sábado, 2 de maio de 2015

Os pecados mortais do FC Porto desta época


 Com o nosso campeonato a aproximar-se das últimas e decisivas jornadas, e depois do propalado mas pouco emotivo confronto direto entre o SLB e o FC Porto, que poderia ainda trazer à competição algumas dúvidas quanto ao vencedor da Liga 2014/2015, e que na minha ótica foi uma desilusão geral em termos do espectáculo que gerou e da expectativa criada à volta do clássico, não só essencialmente para os legítimos interesses dos apoiantes azuis e brancos, condição que não se veio a verificar e que trairia certamente mais emoções para os últimos jogos que se avizinham, mas também, e por que não dize-lo, para as próprias hostes benfiquistas que se apresentavam com menor pressão sobre o jogo em disputa, podendo assim gerir melhor a sua posição na tabela classificativa, mas que também não se propuseram nas quatro linhas a retirar os dividendos duma eventual vitória que lhes daria quase de imediato o título.

Quanto ao percurso competitivo do FCP em toda a linha neste biénio, se ousarmos fazer uma análise séria e completa sobre a sua performance durante esta época, mesmo considerando que em termos de títulos conquistados a sua produção foi totalmente nula, ainda assim poderemos traçar um quadro ou um cenário com algumas situações positivas, tendo em conta o trajeto que o FCP completou na Liga dos Campeões onde esteve bastante perto de chegar às meias-finais da competição, as muitas e boas exibições que produziu durante um largo período de tempo, e que espero que estas ilações sirvam de aviso e de lição para o próximo ano, mesmo sabendo que durante a época o FCP cometeu alguns pecados mortais que se traduziram na situação por que passa hoje.

O primeiro pecado mortal que o FCP cometeu traduziu-se na forma como Lopetegui iniciou a época, e se por um lado a decisão de trocar constantemente o onze inicial poderia indiciar que havia uma pretensão objetiva de conquistar um grupo de trabalho novo, não deixando ninguém contrariado e ao mesmo tempo proporcionando a todos os elementos do plantel a competição que todos os jogadores necessitam para melhorar os seus índices de rendimento, por outro lado, com aquela tomada de posição veio mais tarde a provar-se que tinha sido uma decisão errada, e que funcionou ao contrário do que se pretendia pois foi nesse período que a equipa perdeu os pontos que agora lhe fazem imensa falta, e quanto a mim, também por Lopetegui naquele momento ainda não ter uma clara visão das reais potencialidades do plantel, e ao mesmo tempo da realidade do nosso futebol indígena em todos os semblantes.

O segundo pecado mortal teve a ver com a derrota que o FCP sofreu no seu próprio estádio, e pelo diferencial de golos que o seu rival de sempre conseguiu concretizar, o que lhe trouxe não só a vantagem dos três pontos conquistados em casa alheia, como também o próprio resultado dificultou em muito uma possível reviravolta na vantagem entre os dois clubes em caso de empate, para além deste resultado ter mexido no estado anímico da equipa, a que se pode juntar a eliminação na taça com o SCP também no seu próprio estádio que também deixou marcas.

Há também a referir um outro pecado mortal que teve a ver mais uma vez com as opções táticas de Lopetegui em duas situações cruciais, não que eu esteja contra a continuidade do treinador, pois continuo a acreditar que no próximo ano estará melhor preparado e acautelado, mas a verdade é que tanto no jogo decisivo na Luz, em que não assistimos a uma vontade extrema de lutar pelo melhor resultado até ao último segundo do jogo, conjugado com o errado esquema tático que na minha ótica deveria ser enquadrado no esquema habitual da equipa, e não mostrar qualquer receio ao adversário jogando o jogo pelo jogo, também no jogo com os alemães do Bayern de Munique, Lopetegui sabendo que não poderia contar com os seus habituais laterais, entendeu quanto a mim mal, povoar o meio campo em detrimento de tapar as alas por onde o Bayern pautou sempre o seu jogo, havendo portanto aqui uma opção errada e reciprocada entre os dois sistemas táticos adotados nos jogos em disputa.
Por: Natachas.

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