sábado, 9 de junho de 2012

Jornal «OJOGO» - Edição Porto – Segunda-Feira, 31 de Maio de 1999

Capa: 200 Mil aplaudiram o Penta - GRATIDÃO

PINTO DA COSTA/PEDROTO/FERNANDO SANTOS








É Azul a cor que vai marcar a passagem do milénio em Portugal, em termos desportivos. Ontem (30/05/99), no seu estádio, e no centro da cidade, centenas de milhar de adeptos festejaram a alegria da merecida conquista do Pentacampeonato nacional de futebol e ainda dos títulos nacionais de Andebol, de Hóquei em Patins, de Basquetebol e de Natação, numa época ímpar na centenária história do FC Porto.









A última época futebolística do século XX culmina uma avassaladora cavalgada pelo domínio do futebol português, que, como é frequentemente ressaltado, está indelevelmente ligado à figura de Pinto da Costa, que justifica muito bem o carinhoso e reconhecido epíteto de “Penta da Costa” que os Portistas não se cansam de repetir nos últimos dias.

E, como este lembra amiúde, teve início na dupla que já na segunda metade dos anos 70 tomou conta do Departamento de Futebol do clube: Pinto da Costa/José Maria Pedroto. Foram eles, chefe do departamento de futebol e treinador principal, que romperam com a tacanhez e a desorganização que durante décadas impediram o FC Porto de combater eficazmente o “sistema” de então e de se afirmar duradouramente no futebol português. Desde aí, a conquista de títulos e troféus veio em crescendo e a conquista do título de Campeão da Europeu (1987) e o actual Penta são apenas o ponto alto de uma história de sucessos que passaram sempre pela direcção de Pinto da Costa.






Não admira, pois, que o presidente do FC Porto tenha evocado o nome de Pedroto no jantar oficial de comemoração do Penta, na sexta-feira passada (28/05/99). O que pode surpreender muitos é que ao seu nome tenha associado o de Fernando Santos, de uma maneira que fez lembrar o completar de um ciclo. Parece, até, que Pinto da Costa reencontrou no actual técnico do FC Porto algumas das características que podem reeditar uma dupla de ferro” à frente do futebol profissional do clube – mais do que em outros que passaram pelo clube e que também contribuíram para esta hora de glória, como Ivic, Artur Jorge, Carlos Alberto Silva, Robson e António Oliveira.




Aliás, só podem ir neste sentido as declarações mútuas de confiança e de amizade e o facto de ambos terem declarado estarem juntos até ao fim do actual mandato do presidente do clube Azul e Branco.
E, assim sendo, poderá também estar encontrada a fonte da energia necessária para os renovados desafios que se põem ao clube. Se é óbvio que a Europa é um campo de batalha a priveligiar na próxima temporada (1999/200), pode tornar-se mais complicada a motivação de atletas, das forças internas do clube e dos próprios adeptos para a luta por mais um título consecutivo, quando todos têm a consciência de que está alcançado um feito que muito dificilmente será repetível por muitos e muitos anos.

Para encontrar um motivo realmente galvanizador, o relembrar de Pedroto e de todo o imaginário colectivo que está associado à sua memória e a sua transferência para a nova dupla Pinto da Costa/Fernando Santos pode bem ser o grande trunfo que, mesmo de uma maneira não totalmente consciente, está em marcha no FC Porto.
Fonte: Jornal "O Jogo"


Por: Nirutam
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