quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Estado Lampiânico


O Estado Lampiânico

Bem sei qu'a expressão não é original,
Na propriedade do Pina,
Mas o que dela s'ensina 
Do mundo em Portugal?
Que há Estado dentro do Estado
Pr'a nisso vingar uma ideologia,
Que nisto é uma "teologia"
Do "sagrado"!

Uma ideia ditatorial
Que nos está enraízada,
Porque então foi declarada 
Como ideal!

Um Estado "Novo"
Numa nação antiga,
E nessa reforma tod'a fadiga
Dum povo...

Manientado, analfabeto,
Crente em "milagres",
Toma dos "padres"
Um velho decreto!

Come e cala,
E aceita o desígnio, 
Este é o teu destino,
Antes "Deus" qu'a bala!!

E o ditador,
Um ex-beato,
É mais cordato 
Na voz do "Senhor"!

E nisto implanta
Um "Novo" Estado,
E ao povo é "dado"
Obra qu'encanta!

E uma fé
Irredutível, 
E um clube "invencível"
Da "Santa Sé"!

Um "Estado Novo"
Com francos ideais,
E outros "Portugais"
Num mundo coevo...

E tod'o um povo 
Preso na crença, 
Que lhe é pertença 
O "Estado Novo"...

E nist'o benfica 
Por adesão ideológica, 
Na necessidade antropológica 
Qu'o "beatifica"!!

O "clube do povo"
Ganha adeptos, 
E lançam-se projectos 
Pr'a chegar ao topo!

Há favorecimento 
Institucional,
E tod'o "Portugal"
Quer o seu "aumento"!

Cresce o "benfica"
Por imposição,
E há um campeão 
Que unifica!

E nist'os "Eusébios" 
Já são desviados, 
Porque estão destinados 
Aos subúrbios...

Ali a Carnide,
Ou mesm'a benfica
Porque isso qualifica
A urbe!

E neste "Estado"
Andámos por décadas, 
E crescemos nas metas
Do regime trocado...

Mas a mentalidade 
Reina sobr'a história,
E não há disto memória 
De tal "irmandade"!?

O Estado Lampiânico 
Vinga sobr'o "laico",
Pois nist'o prosaico 
Foi um "Deus" tirânico!

Um velho jarreta
Ainda idolatrado,
E um antigo Estado 
Todavia proveta...

Esta sensação 
Que são maiores qu'a pátria,
É a coisa mais pária 
De tal preposição!

São sim "gloriosos"
Em tal estado d'alma,
E vai-se-nos a calma 
Em tantos abusos...

Tantos benefícios 
Dados p'lo regime, 
E veem um crime 
N'outros, por fracos indícios...

Calabotes, Rolas, 
Almeidas e Paixões,
Capelas, Ferreiras,
Henriques, Duartes, Joões...

É o que se queira 
No Estado lampiânico,
E no "jornalismo" balsâmico 
Desta roubalheira!!

É vê-los dissertar 
Sobre "bolas na mão",
E perceber a razão 
Da velha arte de julgar...

Em causa sua 
Apit'o Rola
E ali n'a Bola 
O Delgado adula!

E ali vai o paquiderme
Falar no "Prolongamento",
Qu'o ombro tem aumento 
Ao longo da derme...

E não há "mãos na bola"
Contr'o regime,
Porque quem defne o "crime"
É o Rola!

E o "major"
Já reformado, 
Todo ele encarnado 
No seu "Estado maior"!?

Ou então o João
"Pode ser"!
Qu'agora tem mais poder 
Pr'a julgar a "mão"!?

E ainda o Duarte,
Pr'o rigor da ética!
Ele que tinha métrica 
Pr'a desfazer tod'o empate!

Qu'a última "sanção"
Já é efeméride, 
Pois quem o marca incide
Na sua despromoção!

Não é, ó Marco?
Já foste despromovido!
E s'agora és ouvido 
É porque já não partes um prato!

Tens-te convidativo,
E politicamente correcto, 
E no sinal aberto 
Ficas ainda mais divertido!

Em parelha c'o Rola
E c'o Leirós,
Não ficas a sós,
A dar-nos "bola"!

É  o Estado lampiânico
Em tod'o seu esplendor,
Que nem lhe falta andor 
Messiânico!

D. Sebastião 
Na pele do Orelhas,
E um país d'ovelhas 
À espera d'aparição!!

Milagre!!
Pénalti contr'o benfica!!?
Em quem nisto acredita
Senã'o "santo padre"?!

E é-se beatificado 
Ali no Panteão, 
O herói da nação,
Do Lampiânico Estado!!

Joker


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