quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Unanimidade!



Unanimidade!

Venceu o Regime,
É o fim da História!
E já se tem a autoria 
Deste novo filme...

Um novo enredo 
Pr'o final de sempre,
E cada vez mais gente 
Com um papel de relevo:

Os expiatórios bodes
O polvo do mar,
O vermelho Ferrari
E demais artrópodes!

De norte a sul
Tudo pejad'a encarnado!?
C'um árbitro se quer trajado 
Como um cônsul!!

E nisto há maior pudor
Do que ser do benfica?
E gritar como lhe bem fica 
O seu amor?

Ali no seu mural 
Num sentimento d'impunidade,
Com total arbitrariedade 
Vi(ei)ral?!

É sempre pr'o mesmo lado
Que nos saem internacionais;
Têm todos gostos iguais 
D'encarnado!?

O Conselho está minado
D'árbitros benfiquistas, 
E restam ainda os reservistas 
De tal gosto declarado!?

E ainda apitam partidas
Como juízes!?
E dizem-se nisso felizes 
Por tão bem conseguidas...

Numa seman'o Guimarães 
Teve a experiência irreal, 
De lá ter visto nascer Portugal 
Em tantos filhos das mães...

Fosse na A ou na B 
Foi sempre de cebolada, 
Que perante tal frente encarnada 
Portugal é o que se vê...

Voltámos ao antigamente 
Nos trejeitos do Regime,
E hoje não há no futebol crime 
Num apito de cor diferente...

Já não é pois dourado
O apito que desponta,
Qu'o erro é o que mais conta 
No seu semblante encarnado...

Agora não há dolo,
Nem registos d'intenção!
É a bola na mão
Que lhes dá o registo do golo!!

Veem como é despudorado 
O Regime de tal seita?
E ainda nisso dá a receita 
Pr'o campeonato sentenciado...

Não são bodes expiatórios, 
Nem têm medo de tal fama,
E só pr'a quem disso reclama 
Fazem encontros explicatórios...

Estamos todos elucidados 
Nos exemplos demarcados, 
Os árbitros estão bem preparados 
Pr'os penáltis perdoados...

Os exemplos do benfica 
São os mais proeminentes!?
São registos condizentes 
No qu'o Conselho nos explica!?

Andaram durante meses
A inclinar o campo,
E agora qual é o espanto 
Por tantos exemplos siameses?

Onde vai ficar o Capela?
De novo em segundo lugar?
E o Ferreira onde vai parar 
Na tabela?

E o grande Mostovoi,
Esse esfíngico Pinheiro?
Vai ter um ano em primeiro 
Por tud'o que nos remói?

E o Ferrari do Algarve?
É só assinar de cruz?
Qual a classificação que s'induz 
Do que já se sabe?

E o maravilhoso Paixão?
Esse árbitro tão elegante!!
Ainda acaba com pontos à frente 
Da própria agremiação!

E o que dizer do Godinho,
O árbitro da Federação?
Vai o Sobral dar-lhe a pontuação 
Por bom vizinho?

Só artistas arbitrais 
Nesta senda do Regime,
E ninguém vê nisto crime 
Em tantos actos iguais?

Um crime continuado,
Pois qu'o Regime é isto!!
Quando é que se tem disto 
Um rosto culpado?

Não se passa nada?
Está tudo justificado?
Continua o futebol-jogado 
Na próxima jornada?

Não se pode desistir?
Não se pode tudo entregar?
Não se pode parar de jogar 
Por devir?

Crie-se já o decreto!
Dê-se os títulos ao benfica!
Reserve-se a praça e ponha-se a equipa 
No centro!

Faça-se o feriado nacional:
O dia do benfica!
Pare-se o país e ponha-se a equipa 
No paço ducal!

E tudo trajado a encarnado,
Do árbitro ao adepto!
(Passe o dialecto)
E entoe-se o hino no estádio!!

Papoilas saltitantes!
Não a Portuguesa!
E uma grande mesa 
Pr'as massas troantes!

Uma feijoada 
A servir na ponte!
E mais um recorde 
De nomeada!

O clube do Guiness!
Um Portugal unitário!
Um clube planetário,
Maior qu'a URSS!

O clube do Regime,
O eterno vencedor...
O mais maior,
Unânime!!



Joker

Enviar um comentário
>