domingo, 16 de abril de 2017

Feudalismo

Relação feudal


Feudalismo 

O regime senhorial 
Há muito que s'extinguiu,
Sendo dele que submergiu, 
Um dia, Portugal...

Em terras d'infanções,
De terratenentes, eclesiásticos, 
Foram destes ensinamentos escolásticos
Que se forjaram as nações...

E nessse sistema vingava 
O domínio do "senhor",
Onde por dominador 
Em tudo mandava...

Nem o rei se se lhes opunha 
No domínio de tais nobres,
E nisso obedeciam os pobres 
No trabalho feito à unha!

Todo o território s'achava 
Em tal domínio feudal,
E o sistema senhorial 
Ainda hoje não acaba...

É a mentalidade reinante 
Entre tantos "nobres" locais,
Que muitos são tão feudais 
Que cultuam o feudo distante...

Ainda que vinguem no norte,
Terra de gente orgulhosa, 
Têm por mais proveitosa 
A obediência à corte!

A esse feudo de Lisboa
Onde rein'a impunidade,
Porque nela tudo cabe 
Na decisão de quem doa!

E o feudo centralista,
Terra jugada de termos, 
Abarca nisto tod'os ermos 
Que tem em vista!

É o rei-senhorial
Que pr'a ganhar território,
Dá um foral "meritório"
Num sistema piramidal!

E nisso recebendo 
O beija-mão merecido, 
Já nisso pode ser obedecido 
Em tod'o reguengo!

E o sistema feudalista 
Perdura até à actualidade,
Porque bem nos valh'a verdade
É benfiquista...

Só com vassalos e clientela
Podem lá manter o reino, 
Porque na falta de treino 
Têm a tutela!

Aquela que grita "Viva!"
Ao seu clube-vassalo, 
Porque marcou um golo...
Ali no meio da comitiva!?

E não contente c'o feito
Ainda critica quem luta,
E ainda mais o insulta 
Em tal falta de respeito...

Mas nesse feudo do Minho
Foi maior peça o corregedor, 
Que feito juiz e senhor,
Muito ajudou o vizinho!

E s'isso não bastasse 
Ainda lá estava o tabelião,
Que vindo de Coimbra, aconselhou a expulsão,
Pr'a qu'o francês esmiuçasse!!?

Pois que não o entendendo 
Percebeu na franca língua,
Qu'o "senhorio tinha míngua 
D'outro reguengo!?"

É tal a desfaçatez 
Dos tabeliões de Coimbra, 
Que não é tolerável por língua, 
O francês!!

E ainda que fosse a génese
Do Condado Portucalense, 
De D. Henrique ao clunyciense, 
Por diocese,

Hoje nisto quem a exprime
Como forma de vernáculo, 
Já é vítima d'assalto 
E dum outro qualquer crime!!

O qu'interessa é roubar 
A favor do feudalismo, 
Porque um dia o centralismo 
Pode vingar!

E assim se forj'a história 
Neste feudo de Lisboa, 
Porque tod'a terra se lhes doa 
Pr'a sua glória!!

Joker

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