quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Que nunca nos falt’o pendão!


O amor é uma partida
Que se tece na Paixão,
E lá se jog’a União,
S’ela se tem ressurgida!

E não há maior prova
Dessa entrega ao amor,
C’a Paixão tenha pudor
No arbítrio qu’a renova!

Já qu’estando ela ausente,
O amor nunc’a esquece!
E a Paixão nunca arrefece
Se mantida como quente!

E lembrada nesse tempo
Como intuito do desejo,
Tem-se pronta, e sem pejo,
É jogada como alento!

Tem-se pronta pr’a provar
Esse amor inesquecível,
Quando jovem, por incrível,
Esse jogo quis ganhar!

E perfazendo a regra
Qu’o amor nisso é cego,
A Paixão valeu-se em ego
Pr’a provar a sua entrega!

Tanto tempo se viveu
Desd’a terra alentejana,
Qu’a Paixão nisso s’engana
Qu’o amor lá se perdeu…

Que vividos verdes anos
Mais a norte, lá voltou!
E a Paixão não s’enganou
Ao vingar esses enganos…

Tanto impulso de prazer
Por Paixão, não vilania!
Quatro anos, quem diria,
Pr’a que volt’a acontecer!

A luxúria qu’a envolve
À Paixão nessa lembrança,
Qu’ela vis’a cobrança…
Ao “amor” que dela foge!!

O destino é fatal
Nesse génio do acaso!
Qu’ela prova, e sem caso,
Qu’ao amor não quer o mal!?

E se volta, é a prova
Qu’o amor é coisa incerta,
Qu’a Paixão só se desperta
Por razões de pura alcova…

E s’o ensejo é perdurar
O desejo do prazer,
Porque faz ela sofrer
No intuito de curar?

Pr’a manter a União
Como coisa por fictícia,
Estando pronta pr’a sevícia,
Se faltar nisso pendão!…


Por: Joker
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