terça-feira, 16 de dezembro de 2014

13ª Jorn: FC Porto 0 - 2 benfica - Muy, muy, muy tontos


A conferência de imprensa de Lopetegui no pós-derrota deu a entender que ele já percebeu o que implica treinar o Porto.

Depois da derrota com o Sporting ficou a ideia que estava a leste.


Depois de algumas brincadeiras adrianescas fiquei com a sensação que o projecto era o farol e que o jogo um pormenor.

Ontem senti-lhe no rosto e no peso das palavras a dor portista de uma derrota destas.

Espero que tenha aprendido com mais esta lição. Já começa a ser tempo.

Haverá, porventura, que escalpelizar o jogo de ontem e perceber porque perdemos mas a sensação com que ontem saímos do Dragão é a de que, apesar de raro, é possível perder jogos daqueles.

Lopetegui prepara o jogo melhor do que Jorge Jesus. Com aquele esquema táctico podemos ganhar 5,6 ou 7 jogos em 10.

Jorge Jesus vai pelo kamikaze. Joga como se não tivesse um defesa central trintão, óptimo no posicionamento mas curto na velocidade.

Joga como se não tivesse pela frente o jogador mais rápido da 1ª Liga e dá-lhe 40 metros nas costas.

À excepção de Maxi que ainda vai correndo, toda a defesa do Benfica era lenta em termos absolutos e mais lenta em termos relativos.

Lopetegui vai pela memória. O trio de meio-campo mais rodado. O trio de avançados com mais desequilíbrio estrutural. A defesa que dá mais segurança.

Os primeiros 15 minutos demonstram que um Benfica assim não pode disputar jogos com grau de exigência elevado. Como vimos na Champions.

Logo ao minuto 1 e na penúltima vez que Tello é servido fica claro para Lopetegui, para Jorge Jesus e para o mundo a diferença entre uma bicicleta e uma mota de 500 c.c.

Entre o minuto 1 e minuto 15 as cavalgadas sucedem-se. Oliver, Brahimi invadem a área do Benfica com velocidade. Bastava uma desmarcação, uma bola nas costas.

Ficou claro para o mundo todo qual era o mapa da mina.

Ficou claro para o mundo todo que o Porto tinha uma vantagem competitiva crucial num jogo em que o adversário apostava em defender alto. Éramos mais rápidos.

Parecia evidente qual iria ser o desfecho do jogo.

O adversário sugestionou-nos e nós aproveitávamos.

Se o jogo replicasse o engate o minuto 15 fazia antever o óbvio.

Como se acabássemos de estacionar o carro à porta de casa do alvo do engate à meia-noite e nos perguntassem:
Queres subir para beber qualquer coisa?

Era assim que estávamos no minuto 15. O adversário disponível, o caminho fácil e o sucesso à vista.

Bastava explorar as costas do Luisão, as pernas do Tello, a mudança de velocidade do Herrera.

Perante a evidência da superioridade e a eminência do sucesso o Porto respondeu:
E se ficasse para outro dia? Combinávamos um jantar ou um cinema e depois víamos!”

E a partir do minuto 15, o Porto engonhou.

Não subiu.




Vejam as 320 piruetas totalmente inconsequentes do Brahimi como o “depois víamos”.

O Porto não consegue fazer uma jogada veloz que apanhe o adversário desprevenido se o argelino entra no negócio.

Ele para, aconchega-se com o bafo do Maxi, vira para um lado, vira para o outro e engana-o.

De seguida volta a parar como se tivesse com uma capa nas mãos e um touro pela frente. Sofre uma falta, cai e o público protesta.

Entretanto Salvio já teve 10 segundos para vir à ajuda, Luisão já deu 3 passos atrás, 5 passos ao lado e teve tempo para apertar os cordões das chuteiras e Enzo e Samaris já trocaram 5 frases com Jorge Jesus para saber onde se posicionar.

Quando não era Alex Sandro que carregava o testemunho pela esquerda foi isto que tivemos desde o minuto 15.

Só atacamos pela esquerda e quem lá morava era um verdadeiro empata. Nem fazia nem saía de cima.

Quando a bola não estava nos pés do argelino - que não sabe o que é um Porto-Benfica nem o que deve ser um jogador à Porto - circulava pelo eixo central do Porto perante uma pressão encarnada que apenas queria condicionar.

Muita gente subida mas praticamente zero tentativas de roubo efectivo. Havia tempo para jogar longo para a direita ou até para o meio. Arrebentar de vez com um Benfica kamikaze e sem pernas para acompanhar as transições que o Porto quisesse fazer.

Não se tentou. O Porto jogou do minuto 15 em diante como se não tivesse existido o período até ao minuto 15.
Pegamos no carro e fizemos o percurso normal de todas as noites como se não tivéssemos acabado de recusar um convite para subir.

Não sei se isto é ser MUY MUY MUY SUPERIOR ou MUY MUY MUY TONTO.

Mesmo com toda esta delicadeza o Porto foi sempre melhor. Mesmo tentando jogar o jogo que o Benfica kamikaze gostava que jogássemos fomos mais fortes.

Ganhamos 75% dos duelos individuais, fomos agressivos na disputa de bola e mesmo deixando de chegar com a facilidade dos primeiros 15 minutos ficou sempre a sensação que só o Porto podia marcar.

Foi sempre assim até que o Benfica vê a sua chance num lançamento da linha lateral.

Sobe tudo! Quando o Benfica tem um lançamento de linha lateral agarra-se a esse momento para tentar fazer alguma coisa de um jogo que não lhes estava a dar a possibilidade de fazer nada.

A diferença de atitude perante a competição é gritante.

De um lado uma equipa que leva a outra ao tapete em 15 minutos e depois a deixa levantar, poupa André Almeida (se estivesse o Mats Magnussen a defesa esquerdo tinha feito uma grande exibição), ajuda Luisão a jogar de andarilho e poupa as costas de Julio César.

É para engatar mas com classe e como manda o figurino. No modelo treinado desde Julho.

Se subir na 1ª noite a vitória é filosoficamente menos valiosa.

Do outro, uma equipa que investe com tudo o que tem num lançamento de linha lateral porque têm a noção de como é difícil conquistá-lo.

Aqui não há estéticas de conquistas. Qual 1ª noite, qual quê.

Se o adversário estiver a dormir na forma e não se aperceber melhor ainda. Dá mais gozo tirar vantagem de passarinhos.

Ao minuto 38 o futebol foi justo. JUSTO. MUY MUY MUY JUSTO!

Justo, porque premiou quem está mais preocupado com o resultado do que com a forma.

Quem encontra a forma e não se aproveita dela é porque secundariza o resultado.

Quem não vê forma de e faz de cada migalha uma bênção que não se pode desperdiçar merece o sucesso.

A equipa com mais futebol até ao minuto 38 estava a perder. Perdia justamente.

A equipa com jogadores mais capazes e mais agressivos até ao minuto 38 estava a perder. Justamente.

A equipa que tinha sido melhor preparada tacticamente perdia. Justamente.

É verdade que o futebol é um dos poucos desportos em que quem é muito superior pode perder.

É também verdade que o futebol é o único desporto em que uma equipa que se mostre muito inferior pode ganhar com justiça.

Para isso basta que a equipa adversária seja MUY MUY MUY TONTA.

A 2ª parte tem menos história. O Benfica baixa o bloco e aproveitando-se da obrigatoriedade do Porto ter que arriscar consegue chegar 2 vezes à baliza de Fabiano. Numa delas Talisca tem o espaço para rematar e a intervenção infeliz de Fabiano dá o 2-0.

Lopetegui mexe. Herrera sai bem mas deixa ficar o Homem das 300 piruetas em campo. Se no relógio faltavam 35 minutos mantendo este Brahimi em campo acabávamos de nos roubar mais uns 6 ou 7 em que os 50.000 do Dragão se entreteriam a contar quantas vezes Brahimi rodaria a anca até que Maxi lhe desse um suave toque no tornozelo.

Em alternativa, esperar-se-ia que Quintero devolvesse a vida a Tello e fizesse despertar André Almeida de um sono lindo com o título:  “Com adversários destes qualquer um é defesa esquerdo.”

Apareceu Quaresma que agitou o jogo de tal forma que ficou sempre a sensação que bastaria um golo. O Porto deixou de gastar tanto tempo nas trocas de bola Indi, Marcano, Fabiano, Indi, Marcano, Indi, Marcano…… e deu menos palco à dupla Brahimi roda/ Maxi toca e foi o suficiente.
Suficiente para encostar novamente o Benfica às cordas e criar oportunidades de golo flagrantes que Jackson veio a desperdiçar.

Jogadores mais capazes, treinador menos kamikaze, melhor qualidade de jogo, maior agressividade na disputa pela bola.

Tivemos tudo o que é preciso para ganhar um jogo de futebol e perdemos.

A importância da filosofia perante a competição é tramada.

Nós rejeitamos convites para subir. Eles violam-nos quando estamos a dormir.

MUY MUY MUY TONTOS!




Análises Individuais:

Fabiano - Fez a pior exibição desde que ganhou a titularidade. A pior exibição no pior jogo para a fazer. 
No primeiro golo é um protagonista do espirito “deixa-me ver no que isto vai dar” que deu no golo do Lima.
No 2.º golo faz-se mal à bola e permite um ressalto num rematezinho do Talisca.
Com um Fabiano a um nível normal o 0-2 poderia ter sido um 2-0. Este pensamento é grave.
Grave, para ele.

Danilo – Outro réu no lance capital do jogo. A forma de defesa das bolas paradas que Lopetegui pratica transforma os jogadores mais em espectadores do que actores.
Quem controla o espaço ataca o espaço sempre que a bola ou o adversário o invade. É actor.
Quem controla o homem tem olho e meio no opositor e apenas meio na bola. O espirito do “eu controlo o meu e tu controla o teu” ajuda a que a bola tenha caminhado das mãos de Maxi até Lima sem que nenhum jogador do Porto se tenha metido no meio.
Todos controlaram bem o seu. A bola é que não era de ninguém.
Danilo não controla o seu e é responsável. No resto da partida foi o Danilo habitual. O único que serviu Tello, capaz de controlar Gaitan e actor principal nos laivos de revolta face ao marasmo das 300 triangulações Fabiano, Indi, Marcano e das 850 gingas de corpo de Brahimi.
Na meia hora final formou uma ala direita com Quaresma que tirou dos lençois André Almeida.

Alex Sandro – Bom jogo. Os laterais do Porto tinham como responsabilidade marcar os melhores jogadores do Benfica e conseguiram, em cima disso, carrilar o jogo pela ala.
Se tirarmos o minuto 1 da jogada Danilo e Alex fizeram mais pelo ataque do Porto do que Tello e Brahimi. Revelador.

Martins Indi – O melhor central do Porto foi feito para estes jogos e não nos enganou. Patrão, inteligente e capaz de ler o jogo. Fez com Marcano uma dupla segura que quando Casemiro não conseguia tratava de matar 90% das tentativas de ataque do Benfica.
Este trabalho acaba por ser traído no 2.º golo quando coloca Lima em jogo. No 1.º Bruno Martins Indi estava com o seu. Pena que lhe demos uma responsabilidade tão pequena (estar apenas com o seu) em lances tão decisivos.
Tem limitações a jogar com o pé direito mas como sabe reconhece-las não tenta fazer aquilo que não sabe.

Marcano – Limpou todas as bolas aéreas que pingavam no 1.º terço do terreno. Fez cortes in extremis que salvaram o Porto de momentos complicados. Meteu o pé e ganhou quase sempre. Se Fabiano não teve trabalho isso deve-se em grande parte à dupla de centrais que o protegeu sempre e que não merecia aquela traição.

Casemiro - Jackson tentou mas…..Brahimi só atrapalhou, Tello não esteve e Herrera foi errático. Os 4 da frente estiveram abaixo do que valiam mas o Porto fez um jogo melhor do que o Benfica. Foi mais perigoso e protegeu Fabiano.
Como se compatibilizam estas 2 realidades? Mandar, atacar mais e defender bem com os 4 jogadores mais ofensivos fora do jogo?
Explica-se muito por Casemiro. Quando depois dos 15 minutos o jogo fica a ser disputado apenas na zona do grande círculo e passa a ser mais de luta do que outra coisa.
Oliver esteve muito bem mas é um peso pluma. Casemiro foi o chefe. O jogador que mostrou os pitons, que atacou cada bola como se dela dependesse o resultado e o líder que o meio-campo do Porto precisava para dominar um jogo sem que os atacantes mostrassem serviço.
Durante todo o jogo quem carregou o peso do jogo em força bruta foi o trio de brasileiros. Oliver ajudava a equipa a respirar mas foi Casemiro que carregou a botija de oxigénio.
No lance do 2.º golo não está onde deveria porque foi fazer a obrigatória dobra ao lado esquerdo quando Salvio caminhava pela direita e Alex e Tello ficaram para trás.
Grande jogo! Se os 4 da frente tivessem jogado metade de Casemiro outro galo cantaria.

Oliver - Até à chegada de Quaresma foi a única luz da equipa. Ele queria subir depois de estacionar mas a equipa não o deixou.
Foi claramente prejudicado por jogar demasiado perto de Brahimi. Se tem completado o trio com Danilo e Tello desconfio que o Benfica ficava a jogar com 10 antes do intervalo.
Muito bom na pressão fez uma dupla com Casemiro que se mostrou mais capaz do que Samaris e Enzo na guerra pela bola e na capacidade de sair a jogar.
Pena que cada invenção, cada passe, cada ameaça de desmarcação tivessem sido terraplanadas pelo génio da lâmpada de Brahimi que quando tinha a bola dava 3 desejos a Maxi e companhia. Cada desejo parava o jogo 3 segundos.
Cada ataque do Porto deu 9 segundos ao Benfica para viver.
Oliver é fundamental no Porto seja qual for o estilo de jogo. Tem futebol, tem intensidade e tem inteligência. É preciso é dar-lhe par para dançar.

Herrera – Se o Porto jogar como nos primeiros 15 minutos Herrera encaixa que nem uma luva.
Se o Porto se entrega ou quer entregar em labirintos de passes curtos e tabelas perfumadas esqueçam o Mexicano. Nesse capítulo Herrera só se pode destacar na luta pela posse porque quando em posse a falta de tempo, espaço e metros para correr culminará no erro.
Depois dos 15 minutos Herrera construiu quase zero e defendeu pior que Talisca.
A cereja em cima do bolo da má exibição é a forma passiva como dobra Casemiro no lance do 2.º golo.

Brahimi – Uma vergonha.
Os 50000 do Dragão compraram bilhete para ver o Porto-Benfica.
Os 50000 do Dragão não compraram bilhete para ver o trapezista do Circo Chen.
A mais absoluta falta de noção do que é um Porto-Benfica e da importância que isso tem para nós.

Tello – Teria tudo para levar André Almeida e/ou Maxi à loucura. O jogo do Porto começaria a ser ganho por aqui.
Não foi porque nunca mais lhe deram bola. Só uma vez é que Danilo faz um mau passe ao qual Tello responde com uma má arrancada. Um mau passe e um mau arranque e quem ganhou a bola em velocidade foi….Tello.
Não lhe deram jogo e deram-lhe livres para marcar. Incrível. Foi dia de Circo Chen.
A responsabilidade de Tello era a de não se conformar com a ditadura circense em que se transformou o ataque do Porto. Tem que se dar ao jogo. Procurar o que não lhe dão.
Assim, Tello foi uma inexistência presente.

Jackson  – O menos responsável do trio da frente pela fraca exibição. O jogo estava a ser ganho lá atrás com o Chefe Casemiro e o fiel Oliver. Sucede. que tirando o lance em  que Julio Cesar segura o remate frontal nunca mais foi servido até à entrada de Quaresma.
Quando tal sucedeu Jackson mostrou o perigo que podia ter sido. Não faz um bom jogo mas ele é jogador de futebol e não um artista de circo.

Quaresma – Faz o que Tello não faz. Procurar o jogo e não se conformar se o jogo não o procura.
Faz o que Brahimi costuma fazer. Agarrar-se à bola. A vantagem é que Quaresma entrou com a noção que o seu objectivo era contribuir para a bola entrar na baliza e não o de apenas esconder a bola de André Almeida até ser derrubado em falta.
O melhor jogador do ataque do Porto e aquele que deu gasolina à equipa para acreditar que era sempre possível virar aquele resultado.

Quintero – A melhoria pela entrada de Quintero foi ténue. Chefe Casemiro e Oliver continuaram a aguentar as pontas mas o colombiano não foi capaz de mexer com o jogo ao nível de Quaresma. Procura demasiadas vezes a sociedade com Jackson.
Já toda a gente se apercebeu disso.

Aboubakar – Entrou no desespero. Ajudou a desestabilizar a defesa encarnada e a libertar Jackson no assalto final.
Ficou a ideia que entrou demasiado tarde.


Ficha de Jogo:

FC Porto 0-2 benfica
Primeira Liga, 13ª jornada
Domingo, 14 Dezembro 2014 - 20:00
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 48.109


Árbitro: Jorge Sousa (Porto).
Assistentes: Álvaro Mesquita e Nuno Manso.
4º Árbitro: Cosme Machado.


FC Porto: Fabiano, Danilo, Martins Indi, Marcano, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Óliver Torres, Tello, Jackson Martínez, Brahimi.
Suplentes: Andrés Fernández, Maicon, Quaresma (58' Tello), Quintero (58' Herrera), Reyes, Evandro, Aboubakar
(77' Alex Sandro).
Treinador: Julen Lopetegui.

Visitantes: Júlio César, Maxi Pereira, Luisão, Jardel, André Almeida, Salvio, Samaris, Enzo Pérez, Gaitán, Talisca, Lima.
Suplentes: Artur, Derley, Ola John (80' Talisca), Jonas, Pizzi (90+4' Salvio), Benito, César (76' Luisão).
Treinador: Jorge Jesus.

Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Lima (36' e 55').
Disciplina: André Almeida (2'), Danilo (12'), Enzo Pérez (38'), Gaitán (47'), Casemiro (54'), Samaris (87').


Por: Walter Casagrande


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