quinta-feira, 3 de julho de 2014

Alex Sandro: O Furacão de Catanduva.



O Homem e o seu percurso:






A sombra da grande metrópole brasileira - São Paulo - espalha-se quase pelo estado todo. Catanduva não foge à regra e também ela é uma cidade satélite na zona noroeste do estado Paulista. É claro que falamos de dimensões à escala brasileira, pois Catanduva dista 400 km e mais de 4 horas de viagem do centro de São Paulo.





É nesta cidade que nasce Alex Sandro, no bairro do Bom Pastor. A infância é confortável, mas não é farta. 

A história de Alex Sandro no futebol começa na sua cidade natal. Com um clube da cidade imerso em dívidas e desmultiplicando-se em refundações para fugir aos credores, Alex Sandro inicia-se no futebol numa estrutura criada pela prefeitura de Catanduva que oferecia aos jovens da cidade a possibilidade da prática de várias modalidades. 

É no Celt (sigla de: Coordenadoria de Esportes, Lazer e Turismo) que Alex Sandro inicia a sua caminhada. O Celt fazia vários jogos treino com os grandes clubes de São Paulo, não só para proporcionar uma realidade competitiva nova aos seus elementos, mas também porque os grandes clubes utilizam estas estruturas municipais para realizarem captações. Alex Sandro chama a atenção nesses amigáveis e é convidado a fazer testes no São Paulo e no Santos. Acaba por não ultrapassar as "peneiras" (assim se chama ao ciclo de testes efectuados pelos grandes clubes brasileiros) e mantém-se no Celt.



Aos 15 anos, a sua vida irá mudar. O Celt é convidado para um torneio na cidade de Iraty no estado vizinho do Paraná. Mas antes da chegada a Iraty, o Celt  efectua uma paragem em Curitiba, capital do estado do Paraná. O Atlético Paranaense, sabendo da participação do Celt no torneio na cidade vizinha de Iraty, convida a equipa de Catanduva para um particular, de forma a antecipar eventual concorrência. Alex Sandro e os companheiros, que nem sabiam que iam jogar esse particular em Curitiba antes de seguirem viagem para Iraty, dão luta à equipa do Atlético Paranaense. Alex Sandro destaca-se na lateral esquerda e no arranque para o segundo tempo do particular é convidado a jogar pelo Atlético Paranaense!




A exibição é convincente, a tal ponto que, quando o Celt arruma as malas para seguir viagem até Iraty, Alex Sandro retira a sua, pois o Atlético Paranaense faz questão que fique e seja integrado, de imediato, nos escalões formativos do "furacão" de Curitiba.

À espera de Alex Sandro está um dos melhores clubes do Brasil no trabalho de formação e um clube com as melhores instalações desportivas para a formação do Brasil. O Atlético Paranaense tinha adquirido recentemente um hotel-fazenda a 15 km do centro de Curitiba. Remodelou as instalações e nessa área enorme criou todas as condições necessárias para um trabalho de formação de excelência. Nascia o Centro de Treinos do Caju (em homenagem à "majestade do arco" e antiga lenda das balizas do furacão: Alfredo Gottardi) onde Alex Sandro iria prosseguir a sua carreira. A adaptação, ainda assim, não foi fácil. Para além da distância familiar, Alex Sandro enfrentava um clima bem diferente do de Catanduva. Quando o termómetro chegava aos 5ºC, Alex Sandro já estava para lá de bater o dente!

É integrado no Clube Atlético do Paraná (CAPA), clube satélite criado pelo Atlético Paranaense para os escalões inferiores. Mas o talento de Alex Sandro começa a dar sinais de evolução e rapidamente ascende pelos escalões formativos. Estreia-se no Brasileirão, frente ao Internacional, aos 17 anos. Na época seguinte, é integrado, em definitivo, no plantel principal do Atlético Paranaense. Vai ganhando espaço na equipa principal e começa a jogar a lateral esquerdo. Quando Antônio Lopes entra para o comando técnico do Atlético Paranaense, vê em Alex Sandro a solução ideal para colmatar o défice de qualidade que o Furacão apresenta na linha média. É a "volante" que Alex Sandro prossegue a sua efémera carreira na equipa principal do Atlético Paranaense.






O talento do jovem jogador do Atlético Paranaense não passa despercebido a alguns olhos clínicos. Um grupo de empresários investe no seu talento e compra o seu passe ao Atlético Paranaense. Alex Sandro é inscrito pelo Deportivo Maldonado do Uruguai e emprestado ao Santos por dois anos. O clube que o rejeitou na peneira, faz o seu acto de contrição e acolhe o talento pródigo de braços abertos! O novo "menino da Vila" começa pela equipa Sub-20, mas rapidamente ascende à equipa principal.




Na equipa principal, tem a concorrência de Leo, um jogador experiente que já passou pelo futebol português. Alex Sandro vai somando jogos, ora a lateral ora a médio-ala. Soma jogos e começa a somar títulos. Logo no ano de estreia no Santos vence o estadual Paulista e a Copa do Brasil. Falhado o título, o grande objectivo santista, Alex Sandro e os companheiros preparam uma época carregada de objectivos. O ano começa logo com nova conquista do título Paulista. Segue-se a participação na Libertadores e nova vitória!

Começa, então, o seu ciclo das selecções. É chamado à Sub-20 brasileira para disputar o Sul-Americano. É titular e o Brasil sagra-se campeão. Segue-se o Mundial de Sub-20, onde ganham a final a Portugal, mas perde a maior parte da competição por lesão. Alex Sandro, à custa das suas prestações no Santos e na Selecção de Sub-20, entra no projecto Olímpico de Mano Menezes e começa a ser chamado à selecção principal brasileira.






A participação no Brasileirão de 2011 é muito reduzida. Primeiro, pela representação da selecção Brasileira, depois, pela transferência para o FC Porto na janela de Verão. Uma transferência que causou surpresa pelos montantes envolvidos.

No FC Porto, encontra a concorrência de Álvaro Pereira. Os primeiros meses de adaptação são passados na condição de suplente, mas logo começa a progredir para a titularidade. Acaba a época a titular e cumpre 9 jogos a titular e um total de 740 minutos disputados. Na recta final da disputa do título, o seu rendimento a lateral esquerdo é preponderante. Destaca-se o golo que marca na Choupana e que garante um triunfo muito suado, mas decisivo na caminhada para o título. No final da época é chamado para a canarinha que disputará os jogos Olímpicos. Titular na maioria dos jogos (sobretudo a médio), perde a final contra o México e junta a medalha de prata Olímpica ao seu currículo.

Esta época parte como dono e senhor da lateral esquerda e tentará juntar mais títulos ao campeonato e às duas supertaças já ganhas de azul e branco vestido.



A análise ao jogador:




Alex Sandro é um jogador de enorme qualidade e ainda muita margem de progressão. O seu percurso permitiu-lhe experimentar posições mais interiores e outras mais ofensivas. De todas essas experiências tomou algo mais para acrescentar ao seu crescimento enquanto jogador. É hoje um lateral que sabe fechar o espaço entre si o central e está confortável em zonas mais interiores do terreno. Com grande qualidade técnica é um jogador ofensivamente contundente, mas é prevenido na hora de defender. Não tem medo do confronto físico e sabe usar a falta em benefício da equipa.

Há duas coisas que mais saltam à vista em Alex Sandro: 

Primeiro, a sua capacidade física que lhe permite aguentar um jogo em "vaivém" pelo flanco e robustez no contacto físico.

Segundo, uma habilidade com bola nada habitual num jogador de cariz defensivo. A sua recorrente utilização como médio no Brasil atestam bem as suas qualidades técnicas.

Cruza com critério e sabe levar a bola bem controlada até à linha de fundo, ou flectir para o centro e almejar a baliza. É imprevisível no ataque e confiável a defender. É este o binómio que atesta a qualidade do lateral de Catanduva.

Mas tem mais uma dimensão muito importante no jogador moderno. Dos "meninos da Vila", Alex Sandro era conhecido por ser o mais recatado, o que não cria festa, mas treino. O único que já tinha constituído família e que se preocupava em amealhar para o futuro. É este o foco que o levou do interior de São Paulo ao topo do futebol mundial. Fica o exemplo.



Por: Breogán

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