sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

4-3-3. 4 GOLOS, 3 TRINCOS, 3 PONTOS




Desta vez não foi preciso ganhar injustamente por poucos – na versão entediante do FCP de Lopetegui – nem vencer justamente com estrelinha de campeão – na versão entusiasmante do Sporting de Jesus.

Foi mais uma entrada estilo Benfica em Braga só que sem a parte das 3 bolas nos postes e do autocarro defensivo da 2ª parte.

Escaldado pelo drama de Aveiro contra o Tondela, Lopetegui optou por escolher uma equipa mais tradicionalista num 4-3-3 bem definido, com um médio defensivo e 2 extremos naturais.
Olhando para as equipas iniciais seria de temer que o habitual rame-rame ofensivo do Porto tivesse problemas com o meio-campo de 3 trincos do União. 

O Porto ultrapassou bem esse problema. Laterais a subir “forçam” extremos a jogar mais por dentro e a escolha dos 2 médios com melhor chegada à área permitiram que os primeiros 30 minutos tivessem mais dinâmica ofensiva do que o habitual.

À maior dinâmica podemos somar a melhor das sortes. Herrera cumpriu bem o seu papel de médio que consegue ser 2.º avançado e cheirou o golo numa 1ª cabeçada para ter a sorte de o golo o cheirar a ele na 2ª com aquele ressalto em Joãozinho.

Ainda não refeito do golpe, o União nem teve tempo para reagrupar depois de uma brilhante combinação na direita que levou Maxi a cruzar atrasado e Brahimi a fuzilar André Moreira à futebol alemão.

Era capaz de jurar que o Brahimi não ia receber uma bola e mandar charuto lá para dentro. Tudo sem fazer uma tentativa de drible nem sequer uma simulação de pirueta. Foi mesmo toma lá, dá cá.
E assim se resolve uma partida. Com dinâmica no ataque, simplicidade na finalização e alguma sorte.
Falando em sorte: Corona deve ter levado aquele tufo de relva da Choupana para casa. Um golaço a meias. Assistência do tufo e remate à futebol alemão para a gaveta.

A história da partida acaba aqui.

Com o 3-0 o União manteve os 3 trincos com 3 golos encaixados e o Porto voltou ao rame-rame que tem tanto de inutilidade ofensiva como de segurança defensiva.

A bola passou a andar longe das balizas, a dinâmica baixou e só os minutos é que foram crescendo.
Na 2ª parte o União desmonta a rede defensiva dos 3 trincos e tenta atacar um pouco mas o Porto já estava confortavelmente sentado no resultado e na vitória.

Lopetegui começa por desligar-se mentalmente do jogo poupando o craque Brahimi mas a dupla Osvaldo & Paixão resolve ligar a ficha.

Bruno Paixão é o pior árbitro que já vi. Nem é uma questão de desonestidade. É incompetência extrema.

O Porto tem um canto a favor. Há uma perda de bola perigosa no ataque e André André tenta derrubar o adversário. Seria falta clara e amarelo justo.

O adversário não cai à primeira e André André é obrigado a agarra-lo pela cintura acabando de vez com o contra-ataque. Do amarelo já não escapa, pensei eu.

O árbitro dá a lei da vantagem porque apesar de ter sido assassinado o contra-ataque a bola segue.
Segue,segue,segue e Paixão esquece-se de André André. Segue, segue e há a entrada ríspida de Osvaldo sobre Paulo Monteiro. Em vez de 2 amarelos temos o vermelho. Artista português.

Lopetegui liga-se ao jogo e, temeroso, tranca uma porta que já estava fechada. Maicon lá para dentro e 3 centrais.

Não se nota a inferioridade numérica e é o Porto que ronda o 4-0 por Maicon até ao indispensável Danilo resolver ter palco.

Boa vitória, óptimo intervalo na contestação e avizinha-se uma semana crucial.

O regresso ao Dragão numa equipa a quem comunicacionalmente não é dado o direito à estrelinha, a imagem que o Porto deixará em Londres (nem falo de exigências de qualificação) e o regresso à Choupana para um jogo mais a sério.
 


Análises Individuais.

Casillas – Um jogo tranquilo intercalado por uma saída a um cruzamento logo na 2ª parte que nos fez lembrar más memórias.

Maxi – Depois daquele hiato energético pós-selecção voltou a ser o Maxi de sempre com disponibilidade para atacar e voluntarismo a defender.
Corona à frente ajuda na mecânica ofensiva. É mais fácil tabelar com quem sabe jogar em movimento.

Layun – O defesa esquerdo adaptado é o jogador do plantel do Porto que melhor cruza. Convém que Lopetegui aproveite esta qualidade organizando a equipa de modo a que o mexicano tenha liberdade para subir e para.....cruzar.

Marcano – Seguro e focado. Não tem sido por aqui que o Porto tem tremido.

Martins Indi – Fiável no passe e acutilante nos duelos individuais combina bem com Marcano. É bom que Lopetegui pare com as invenções Danilescas e dê 90 minutos à melhor dupla de centrais que tem no plantel.

Danilo – Sem invenções Danilescas e estabilizando o eixo central da defesa de vez, fica mais fácil dar a segurança que a equipa precisa para atacar.
O União joga com um meio-campo similar ao Boavista. 3 mamarrachos a distribuir fruta e a ir a todas como se não houvesse amanhã. Danilo with a little help from his friends André e Hector aguentou-se à bronca com eles todos e ainda teve tempo de ir lá a frente dar a sua carimbadela no resultado.

André André – Ter o André mais sóbrio pode não ser um mau sinal. Jogou mais próximo do seu lugar natural (se é que existe algum que seja contranatura para ele) e o que ficou a faltar em espectacularidade individual foi compensado pela estabilidade do meio-campo portista.

Herrera – Tem uma diferença positiva para Imbula. Entrega-se ao jogo. Pede bola, preocupa-se em dar linhas de passe, preocupa-se em pressionar linhas de passe e adversários e preocupa-se a preencher a área quando é preciso.
Chama-se a isso ligar a equipa.
Tem uma diferença negativa para Imbula e para qualquer médio do Porto. Perde linhas de passe quando tem bola e perde passes fáceis em quantidades razoáveis.
Aí desliga-se do jogo e da equipa.
Contra o União vimos os 2 lados. Felizmente o positivo ganhou por KO ao negativo.

Corona – Parece que não brilha mas o que é certo, é que para o tempo que tem jogado marca golos aos magotes. Com sorte, com oportunismo, com mais ou menos talento o que este mexicano tem provado é que merece ser aposta e merece continuidade.
Vale a pena ver no que isto vai dar.

Osvaldo – Muita acção, muita correria mas nada de futebolisticamente relevante. Não conseguiu mostrar mais do que o pior Aboubakar deste ano e ainda foi fingindo que molhava a sopa aqui e ali. Com Bruno Paixão o caldo está sempre entornado e fingir dá vermelho na mesma. 

Brahimi – O talento da equipa. A construir para abrir para Layun cruzar para Herrera. A finalizar à ponta de lança sem a ginga habitual. E a ser rápido a soltar para Corona acertar um piparote na baliza.
Descansou com o trabalho feito e bem feito.


Varela – Entrou na fase em que os minutos passavam e as equipas passeavam. Nada de relevante.

Maicon – Com a expulsão de Osvaldo a solução de Lopetegui foi tornar coreácea a defesa com 3 centrais. Não foi preciso grande esforço de Maicon que ainda se travestiu de Celso&Geraldão para marcar um livre à anos 80 que André Moreira defendeu em grande estilo.

Evandro – Uns escassos minutos em campo. Nada de relevante. 




Ficha de jogo: 

U. Madeira -FC Porto, 0-4
Primeira Liga, 9ª jornada
qua, 2 Dezembro 2015 • 20:00
Estádio: Madeira, Funchal

Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal).
Assistentes: António Godinho e Rodrigo Pereira.
Quarto Árbitro: Hélder Malheiro.

UNIÃO DA MADEIRA: André Moreira, Paulinho, Paulo Monteiro, Diego Galo, Joãozinho, Soares, Shehu, Gian, Amilton, Élio Martins, Danilo Dias.
Suplentes: Vega, Tiago Ferreira, Miguel Fidalgo, Breitner (66' Amilton), Firmino (79' Soares), Cádiz (57' Danilo Dias), Chaby.
Treinador: Norton de Matos.

FC PORTO: Casillas, Maxi, Martins Indi, Marcano, Layún, Danilo, Herrera (c), André André, Corona, Dani Osvaldo, Brahimi .
Suplentes: Helton, Maicon (78' Corona), Rúben Neves, Varela (70' Brahimi), Aboubakar, Tello, Evandro (88' André André).
Treinador: Julen Lopetegui.

Ao intervalo: 3-0.
Marcadores: Herrera (12'), Brahimi (14'), Corona (22'), Danilo (90+1').
Disciplina: cartão amarelo a Gian (10'), Corona (77'), Cádiz (83'), Paulo Monteiro (87'); cartão vermelho a Dani Osvaldo (74'). 

Por: Walter Casagrande
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