terça-feira, 18 de abril de 2017

Épico!



Épico!

Trinta e cinco anos
A combater o regime,
E quem assim resiste de firme 
Aos mesmos enganos...

Merece viver,
Sim, eternamente, 
Ao dirigente 
Qu'os fez ceder!

E nisso vergados,
Os centralistas, 
Em fartas conquistas 
Fomos (nós) laureados!

Isso não perdoa 
O homem do regime,
Porqu'o país se define 
Na sua Lisboa...

Qu'o resto é paisagem 
E tudo vale ao paço,
Vergar um homem de aço
Na sua coragem!

Qu'então distraídos 
P'la revolução, 
Perderam a noção 
Dos de sempre priveligiados...

E nisto cresceu
"O clube de bairro", 
E o Porto nesse "erro"
Venceu!

E aí se forjou 
A rainha das cabalas, 
E o clube deu o corpo às balas
No processo qu'o acusou!

Arquivados os autos
Sem culpa formada e sanção, 
Por cá s'indignou a nação
Contra tais "factos"...

Que não se perdoa 
A vitória no registo internacional,
Porque onde começou Portugal 
Foi na Madragoa!

E o Porto vencer
No mundo e arredores,
Foi fazer deles melhores 
Na nação qu'os viu nascer!?

E isso é intolerável 
Pr'os preceitos do regime,
E isso pode ser crime 
Em matéria condenável...

Por isso aguentar, Presidente,
Por trinta e cinco primaveras, 
Contra a mentalidade d'outras eras
Do antigamente...

É obra, Senhor,
No seu percurso octagenário!
E ainda se ter por necessário
Contra tal Adamastror!

Esta mentalidade coeva 
Dos velhos do Restelo,
E ainda com saúde, vê-lo 
A lutar contra tal leva!

É registo tão sonante, 
(Apesar das recentes derrotas)
Que muitas são as tropas 
Qu'o querem já cessante!?

Mas aqui qual estandarte
Do brasão abençoado, 
Ter o coração de D. Pedro guardado 
Como símbolo de qu'é parte!

E pulsar com tal vigor 
No brasão nisso visado, 
Por um regime tomado 
Em tal furor!

Queriam-nos destituídos 
Da nossa razão de ser, 
E o brasão devíamos ceder 
Como arguídos...

Tudo tentou o ditador 
Pr'a nos tirar o semblante liberal, 
(A cidade que deu o nome a Portugal)
E o cabo bojador!

Ou ainda o Mindelo 
No desembarque de D. Pedro, 
Porque isso lhe dava medo 
Perdê-lo....

Essa coragem de cerco,
Contra tudo e contra todos!
Que não se rende aos "mouros"
Porque é o berço!

Esse homem de semblante 
Vivo, livre e mordaz, 
Sabe que ainda é capaz 
De vencer tal "gigante"!

Esse que, com pés de barro,
Ganha tudo por decreto, 
E um dia sabe qu'é certo 
O reverso escarro...

Essa profusa indignação 
De quem se sente,
E ainda é a boa gente
Desta nação!

E ainda lhes dá gozo
Brincar c'a nossa dignidade,
Dizendo qu'a liberdade 
Foi do "glorioso"!?

Quand'o clube democrático,
Campeão do mundo,
Deu à Europa um profundo
Modelo carismático!

Um homem do norte,
Daqueles que não verga,
E por trinta e cinco anos enverga 
A malha anti-corte!

E combatendo o "infiel",
Luta contr'o centralismo,
E os traços do actual feudalismo 
De cartel!

Mas corruptos são os outros
Que não os da cocaína, 
Que da porta (pequenina)
Vendiam-na em parcos lucros...

Os demais compram a arbitragem 
Até à linha do Tejo,
Que de lá formam cortejo 
Ao conselho da linhagem!

E é vê-los nisso xenófobos, 
A gritar contr'o islamita,
Porque a língua estava mal escrita 
Nos constantes perdigotos!?

E nisso viu-se forçado
Como bom cristão de Coimbra, 
A mandá-lo pr'o Alhambra 
Por ser mal-educado...

E ainda se dá ao luxo
D'o dizer à boca-cheia,
Porque assim já tem ameia 
No castelo do cartuxo!

Dos Ferreiras, dos Nunes,
Membros da alta cavalaria,
Que há muito ali fazem razia 
C'os Antunes!!

Por isso a luta é dura,
Meu caro Condestável!
Caro Presidente, notável 
O qu'ainda atura!!

É preciso ser-se cavaleiro,
Dessa ordem que não cede,
Um palmo de terra à plebe
Do eterno Conde Andeiro!!

Longa vida, Presidente!

Joker

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