Trabalhar primeiro e arrasar depois. É este o breve resumo do jogo de ontem do FC Porto. Mais um jogo de preparação que mostrou evolução e boas bases de jogo para a época que se avizinha. Mesmo com adaptações (a meio da segunda parte a linha defensiva portista chegou a ser formada por quatro centrais) e com alguns jogadores importantes do grupo ainda de férias, a qualidade de jogo e, sobretudo, o empenho competitivo demonstrado pela equipa é muito animador.
Na primeira parte, o FC Porto teve duas adaptações a fazer. Primeiro, ao terreno de jogo. O relvado (?) do Fontelo mais parecia um lura de coelhos, onde só faltou a aparição dos leporídeos. Segundo, ao jogo de retranca apresentado pela equipa Galega. Coesa na zona defensiva e rápida na transição ofensiva, aproveitando os corredores laterais, onde o FC Porto não tinha jogadores de raiz nessas posições.
Bom trabalho da linha média do FC Porto que aos poucos ganhou o domínio do jogo e da posse de bola. Às boas oportunidades inicias do Celta de Vigo, respondeu o FC Porto com as melhores oportunidades da primeira parte. Faltava capacidade desequilibrante na linha da frente, mais por mérito Galego, que com empenho reduzia espaços à entrada da sua área.
A segunda parte trouxe um FC Porto mais rotativo e com maior tracção à frente. James assumiu o controlo do jogo interior e as entradas de Kelvin e Iturbe foram demolidoras para a estrutura defensiva Galega.
Um recital de talento que em 10 minutos ganha um vantagem inalcançável no marcador. Três golos de talento. O primeiro, de talento colectivo e os restantes de talento individual. Demasiado talento e capacidade para o Celta de Vigo.
Breves análises individuais:
Fabiano - Duas excelentes intervenções. É um guarda-redes a pedir evolução (precisa de agarrar mais bolas) e o FC Porto sabe disso. Se é melhor ficar ou sair para jogar? Não é uma resposta fácil.
Djalma - Merecia o golo numa exímia jogada individual. Apaga-se pelo colectivo, mas tem que perceber que é com momentos como esses que cala quem o critica. Bom esforço a jogar numa posição para a qual não tem características.
Mangala - Não é um defesa esquerdo e só será, quanto muito, uma solução de recurso. O importante foi ter somado minutos, ter tido a confiança do treinador para cumprir uma missão que se sabe não é talhada para ele e ter dado sinais claros que está pronto a explodir. Deu espaços no seu sector, foi por onde o Celta mais gostou de atacar, mas teremos Mangala como no ano passado tivemos Maicon.