quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Realidade paralela



Realidade paralela 

Tem-se a "verdade desportiva"
Na pena de jornalistas, 
Nist'os maiores moralistas 
Na sua associação corporativa!

Que não relevando factos 
Mas tão somente tendências,
Vendem notícias por crenças 
Nos seus arregimentados pactos!

Não despem a camisola 
Na sua assunção d'ética,
E fazem da notícia a prédica 
No mundo da bola!!

Gritam vivas ao golo
Ali no camarote d'imprensa,
E invectivam tod'a imensa 
Massa adepta no seu dolo!

Crêem-se impunes nos seus actos
Por acreditação jornalística,
E gritam a peça populista 
Pr'a tantos ouvidos fracos!!

São jornalistas de rádio,
Correspondentes d'Agências,
E não querem ter audiências 
Ali de dentro do estádio...

Aqueles qu'ali estão 
A presenciar outro enredo, 
Não os suportam por medo 
Na enviesada transmissão!

E não lhes bastando vibrar 
No golo tão festejado, 
É no relato "encarnado"
Qu'o "jornalista" é "popular"!!

E se nisto apupado 
Por quem lá vê outro jogo,
Respond'o "jornalista" ao povo
Qu'ele é que está acreditado!!?

Acreditado - d'alto grita - 
C'o seu cartão na lapela,
E da rádio, sabe-se ela,
Uma estação qu'acredita!

Uma estação lisboeta
Com transmissão nacional, 
Quer dar um relato plural 
Com tal voz e caneta?

Querem-se "jornalistas"
Em tal desígnio lampião,
Que não resiste a estação 
A tais "cronistas"!

E nisto vem o sindicato 
Defender essa "carteira",
Porqu'ao jornalista a carreira 
Dá um bom relato!?

E sempre imaculados 
Nessas páginas desportivas,
São os jornalistas escribas 
Apenas de factos!?

Deixa-me rir, sindicato,
Da defesa corporativa!
A verdade desportiva 
É pr'a vocês um biscato!

Até as prostitutas 
Se vendem por maior valor, 
E tem o "jornalista" o honor 
Das verdades absolutas??

Ninguém dá maior chancela 
Ao ladrão lá visto em jogo,
Do qu'um "jornalista" pago 
Em tal bagatela!

E pode roubar o ladrão
As vezes que nisso queira, 
Que tod'a falta é corriqueira 
Na dita transmissão!!

A onda, é certo, é curta,
Pr'a tal expansão nacional,
Mas onde cheg'a Portugal 
É "verdade absoluta"!!

Por iss'os "jornalistas"
São nisso com'os árbitros,
E neles todos os maus hábitos
Corporativistas!

E podem mentir e ofender,
Roubar e adulterar, 
Que nada se lhes pode apontar 
Porque nunca podem perder...

Mas perdaram tal partida
Ganha à bomba,
Qu'aos "jornalistas" a tromba 
Foi transmitida!

Estavam de queixo caído,
Depois do punho no ar!
E nem o árbitro fez parar 
Um Porto (re)erguido!!

Todo um estádio em ebulição
Contr'a gatunagem, 
E passava-se a mensagem 
Da resignação!?

A realidade virtual 
Que nos dão os mass media,
É a nossa a maior tragédia 
Nacional...

Vendidos a diversos grupos
Ainda se dizem jornalistas, 
E em laivos corporativistas 
Querem-se com escrúpulos!?

E s'o económico determina 
Os ditames d'emissão,
"O clube na nação"
É a maior mina!

Por isso é desvirtuar 
Quem s'arremeda a lutar,
Não vá o Porto ganhar 
E a "media" nisso não lucrar...

Que como diri'o Mexia, 
O benfica campeão
É o negócio da nação,
E do salto na economia!!

O relato radiofónico 
Já não é aquilo qu'era,
E quem s'imagina em tal era 
Do "período babilónico"?

Quando aqui ainda reinava 
Nabucodonosor,
E tod'o rádio-amador 
Só transmiti'a (sua) palavra?

Sem Tv policromática
Pr'a lá ver ganhar o benfica,
E só na peça "jornalística"
Se percebia tal táctica!?

Ahh, com'o tempo mudou,
Agora que tudo se vê!
E o "jornalista" ainda se crê 
Naquilo que lá relatou!?

Sim, foi ao "petardo"
Contr'a "verdade desportiva"!
E que tal verdade não sirva 
Ao futebol jogado 

Transmite-se a radionovela 
Pr'a se dar um outro enfoque,
Pr'a qu'o benfiquista aprove 
A realidade paralela...

Joker

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