quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ORGULHO E PRECONCEITO




Começo pelo orgulho.

É muito importante para um adepto sentir que o Porto é temido na Europa. Não é um título, mas para alguns pode ser mais importante do que uma Supertaça ou uma Taça da Liga.
Hoje em dia, quando se lê num jornal espanhol, alemão ou inglês que a equipa X, Y, Z vai jogar ao Dragão há sempre uma ideia que lhes espera problemas.
Basta pensar o que se viveu naqueles 6 dias entre o Dragão e o Allianz Arena ou comparar a calmaria e tranquilidade de José Mourinho em Alvalade no ano passado com um Super Patricio a evitar a goleada e o ambiente de tensão que se viveu durante a totalidade dos 90 minutos da passada terça-feira.
Quando subimos as escadas do Dragão de acesso às bancadas pensamos sempre que é possível e que ninguém passa fácil aqui.
Não é fácil para uma equipa portuguesa adquirir esse estatuto.
Quando ontem disputávamos o jogo palmo a palmo com o Chelsea pensei nisto. Podíamos ter perdido porque o Chelsea jogou o suficiente para ter hipóteses de ganhar mas estamos lá. Discutimos, somos competitivos, encostamos e somos encostados mas sente-se sempre que no Dragão é duro passar.
Voltei a sentir isso. Tenho orgulho nisso.


Despachado o orgulho, vamos ao preconceito.

Começo pela constatação: Da grande vitória ao colosso Bayern à queda do Chelsea passaram menos de 6 meses.
Continuo com a pergunta: Dos que a conseguiram então, quantos repetiram ontem?
Maicon, Indi, Brahimi e Lopetegui.
3 jogadores e 1 treinador. Só estes ouviram o hino da Champions com a câmara a passar-lhes pela cara.
É toda uma equipa esventrada de alto abaixo. Foi uma outra equipa que teve que voltar a lutar com uma equipa que lhe é inequivocamente superior e de mostrar que aqui, no Dragão, é sempre duro. 
Quem, com 2 equipas diferentes mas com o mesmo Porto, os mesmos adeptos e o mesmo Dragão conseguiu erguer um 11 competitivo para discutir um jogo como este foi Lopetegui.
Ele também era o mesmo. Ele também sabe, ou alguém lhe ensinou, ou aprendeu connosco que isto é importante para nós.
É aqui que entra o preconceito. Leio, vejo e ouço que está tremido, pressionado e na corda bamba.
Penso noutros treinadores com contratos milionários, noutras épocas de Champions, noutros falhanços de apuramentos, noutras perdas de estatuto, de orgulho, noutras tacticas configuradas para nota artistica, para o volume ofensivo.

Lopetegui não tem estatuto.

Lopetegui não pode perder 3-1 em casa com o Dinamo de Kiev, sentar-se na cadeira de sonho de outros e dizer:A grande aposta é no campeonato.”

Não pode, porque não seria perdoado se confessasse que aquele jogo perdido há minutos com 40 mil nas bancadas não era uma prioridade.

Não pode quer tenha 5 pontos de atraso, quer tenha 5 pontos de avanço.

Relembro, que Vitor Pereira foi contestado porque fazia fraca figura na Europa.

Há um claro preconceito que muitos portistas têm com o seu treinador ao qual se somou a ideia vendida, sussurada e até gozada que Lopetegui é um peso que a fabulosa equipa e o fabuloso plantel tem que carregar.

Hoje, é um dado adquirido para a opinião pública e publicada que se em Maio as coisas correrem bem dir-se-á “Apesar de Lopetegui”.

Lopetegui não é um grande treinador. Não é, mas pode ser. Não é, mas pode conquistar esse estatuto aqui e connosco. Crescer aqui e connosco. Ganhar títulos para nós e fazer curriculum graças a nós.

Há 2 tipos de bons treinadores:

1-     Os que fazem voar as equipas. Os que pegam num Paulo Ferreira e os vendem por 20 e tal milhões, os que colocam Ricardos Fernandes a jogar olhos nos olhos com Scholes e afins e que permitem que a soma do colectivo valha mais do dobro da soma das individualidades.
Lopetegui não é desses. Pode vir a ser mas ainda não é.
Jorge Jesus é metade disso. É capaz de fazer individualidades mas incapaz de criar um colectivo suficientemente forte para se bater com grandes equipas em provas como a Champions.

2-    Os que impedem que a sua equipa se despenhe. Sabem que a casa tem buracos, preocupam-se a estudar ao pormenor as fragilidades, pensam como atacariam os pontos fracos se estivessem do outro lado e metem mãos à obra.
Toca a tentar esconder o que temos de mau porque estão a chegar visitas.
Os treinadores faz-tudo. Consertam a rede electrica, tapam buracos, pintam, são taqueiros, tratam da canalização.
Toca o hino da Champions e o Homem está cansado no banco de tanto conserto, de tanto tapa aqui e esconde acolá.
Acho que assim podemos competir, pensará ele. Pensou bem.
Lopetegui é desses. Nestes jogos, ter um treinador que tenha essa preocupação é muito importante e devia ser motivo de orgulho que vencesse o preconceito.


O onze inicial ilustra essa vontade de ter a casa em ordem. Preparados para receber o Chelsea, com uma equipa totalmente nova, com um meio-campo de jogadores que nunca tinham jogado juntos face a uma equipa consolidada, rotinada e de jogadores de estatuto mundial.

Indi à esquerda porque fecha bem por dentro e ajuda a esconder a debilidade do jogo áereo.
Rúben e Danilo porque temos que erguer uma parede para proteger a defesa.
André André à direita porque ajuda no combate, vem para dentro e abre alas para Maxi.
Imbula mais à frente para ter espaço para arrancar sem partir tão de trás.

E lá fomos para a batalha. 

A verdade é que esta equipa de Setembro ainda é verde. Se tivermos o talento e a sorte de voltar a chegar a Abril tenho a certeza que este Imbula, este Danilo e este Rúben serão outros. Todos eles fizeram um jogão mas tenho a certeza que em Abril poderão jogar menos com a equipa a jogar melhor.

Em 15 minutos Casillas voltou a vestir a pele do Salvador do clássico com o Benfica e negou o golo aos seus compatriotas Fabregas e Pedro. Neste último lance a parada é similar à mitica defesa ao remate de Robben na final do Mundial de 2010.

A casa estava arranjadinha mas a torneira pingava, havia uma tábua mal pregada e entrava água pelo telhado.

O Porto vivia muito do talento solista de Brahimi e Aboubakar para fazer umas faenas na frente e do vigor e concentração de Rúben Neves, Danilo, Indi e Marcano para manter a equipa de pé e a lutar.

Nos primeiros 20/25 minutos pareceu que ia ser curto. Seria, talvez, um Porto ligeiramente melhor do que o Sporting que o Chelsea derrotou com facilidade mas um Porto significativamente longe de nos poder fazer sonhar acordados com uma vitória.

Mourinho também tinha estudado a lição. Toda a recuperação na defesa tinha ligação directa com o ataque explorando a profundidade que Diego Costa dá e o posicionamento duvidoso e o temperamento demasiado irrequieto da ala direita do Porto.

Maicon andou a apanhar bonés, Maxi a fazer de extremo direito e estava encontrada a divisão da casa com a tábua a ranger e a torneira a pingar.

Casillas segurou e o Porto recompôs-se. Passamos a dividir um tipico jogo de 0-0 sem que nenhuma equipa mostrasse superioridade. Sentia-se que o Chelsea teria mais argumentos mas o sentimento do Sporting de São Patricio desapareceu.

Aí Maxi acelera com a bola nas mãos, Imbula acende uma lampâda que parecia estar fundida e rasga o campo na horizontal até Brahimi.

Quando o argelino recebe a bola ali, já nas imediações da grande área adversária e num contexto de ataque mais rápido do que posicional estão reunidas as condições para brilhar.

Ele sabe e gosta de fintar, os defesas sabem que ele é bom a fintar e a ajuda ainda não está devidamente posicionada para o obrigar a não ir para cima.

Brahimi para cima de Ivanovic, Pedro ainda não totalmente preparado para evitar o duelo e foi tarde demais para o Chelsea. Begovic ainda impediu mas o matador profissional andava pela área. 1-0 caído do talento, da luta e do mestre-de-obras.

O jogo manteve o ritmo mas uma hesitação entre Rúben Neves e Imbula permitiu a arrancada de Ramires que redundou no livre fatal. 1-1 ao cair do pano e justiça no marcador.

A 2ª parte é diferente. Parece que ao imenso trabalho de esconde-esconde teórico que Lopetegui faz antes destes jogos falta sempre qualquer coisa. 

Ele tapa aqui e esconde acolá pensando que a realidade vai ser assim ou assado.

Passados 45 minutos, vê a realidade e entende melhor o que deveria ou não ser camuflado. O que está a mais ou a menos.

Foi assim contra o Bayern em que passamos de um sufoco contínuo para uma discussão taco a taco.

Foi assim contra o Chelsea em que passamos de uma equipa a andar cambaleante e a lutar incessantemente, para outra, personalizada, sem medo e afirmando os seus pontos fortes de peito mais aberto.

Danilo e Imbula cresceram enormidades. Estavam bem e ficaram óptimos para essa 2ª parte.

Devem começar a jogar de forma tímida pensando que este é o Ramires, aquele é o Fabregas e este é o Diego mas com o passar dos tempos eles virão apenas números. Marca o 7, manda abaixo o 4.

Despersonalizam os adversários, tornando-os comuns e susceptiveis de serem olhados como iguais. Sinto que as bolas são disputadas com outro vigor, o choque fisico com outra convicção.

Passa a ser um Porto-Chelsea como se fosse um Porto-Benfica. Podemos ser tão bons como eles.

Sucede o milagre. Era capaz de jurar que por cada golo que o Porto marcasse de canto teria sofrido uns 5 antes. A verdade é que Maicon marcou de canto numa jogada improvável e Ivanovic falhou de forma flagrante num lance de passividade de Casillas, infelizmente habitual.

Pelo meio Diego Costa meteu uma bola no ferro e provou que não podia ser vista só como um número na camisola.

De qualquer modo, a 2ª parte, como no jogo com o Bayern, passou de forma mais célere e menos sofrida ficando a sensação que em determinados momentos o 3-1 era bem mais provável e justo do que o 1-0 parcial da 1ª parte.

Danilo, Imbula, Rúben, André, Brahimi, Aboubakar. Todos eles, tiveram oportunidade de assaltar a sério Begovic. Todos os médios tiveram liberdade e coragem para meter medo ao Chelsea. Mourinho sentiu que se esticou demais na 1ª substituição tirando Mikel por Hazard e ao ver a avalanche em direcção a Begovic corrige o tiro e dá Matic ao jogo antes que fosse tarde demais.

Volta a entrar o Mestre-de-obras em acção. A força do vento era demasiado forte e algumas telhas e janelas precisavam de ser protegidas.

Se ao configurar o onze Lopetegui quis garantir que o Porto lutava sem se despenhar ao mexer do banco preocupou-se em não deixar o Chelsea voar.

O lado defensivo mais fraco e mais procurado pelo Chelsea era o direito. Foi por aí o reforço.

Quatro pernas frescas para ajudar Maxi e Maicon. Evandro e Layun para que Hazard, Willian e Azpilicueta não batessem as asas.
A 3ª substituição é outra prova dessa preocupação. Todos sabíamos que vinha aí bombeamento. Todos víamos que Brahimi estava de gatas.

O que fez Lopetegui. Senta Corona e senta Tello que quem entra é o calmeirão Osvaldo.
Eles que venham. Osvaldo, Aboubakar, Danilo, Indi, Maicon e Marcano devem chegar para as encomendas, pensou ele.
Pensou bem. Ivanovic subia devagarinho permitindo que Aboubakar tivesse vida para lá estar e Osvaldo saltou muito ajudando defensivamente a equipa em momentos cruciais.

Temos que ter orgulho nesta equipa que discute jogos palmo a palmo com tubarões europeus, acabar com o preconceito que impede que se reconheçam os méritos do Mestre-de-obras treinador e louvar a sua capacidade de com intérpretes diferentes, conseguir a competitividade de sempre.

 
 
Análises Individuais:

Casillas - O MVP dos primeiros 45 minutos. Na altura em que a verdura do Porto tombava perante o poderio londrino foi o guarda-redes que segura a equipa e lhe dá tempo (como na recepção ao Benfica) para se reerguer.
Não é o MVP da 1ª parte porque nos descontos deixou-se cair numa de 2 armadilhas. Ou pela responsabilidade de armar a barreira e de assumir o posicionamento em função do (in)sucesso em que ela é organizada ou por ter sofrido um golo precisamente do lado da baliza  que estava a preencher. Tudo, sem se mexer.
Na 2ª parte volta o lance que nos arrepia a todos. Um golo de Ivanovic na pequena área com Casiilas a meio caminho teria repercussões graves na sua relação com a equipa e com os adeptos.
Esse ponto é de tal forma fraco que só a sorte vai conseguindo disfarçar.
Fica a sensação que Lopetegui se junta à sorte na armação do 11 e no perfil de substituições que faz protegendo o seu redes que tem medo das bolas aéreas.

Maxi – O rei dos lançamentos laterais. Chega a ser comovente ver como Maxi sprinta para o lançamento lateral tendo a noção que é nos tempos mortos que se surpreende o adversário.
Na 1ª parte desmarca Aboubakar com o Chelsea a dormir e só não faz o mesmo com André André porque o caxineiro não entendeu que era para correr para o espaço.
Maxi é isto. O lance do golo nasce de mais uma dessas pressas de não dar descanso ao jogo e ao adversário e aproveitar cada migalha de espaço.
Enquanto a equipa se espreguiçava em campo, Maxi foi o extremo direito que compensava a menor apetência de André André para o negócio.
Na defesa teve dificuldades sempre que Willian (melhor jogador do Chelsea) por lá andava mas foi lutando com a abnegação e virilidade habitual.
Na 2ª parte quando Mourinho atira a artilharia pesada Lopetegui vai em seu auxílio colocando ajuda fresca do seu lado o que lhe permite terminar a partida com saldo positivo.

Indi – Um grande jogo com apenas uma falha grave quando está demasiado encostado à linha deixando o mundo de espaço entre si e Marcano que Pedro Rodriguez aproveitou para obrigar Casillas à defesa da noite.
Em tudo o resto esteve muito bem. A enxotar tudo o que queria entrar pelo seu lado com aquele ar de Chuck Norris e a ajudar muito a dupla de centrais no defender, pressionar e na conquista de varias bolas aéreas na zona central.
“E tu querias conhecer os pássaros, voar como Indi sobre os avançados”
Merece a adaptação da música de Rui Veloso.
Para quem critica o holandês pela tibieza no jogo aéreo, a partida com o Chelsea mostrou o contrário.
A sua inclusão no 11 foi uma jogada de mestre de Lopetegui. Muito bem.

Maicon – Vontade e capacidade física de sobra e inteligência e capacidade posicional escassa.
Andou a apanhar os bonés de Diego Costa na 1ª parte sem saber se dobrava Maxi ou perseguia o seu adversário directo até ao infinito.
Aí, foi um Marcano impecável, um Casillas intransponível e um Indi muito colaborante que foram escondendo o Forrest Gumpismo de Maicon.
Na 2ª parte marca um golo pleno de oportunidade e quando parece que se está a recompor saca mais uma vez de um tesourinho deprimente ao atirar-se para o chão desesperadamente visando um corte espectacular a Willian quando todo o Mundo com o Curso de Nivel 0 de Treinador sabe que se há coisa que o último homem deve fazer é manter-se de pé o máximo de tempo possível.
No assalto final voltou a ser importante ao impor a sua presença física na disputa de bolas aéreas.
Continua demasiado inconsistente para um central capitão do FCP. Há espaço para acabar com isto?

Marcano – Até ao minuto 90 estava a ser o MVP. Muito ligado ao jogo, atento a tudo e sem facilitar nada. Entendimento perfeito do peso que é a decisão de se desposicionar e jogar em antecipação. Vai com tudo, mantém-se de pé quase sempre e ou vai bola ou vai perna.
Dali, o adversário não sai com bola.
Percebe também o peso do jogo e não arrisca um milímetro quando pressionado.
Borrou a escrita toda quando no último minuto de jogo está perante o Monstro Costa e deixa bater a bola. Aí ,foi correr atrás do prejuízo e ficar à mercê da boa visão do árbitro.
O árbitro não viu mas todo o mundo viu que esse lance mancha de forma clara a exibição de Marcano.

Danilo Pereira – O melhor jogador em campo. O que esteve sempre presente na defesa e no ataque. O que não ligou e desligou a luz estilo interruptor e o que durou o jogo todo sempre na mesma intensidade.
Um jogo enorme de presença física, de capacidade de disputa de duelos individuais, de qualidade de passe e de chegada à área.
Danilo só peca na expressão facial. Se abandonasse aquele ar de menino de escola e tivesse e olhasse para os adversários com a face cangaceira de Indi meteria ainda mais medo.
À medida que o jogo foi avançando foi deixando os adversários para trás porque o seu ritmo foi sempre o mesmo. Tanto, que foi o jogador do Porto que melhor defendeu na 2ª parte e que mais perto do 3.º golo teve.

Rúben Neves – O jogo em que subiu 4 degraus na sua carreira com um salto só. Sinceramente, não o julgava ainda competente para jogar como médio interior direito com grande espaço de intervenção.
Neste último ano Rúben ganhou massa muscular mas perdeu alguma agilidade. Contra o Chelsea foi capaz de repetir índices de agressividade já testados em encontros anteriores somando a capacidade para jogar à IO-IO e não se defender excessivamente em 2 quadraditos de terreno onde pudesse brilhar com os passes teleguiados.
Foi engraçado ver o baixote envolvido naquela guerra com o queniano Ramires e os “etiopes” Mikel, Imbula e Danilo.
Parecia aqueles mundiais de 10000 metros quando vemos, a 2 voltas de fim, alguém que foge ao estereótipo de potencial vencedor a dar água pela barba aos que fisicamente lhe parecem superiores.
Rúben foi mais que esse maratonista. Manteve a serenidade com bola que tanto tranquiliza as bancadas. Nos momentos em que o rapaz de Mozelos recebe, se vira e levanta a cabeça o Dragão expira. Vai sair dali qualquer coisa.
Compreensivelmente não aguentou até aos últimos 400 metros da partida. A intensidade da partida e o raio de acção a que foi obrigado é ainda demasiado forte para quem há pouco mais de 1 ano não jogava mais de 80 minutos a um ritmo 20 vezes inferior.
Está no bom caminho. Grandíssimo jogo.

Imbula – É o Brahimi dos médios. Se joga demasiado atrás complica mais do que ajuda.
Dez passos à frente e tem um mundo à frente. Contra o Chelsea, o que vimos foi o francês a soltar-se, a mostrar a capacidade de arranque à Yaya Touré à qual adiciona um drible curto e uma capacidade de protecção de bola bem acima da média.
Fez um jogo em crescendo. Está no lance do 1.º golo quando passa a bola por um lado e vai busca-la a outro antes de a endossar a Brahimi e está em todo o lado na 2ª parte enchendo o campo e aproveitando a momentânea loucura de Mourinho quando retira Mikel da partida sem fazer entrar Matic.
Imbula viola de forma contínua a defesa do Chelsea e o Porto tem uma cavalgada de 10/15 minutos que só não mata o jogo por sorte.
A jogar assim é indiscutível. Tem que jogar mais à frente para ser indiscutível.

André André – Missão ingrata. É o Oliver de 2015/16 que quando os jogos apertam é desterrado para uma posição que não é a sua.
Lopetegui deve ter lido a análise que aqui fizemos à exibição de André André no jogo com o Benfica. A forma como sabe sempre onde tem que estar, como tem que correr e quem deve pressionar acaba por torna-lo indiscutível seja onde for e a ser um concorrente perigoso para todo e qualquer titular seja ele extremo, defesa direito ou esquerdo, médio ofensivo ou defensivo.
Rouba, aparece sabe-se lá de onde para recargas oportunas, finge que anda a passo e arranca descabelando a oposição. É e está um jogador de mão cheia. É o coração deste Dragão.

Brahimi – É o Imbula dos avançados. Se recebe a bola demasiado atrás complica mais do que desequilibra.
Contra o Chelsea foi o líder do ataque. O porto de abrigo que todos os médios procuravam quando era hora de alguém liderar a invasão à grande área londrina.
Brahimi foi o de sempre. Corajoso, egocêntrico e auto-confiante que se entregou a todas as batalhas nunca esmorecendo perante derrotas momentâneas.
A jogada do 1.º golo é brilhante. Depois do trabalho de Imbula o mago avança para Ivanovic com a saliva a escorrer pelos dentes. “Bora lá fazer sangue.”
Fez. Dançou-o para cá para lá, fez que ia mas não foi com Pedro e depois só Begovic podia salvar se o omnipresente André por lá não andasse à espera de o fuzilar.
Na 2ª parte continuou a destratar Ivanovic à bruta e sempre que o sérvio teve a infelicidade de o ver receber a bola demasiado perto da grande área.
O medo de fazer falta quando há proximidade à grande área associada à habilidade única do argelino em não descolar a bola dos pés e à capacidade de arranque tornam-no no pior dos inimigos para quem já não tem os rins de antigamente.
Uma equipa com 4 médios precisa que o desequilibrador desequilibre. Brahimi deu razão de ser à tactica de Lopetegui.

Aboubakar - Bem! Está um senhor 9. Jogou à Jackson Martinez e a forma como se movimenta e passa faz mais lembrar os pontas de lança de toque e classe como Lewandowski e Van Basten do que os africanos puro-sangue como Drogba, Eto'o.

Nem o adepto mais confiante esperaria isto.

Aboubakar baixa, distribui, obriga os centrais a desmobilizarem ficando sempre sem saber se da cartola do camaronês vai sair uma assistência ou um arranque pré-espancamento da bola.
Se afinar a mira é melhor sair da frente. Jogaço de um jogador em plena forma.


Evandro -  Pernas para que te quero! Entrou para ajudar Maxi e conferir a frescura nas últimas 2 voltas à pista. Cumpriu.

Layun - Mais uma jogada de Lopetegui para tapar os buracos da parede lateral direita da casa.
André André estava desgastado e o sósia mais próximo sentado no banco ao nível de disponibilidade física e qualidade defensiva era Layun. Cumpriu.

Osvaldo - Entrada para reforço do poder aéreo da equipa. Em boa hora porque Osvaldo foi precioso quando a aviação londrina apostou em sobrevoar a baliza de Casillas.


Ficha de jogo:
FC PORTO-CHELSEA, 2-1
UEFA Champions League, Grupo G, 2.ª jornada
Terça-feira, 29 Setembro 2015 - 19:45
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 46.120

Árbitro: Antonio Mateu Lahoz.
Assistentes: Cebrián Devís e Díaz Pérez del Palomar; Estrada e Hernandez (adicionais).
Quarto Árbitro: Miguel Martínez.

FC PORTO: Casillas, Maxi Pereira, Maicon, Marcano, Martins Indi, Danilo, Rúben Neves, Imbula, André André, Aboubakar, Brahimi.
Suplentes: Helton, Osvaldo (86' Brahimi), Tello, Evandro (78' Ruben Neves), Corona, Layún (80' André André), Alberto Bueno.
Treinador: Julen Lopetegui.

CHELSEA: Begovic, Ivanovic, Cahill, Zouma, Azpilicueta, Mikel, Ramires, Fàbregas, Pedro Rodríguez, Diego Costa, Willian.
Suplentes: Blackman, Baba, Hazard (62' Mikel), Kenedy (73' Pedro Rodríguez), Matic (73' Ramires), John Terry, Loftus-Cheek.
Treinador: José Mourinho.

Ao intervalo: 1-1.
Marcadores: André André (39'), William (45+2'), Maicon (52').
Disciplina: cartão amarelo a Martins Indi (19'), Marcano (25'), Cahill (41'), Azpilicueta (66'), Matic (79'), Danilo (82'), Imbula (89').



Por: Walter Casagrande




 
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