou com palmas o castigo.


Ficha de Jogo:

FC Porto 4-0 Setúbal
Primeira Liga, 14ª jornada
Sexta-feira, 19 Dezembro 2014 - 20:30
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 20.207


Árbitro: Manuel Oliveira (Porto).
Assistentes: Alexandre Freitas e Tiago Costa.
Quarto Árbitro: Vasco Santos.

FC Porto: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Campaña, Herrera, Óliver Torres, Tello, Jackson Martínez, Quaresma.
Suplentes: Andrés Fernández, Brahimi (87' Quaresma), Quintero (74' Campaña), Reyes, Evandro (62' Tello), Adrián López, Aboubakar.
Treinador: Julen Lopetegui.

V. Setúbal: Ricardo Batista, Pedro Queirós, Frederico Venâncio, François, Hélder Cabral, Advincula, Ericson, Dani, Manú, Paulo Tavares, Diego Maurício.
Suplentes: Lukas Raeder, João Schmidt (83' Paulo Tavares), Marcos Vinicius, Lupeta (66' Diego Maurício), Ney Santos, Zequinha (46' Manú), André Horta.
Treinador: Domingos.

Ao intervalo: 2-0.
Marcadores: Quaresma (22'pen), Jackson Martínez (26'), Brahimi (88'), Danilo (90+3'pen).
Disciplina: Manú (21'), Campaña (74'), Ricardo Batista (90+1').

Por: Walter Casagrande


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