terça-feira, 9 de maio de 2017

Apoteose!



Apoteose!

É este país pleno
De gente séria e isenta, 
Que dele se comenta 
No próprio inferno!

O próprio diabo
Vive no martírio,
Porque Portugal é um país sério,
Ao fim e ao cabo...

De tanta seriedade 
Extradita milagres, 
E o Diabo tem achaques 
De incredulidade!

Não capta almas 
Que sejam lusas,
Porque estão reclusas 
Em gentes calmas...

Nos brandos costumes 
Tão lusitanos, 
Que tod'os cicranos 
São sempre incólumes!

E nessa premissa
De país santo, 
O papa quer tanto
Aqui dar uma missa!

E só escolheu
O 13 de Maio,
Porqu'o benfica tem ensaio
De jubileu!

Vai ser Tetra
No dia da Virgem,
E daí a nossa origem 
Profética...

Um país beatificado
P'los três pastorinhos,
E milhões d'anjinhos 
Trajados d'encarnado...

O manto vermelho 
Que cobre o país,
É o retrato feliz 
Dum país já velho...

A"outra senhora"
Também era uma santa,
E uma imagem branca
A quem ela ainda ora...

Uma "Avé Maria"
Tão cheia de graça, 
Qu'o país não passa 
Duma alegoria...

Este traço inefável
De beatitude,
E uma nação qu'alude 
Ao Santo Condestável!?

Tanto milagre feito
Pr'a sermos independentes,
E ainda estarmos crentes 
Que foi de pleno direito!

O canto d'Ourique 
Por inspiração divina,
E a Portugal esta sina 
Qu'o pecador abdique!

Esta providência 
De país eleito por Deus,
E os Portugueses, que d'europeus 
Têm ascendência!?

Pois quem aqui nos veja
A rezar a Eusébio,
Nos sabe em "sortilégio"
De tal "Igreja"!

Esta coincidência 
Entr'o Estado e o benfica,
E a Igreja, que beatifica 
Esta "inocência"...

Que quer o Diabo?
Aqui resgatar o espírito?
O benfica é o nosso mito 
Meio acabado...

Este fatalismo
D'almas penadas!
E nisto abençoadas 
Por populismo!

Não há almas de pecado
No nosso Portugal, 
E o inferno aqui é igual 
Em qualquer lado...

Se nem os nossos corpos 
Nist'os salvamos,
As almas são de somenos 
Depois de mortos...

A nossa mentalidade 
É a "benfiquista",
E há alma que resista 
A esta realidade?

De ver os Braz, 
Os Guerra, 
A clamar que na Terra 
Fizeram a paz?!

As almas penadas
Dos Silva, dos Ventura,
Fingindo "ternura"
Quando não sentem nada?

É este o inferno 
Da nossa realidade:
É tudo seriedade 
No nosso  hodierno!

Não há calabotes,
Nem filetes de polvo,
E o milagre é este povo 
Não dar calotes!

Aos seiscentos milhões
Pr'a vingar a marca, 
E a procissão que passa 
Ao som dos carrilhões...

E comenta Lúcifer 
Que não há direito!!
Qu'o dinheiro também lhe dava jeito
Para enriquerer...

E montar negócio 
Na porta do cavalo,
E ao diretor culpá-lo 
Se descobert'o por sócio!!

E criar um sistema 
De grande branqueamento,
E garantir a cem por cento
A vitória plena!

Dando a impressão
Qu'os outros podem ganhar, 
Mas mantendo a apitar 
O resto da Associação!

Porqu'o bilhete é gratuito 
Lá pr'o presidente,
E todo um acto inocente 
Nem é muito...

Ter-se uma corja d'almas
Sempre ali na forja,
Qu'apitam na grande loja,
Nas calmas...

E queria Satanás
Aqui resgatar uma alminha!?
Nem na "Disciplina"
Onde se julgam as imanentemente "más"!

Essas qu'em "francês"
Gritam palavras impercetíveis,
Com piropos invísiveis 
De malvadez!!

Não tens hipótese, 
Ó Belzebu!
Aqui o rei vai nu 
Na apoteose!!

Joker


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