terça-feira, 21 de abril de 2015

FC Porto 1 - 0 Académica - Rodar no jogo sem lógica


O futebol português não merece o Futebol Clube do Porto. O prestigio que tem deve-o em grande parte às nossas conquistas e às nossa equipas. Há mais de meio século que somos os únicos que levamos o nome do futebol português ao topo da Europa.

Seria motivo mais que suficiente para ser respeitado. Pena é que neste cantinho à beira-mar os responsáveis por garantir a melhoria desta indústria em Portugal insistem em hostilizar o nosso clube.

O Porto vinha há menos das 72 horas regulamentares de uma exibição grandiosa, daquelas que só o melhor clube português o tem conseguido. Pediu que o jogo entre esta eliminatória fosse adiado. Como bem disse Lopetegui havia datas disponíveis. O clube que nos defrontou aceitava o adiamento. Os gestores desta coisa a que chamam Liga não concordou. Estranho - ou talvez não - quando uma semana antes aceitaram que a final da Taça organizada por este organismo fosse adiada.

Lógica? Nenhuma. Adiem-se finais para o clube do regime (cada vez mais o clube do regime) possa descansar. Mas que os regulamentos não se sigam quando o FC Porto está a ser bem sucedido na Europa como nenhum outro clube português o consegue.

Mas adiante...

Lopetegui tem confiança no plantel. Tinha de mudar bastante, sob pena de comprometer os 2 objectivos que nos restam. Certamente muitos atletas ainda não tinham recuperado do esforço e não teriam um rendimento como habitual. E ainda comprometíamos a luta que teremos na terça-feira em Munique.

Em conversas antes do jogo era notória a dificuldade em haver um consenso qual o melhor 11. Rodar o menos possivel, rodar alguns ou rodar o máximo possivel? Lopetegui escolheu a última. Qualquer que fosse a escolha traria riscos.

O 11 escolhido traria inúmeras surpresas. Restavam Fabiano e Alex Sandro. O primeiro pela especificidade do posto, o segundo pela impossibilidade de atuar em Munique. Danilo também não estará no próximo jogo mas como estava em risco de exclusão caso visse amarelo não foi opção. O nosso técnico está a perceber os riscos de ser o Porto e como tem de se precaver...

As surpresas não acabaram aqui. Alex Sandro foi central. Ricardo provavelmente preparou-se para a batalha que terá (permanece a dúvida se será ele ou Reyes) na lateral direita. Rúben voltou ao posto de sempre, era o 6. Hernâni deu mais um passo na sua adaptação e foi titular.

Com tantas mudança penso que maior parte dos adeptos não esperavam uma grande exibição. Digo até que a tolerância seria bem maior que habitualmente. Que fosse sempre assim...

Taticamente também poderíamos ter dificuldades acrescidas. Não se reparou. Os erros que conseguimos descortinar foram sobretudo individuais.

Não foi uma exibição assombrosa embora o jogo tenha dado a sensação de estar sempre controlado.

De inicio serviu para alguns jogadores brilharem. Hernâni foi o caso mais flagrante. Na primeira oportunidade digna de registo, servido por Aboubakar (tem-se distinguido pelas assistências ultimamente), a contratação mais recente fez o que melhor sabe. Ganhou em velocidade a quem lhe apareceu. Não marcou à primeira, marcou à segunda.

Não se sentia o peso das mudanças. Pelo contrário, sentimo-nos sempre perto de marcar o segundo antes do intervalo. Tudo assente em princípios que os mais utilizados costumam mostrar. Bom posicionamento após uma perda de bola, rápida pressão. Com bola a procura de espaços. Com segurança, mas não hesitando em mudar flanco para fazer dançar o adversário.

Podíamos ter marcado mais. Evandro acertou no poste, José Angel permitiu a defesa da tarde a Cristiano.

A equipa visitante raramente conseguia incomodar neste período.

A segunda parte foi mais do mesmo mas com mais um ou outro susto bem resolvido por Fabiano...

Na cabeça de todos, incluindo adeptos, ansiava-se pelo final do jogo. Não era um dia para ópera. Não era um dia que nos podíamos dar ao luxo de pensar em goal-average. Não por falta de qualidade dos intervenientes mas porque aqui e ali surgiam sinais de nervosismo... Nessa tarde vencer era suficiente e já estávamos a fazer. Era o que precisávamos... Foi o que conseguimos.

Uma última nota. As escolas Dragon Force estiveram presentes no estádio. Toda elas ou quase todas. Isso não foi esquecido por uma claque. Eles são o futuro e foi um primeiro gesto de carinho para todos os jovens que lá estão. Que alguns deles tenham a oportunidade de o voltarem a receber daqui a alguns anos...


Análises individuais:

Fabiano: Um guarda-redes de equipa grande é poucas vezes chamado a intervir no seu papel principal papel, defender remates. E como são tão pouco chamados a defender a concentração tem de estar sempre no máximo, têm de estar preparados para quando surgir o tal remate.

Fabiano teve esse momento. Grande defesa na segunda parte num remate à queima-roupa quando até aí quase só tinha sido chamado para jogar com os pés.

Ricardo: Os olhos estavam colocados nele. Danilo é Danilo e até para ele iria ser difícil. Ricardo vai ter um jogo em que vai ter de estar no máximo. Já estará no ponto em que nos fará esquecer Danilo, nem que seja por 90 minutos?

Foi um ensaio e não propriamente dos mais difíceis. Ainda tentou usar a sua vocação ofensiva mas notou-se sobretudo a preocupação em ser sempre competente defensivamente. Cumpriu.

Em Munique Ricardo não tem de sentir pressão se for ele o escolhido. Tem de jogar o que sabe. E mostrar a garra que sempre mostrou. Já passou por isto. Foi o lateral esquerdo a estrear num jogo dificil. Acabou a festejar. Fará o mesmo...  É um lutador e está pronto para a batalha!

Reyes: Não foi muito posto à prova. É um central elegante que tenta sair a jogar. Registo para perceber que acima disso está a segurança. Minuto final. na dúvida, chutão para a bancada... Fisicamente mais robusto. Bem a dar o corpo para parar um remate de Fernando Alexandre.

Continue a trabalhar. Trabalhar muito.

Alex Sandro: Não é um central e nunca será. Falhou a meio da primeira parte e podia ter sido perigoso. Uma falha que não destrói a missão de sacrifício para que foi designado. Melhorou quando passou para a esquerda.

José Angel: Com pouco trabalho defensivo aventurou-se pelo ataque. Os seus bons cruzamentos já são conhecidos. Os remates em volley foram uma surpresa.

Ruben Neves: Se fosse NBA seria aquele rookie que afundava na cara dos consagrados. Como é futebol mostra que a a qualidade ou se tem ou não. Ele tem muita e quer crescer. Fisicamente já se bate de igual para igual. Tecnicamente dá lições. Tacticamente cada vez mais presente. A cortar, a marcar terreno, a pedir bola para construir.

Campaña: Dizer que joga de pantufas pode ser um elogio ou uma critica. Para Campaña ambas. Joga de pantufas porque tens uns pés com muita qualidade, a bola sai sempre redondinha sem grande esforço(merecia golo aquele livre). Mas naquela zona por vezes é preciso ser-se um lavrador, um cão de fila. É preciso tirar as pantufas e lavrar a terra. Faltou isso...

Evandro: Um dos mais utilizados do 11. Mostrou o motivo. Dinâmico na circulação, bem na ocupação dos espaços. Foi aquele centro campista que a equipa procurava para decidir se era altura para agitar ou acalmar o jogo.

Quintero: Começa a tornar-se habitual. Por um lado a sua capacidade técnica deslumbra. Por outro o seu alhemaneto em alguns períodos desilude. Quintero vive neste limbo nos últimos jogos. Ora sai um passe magistral, ora sai uma bola perdida infantilmente e irresponsavelmente. Depende dele que jogador tornar-se. Pode estar no topo. Pode ser aquele tipico sul-americano que tem uns fogachos mas que nunca terá a carreira que o seu talento merece.

Hernâni: Segunda jornada consecutiva a marcar. Tem um pique incrivel. É aguerrido, ficam na retina dois lances em que quase cai mas prossegue a jogada e cria perigo. Talvez por querer mostrar-se nem sempre decidiu bem. Normal... Todavia foi sempre o mais perigoso da equipa e cada vez mais uma opção a ter em conta.

Aboubakar: Hernâni marcou pela segunda vez e ambas foram assistências do camaronês. Tem dificuldades em ser a referência como é Jackson mas mostra um pouco da sua (muita) valia quando é mais visto como um elemento de jogo do que a referência principal.

Marcano: Entrou depois de um lance de perigo academista. Missão: acalmar a defesa e dar tranquilidade. Sucesso: total

Oliver: Depois da tranquilidade na defesa com Marcano, a alta-rotação de Oliver no meio campo. Estávamos a jogar a 50 e passamos a jogar a 70.

Jackson: A defesa estava tranquila, o meio campo subiu de rotação, faltava apenas a qualidade no ataque. Lopetegui não foi de modas e para os 10 minutos lançou o ás de trunfo. Chegou para assustar a equipa visitante. Falhou o golo mais fácil da sua carreira no final e tinha estado perto de marcar antes. Não festejou desta vez. Estará a guardar a veia goleadora para os 2 jogos seguintes... 


Ficha de Jogo:
 
FC Porto 1-0 Académica
Primeira Liga, 29ª jornada
Sábado, 18 Abril 2015 - 18:00
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 36.117


Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa).
Assistentes: André Campos e Nuno Vicente.
4º Árbitro: João Malheiro Pinto.

FC Porto: Fabiano, Ricardo, Reyes, Alex Sandro, José Ángel, Campaña, Rúben Neves, Evandro, Quintero, Aboubakar, Hernâni.
Suplentes: Helton, Marcano (59' Quintero), Quaresma, Brahimi, Jackson Martínez (82' Aboubakar), Adrián López, Óliver Torres (65' Campaña).
Treinador: Julen Lopetegui.

Académica: Cristiano, Ricardo Esgaio, Iago, João Real, Oualembo, Fernando Alexandre, Lucas Mineiro, Nuno Piloto, Rui Pedro, Rafael Lopes, Ivanildo.
Suplentes: Lee, Ricardo Nascimento, Magique (67' Lucas Mineiro), Cissé, Diallo (71' Rui Pedro), Ofori, Hugo Seco (82' Ivanildo).
Treinador: José Viterbo.

Ao intervalo: 1-2.
Marcadores: Hernâni (11').
Disciplina: cartão amarelo a Oualembo (19'), Iago (40'), Ricardo Esgaio (57'), Reyes (56'), Ricardo (62').



  Por: Paulinho Santos





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