sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"Hygge"



"Hygge"

Segundo este conceito 
É mensurável a felicidade, 
E nist'a humanidade 
Sent'o seu efeito...


E Portugal 
Em tal estatística,
Lá está na lista 
Em lugar final...

País tristonho,
Apesar da luz...
E nem do sol se deduz 
Um país de sonho!?

E são os países
Lá da Escandinávia,
Qu'a levam sábia 
A viverem felizes!

E s'eles no "degelo"
São tanto mais felizes,
Porque somos infelizes 
Em país tão belo?

O país do benfica,
Do "maior clube do mundo",
Vive lá no fundo 
De tal estatística!?

O que há d'errado 
No país dos lampiões?
Nem sendo "campeões" 
É mais afortunado?

O que nisto muda 
Pr'o mundo civilizado?
Será do encarnado?
De tal arraia-miúda?

Esta gente mesquinha,
Pequena, invejosa!
Mal-dizente, preguiçosa, 
Picuinha!!

Que só veem vermelho 
Em tal despudor, 
E exalam "amor"
No próprio Conselho!?

Estes Pinheiros, Ferreiras,
Godinhos, Paixões
Capelas, Motas, Joões,
E Almeidas!!?

Que país aguenta 
Tanto lampião?
E ter a felicidade na nação 
Como na década de sessenta?!

Aí era só felicidade,
Pois vingav'o Eusébio e o Salazar,
E Portugal tinh'o seu lugar 
Na universalidade!?

O último país colonial, 
Er'o mais feliz da Terra,
E se vivia em guerra 
Tinha um regime plural!?

É est'o nosso conceito
De felicidade,
Quanta maior liberdade
Maior o defeito!?

Somos um país d'aucocratas,
De recônditos tiranos!
Gostamos dos nossos amos 
Plutocratas!!

Somos ovelhas a balir
Na busca do seu pastor, 
E o benfica é o nosso amor!
E só isso nos faz rir!!

Veja-se a dívida da instituição 
Aos olhos de tanto mundo!?
E s'este não bateu no fundo 
É porque tem o país na mão!!

S'o benfica falisse 
No dinheiro como na moral, 
O que faria com que Portugal 
Se risse?

País de frustrados,
De gente tão invejosa...
Pr'a quem a felicidade (dos outros) é indecorosa 
Se derrotados!

Os outros não podem ser felizes
No seu ganhar,
Que log'os estão a roubar 
Debaixo dos seus narizes...

Por isso impõem decreto 
Pr'a serem sempre campeões,
E arrranjam tantas soluções 
Vestidas de "preto"...

A cor de tal Conselho 
Que nos veio dar explicações, 
E criar-nos estas ilusões 
Qu'o seguro não morreu de velho...

E triste,
Em tal país do fado!
Qu'o nosso destino é encarnado,
Mesmo pr'a quem resiste!

E é vê-los ali no Marquês 
Já a reservarem a festa!
E aos outros tud'o que lhes resta 
É emigrar de vez!

Fugir desta assombração,
De tal país de triste gente!
E viver tanto mais distante 
Quanto maior a celebração!!

Qu'é fachada d'alegria,
Não sincera, vingativa!
E no meio de tanto "viva"
Uma imensa fúria...

Velhacos, cheios de rancor, 
Contr'o legado doutros vencedores,
E gritam os seus desamores 
Com o mais maior!!

E nessa felicidade infeliz
Festejam mais um campeonato!
E a Taça já está no papo!!
É o "meu" país...

Joker

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