quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Carta ao Zé

 
Meu caro Peseiro,
Com a maior humildade,
Dum adepto de idade…
Nem é o lugar cimeiro
Que te vou pedir!
Mas tao só descrição,
Até o novo campeão,
Nisto, advir…

Algo de honor,
No jogo jogado, (e)
Se mesmo derrotado,
Com algum valor…
Não esta tristeza,
A cada derrota,
Que já ninguém nota
Como proeza!

Até o Famalicão,
Como bem viste…
E como isto é triste –
O ser-se Dragão!?
O que não sentes,
Por seres lampião,
Mas por tua decisão,
Nisto te metes!

Sem os petro-dólares
Vens jogar pr’a quê?
E quem nisto te vê,
Por razões similares;
Sabe-te pé-frio!
Nesse teu passado,
Por bem teres jogado…
Mas… “ao tio ao tio”!

E nada vencendo
Na tua diáspora,
É como se desd’a Hégira,
Vencesses, perdendo…
Pois desd’a final
Que te foi fatídica,
Quem em ti acredita,
Que não esteja igual?

Pois como profeta
Já te val’o estudo,
E tens mesm’o canudo
De já teres id’a a Meca!
Mas ainda na Arábia
Não fost’a Medina,
E em tal triste sina
Que vitória foi sábia?

E no triste ciclo
Que viv’o meu Porto,
Só faltav’o “morto”
Pr’a fechar o versículo!
Pois está no “Testamento”
Que no apocalipse,
Se erguerá uma elipse
Pr’a fechar o tempo!

E só se salvará
Deste mundo, os tolos,
Que te esperam golos
Pois ao “Deus dará”!
Pois deles é o Reino
Desses céus sem fim,
E tu Peseiro, “Elohim”
Doutro tipo de treino…

Que vai ressuscitar
A velha estrutura,
Que cai de madura
Por tanto “jejuar”…
E qu’ao terceiro ano
Sem vencer o ceptro –
Satanás, vade retro!!
É o descerrar do pano….

E pois tu, Peseiro,
Vai de volt’a Meca,
E tudo em qu’em ti peca,
Só pelo dinheiro…
Fá-lo conspurcar!
Deita-lo pr’a fora!
Que se vá embora!
Qu’eu quero ganhar!!!

E já beatificado
Traz-nos boas-novas,
E se salvem provas;
Pois tudo somado…
Pois se nada vences,
Que não sej’o orgulho,
Vais ouvir barulho
No Dragão, não penses!

Pois qu’o outro, o Lope,
Não er’o culpado,
E nesse resultado
Vais sentir-lhe o golpe!
Pois tenh’a certeza
Que não é solteira,
Essa culpa, matreira,
Feita de esperteza…

E assim ver o clube
A ser discutido,
Por ser em si gerido
A quem bem lhe coube!
E neste desenlace
Que não é risonho,
Vejo tod’o “grunho”
A falar com “classe”…

Que sabe bem gerir
O que não for seu,
Pois do que perdeu
Pode sempre vir…
Depende da sorte
Ou da oportunidade!
Qu’isto da idade
Nem sempre dá bom norte!

E se tod’a resposta
Não se tem alheia,
E se bonita ou feia –
Não é Pinto da Costa!
E s’a cada macaco
Lhe correspond’o ramo,
Porqu’o clube que amo
Tem nist’o seu fraco?

Sempr’a mulher
A ditar-nos a sorte,
De vida ou de morte!?
Não há qu’o esconder:
Chame-se Carolina,
Ou seja brasileira;
Isto é brincadeira,
S’o clube declina?

Há correlação
Nisto que observas,
Peseiro, tem reservas;
Tem o grupo na mão!
E met’as vedetas
A correr com dono,
Que não me venh’o sono,
Se dão às pernetas!

Tens muit’a galgar,
Não te iludas!
E se não vem o “Judas”,
Outro te vai “atraiçoar”…
Venh’a oportunidade,
E dês os costados –
E vais pr’os Emirados
Já como santidade…

Fazes tod’o périplo
Das religiões,
E depois dos dragões,
Tudo em ti é crédito!
Saber-te-ão um mártir,
Na fogueira queimado!
Só por teres pecado
Em não o admitir…

Estavas derrotado
E já o sabias,
E nisto insistias
Como um cruzado…
Que na Terra Santa
Só podia perder,
Por não ter o poder
Pr’a “pintar a manta”!

Pois sentenciado
Que está o futebol,
Vais ser tu o farol
Do protectorado?
E vão-nos respeitar
Como instituição,
De cartão na mão
Só por se jogar?

Vai mudar o hábito
Do auto-silêncio,
Por cada “Inocêncio”
Que se der por estrábico?
E vais falar, Peseiro,
Na vez deste Porto,
Só porque está morto
Na voz do timoneiro?

Só te peço honor,
Meu caro Zé,
Qu’isto é como é,
Em terra d’andor…
Sê nisso bem-vindo
E que tenhas sorte!
E quem sabe, o norte,
Que te vem seguindo…

Por: Joker
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