segunda-feira, 3 de abril de 2017

Portucale?




Portucale?*

A mesquita 
Estava toda engalanada, 
E os ayatollah na bancada 
A aplaudir o mufti de Xistra!

Que logo aos 5 minutos 
Lá lançou a sua "fatwa",
Contra aquela gentre fraca 
Que não lhes paga tributos...

Bastou que caísse o almoxarife
Naquela área de rigor, 
Porque vinha d'andor 
E chocou contr'o recife!

E nisto nasceu a jihad
Como se na madrassa:
"Que ninguém aqui passa,
Cristão, judeu ou mocárabe!"...

E se for o Espírito Santo
Ainda leva c'o empurrão, 
Porque no Islão 
Finge-se o assarapanto!

(Qu'o diga o Gomes Duarte,
Esse grande mulá,
Que nunca uma arbitragem má 
Fez contr'a tal estandarte!)

E os ayatollah 
Como grandes ulemás,
Também gritaram "Allahs!"
Com'os do hezbollah!!

A taifa islamita 
Ali na tribuna "d'honra",
Já clamava "Morra
A nação invicta!"

Os Costas, os Centeno,
Junto do grande emir
Que não precisa de fugir 
Quando tem refém o governo!!

Ele que feito sultão 
Deve mais de 600 milhões,
Que pr'a ele são tostões 
De gestão!

E o caloteiro 
Do nosso grande emir, 
Ainda se faz emergir 
Junto ao primeiro!

E ao segundo
Do reino do "Islão",
Qu'é uma nação 
Do fim do mundo!

A mesquita 'abarrotar
De tais crentes, 
Uma imensidão de gentes 
A ulular!

Uhlulululululululuh!!
Ululavam os mouros,
E nist'os maus agoutros 
Num penálti cru...

Uma visão celestial 
Do mufti de Xistra, 
Que tem uma vista 
Paranormal!

Só vê amarelo 
No azul-e-branco,
E no vermelho um manto 
De camelo!

É das arábias 
Este nosso mufti
Que nunca assim o vi 
A atirar às águias!?

Pois qu'o emirato 
Da taifa de Carnide,
Já comprara o Tide
Pr'a lavar o campeonato!

Mas os irredutíves 
Dos reinos cristãos
Não se fazem irmãos 
Em fés convertíveis...

Pois qu'a nossa fé 
Não se rende à taifa,
E nem à lei da naifa 
Arreda pé!

Podem vir os berberes 
Atacar de bastão,
E ao bom cristão 
Pontapeá-lo por alferes...

Que ninguém se demove 
Da Reconquista,
E até ond'a terra avista 
Ainda há gente nobre!

Virão os infanções,
Os monges-guerreiros,
O rei e os seus armeiros, 
E os cavaleiros-vilões!

Poucos, mas disciplinados 
Na sua luta titânica,
Contr'a ordem tirânica 
Dos emirados!

O regime no seu esplendor 
Ali na tribuna,
E apenas uma coluna 
Retida por Almançor...

Não nos vão segurar 
Na vossa investida almorávida
Que Portucale dá a vida 
Pr'a ganhar!

E ainda que nos vedem 
A porta d'entrada, 
Não vos vale de nada 
Porque já nisto cedem...

E nem a consulta 
Ao concelho dos profetas,
Vos dará  as Mecas 
Pr'a vencer a luta!

É questão de tempo 
Pr'a cair a mouraria,
Que mais dia, menos dia,
Já nos ced'o campo...

E ali a mesquita, 
Tão engalanada, 
Vai ser conquistada 
Pr'a outro profeta!

O nosso Costa santo, 
Que não o santo apóstata!
E quem nisto aposta 
Que não falta muito?

Qu'a cristandade 
Vai prevalecer, 
E quem fic'a perder 
Vingand'a verdade!?

Vai ser o reino de Leão
Que nos dará Ourique
E quem nisto acredite, 
A linhagem do dragão!!

Esse símbolo régio 
Na nossa heráldica,
E a razão nostálgica 
Dum Portugal egrégio...

Hoje ainda entregue 
Às taifas mouriscas
Pelas fracas vistas 
De tanto almocreve...

Moços de recados,
Simples recadeiros, 
E alguns mensageiros 
Em campos trocados...

Que nos fazem sentir 
Como se fôssemos apátridas,
Porque eles almorávidas
Crêm no emir!

Esse que na Boa-Hora
Lá deixou sentença, 
E ainda diz ter crença 
Que nunca se deu Zamora...

Joker


* O autor exprime o seu máximo respeito por todas as religiões e credos e, se brinca com alguma terminologia religiosa fá-lo embuído dum espírito de mera adequação à ritmíca poética, para, num enquadramento sócio-histórico devidamente aplainado ao mundo do desporto nacional, procurar explorar as rivalidades subjacentes, evidenciando o seu natural escarro, nojo, e rejeição por este regime bafiento que faz questão de nos conquistar e "governar", e isto apesar de nove séculos de maturação histórica ...

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