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sexta-feira, 24 de março de 2017

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Outras Tribunas: Génio


Uma das características humanas que mais me surpreende é o génio. Perante a genialidade, no seu preciso contacto, sentimo-nos simultaneamente diminuídos e engrandecidos. Vemos nessa exata correspondência, a precisão de Deus, da natureza, do Homem, na realização da perfeição. Nada está mais próximo desse ideal de perfeição que a natureza do génio.

Conviver com ele, com o génio, nessa presença diária através do encontro de palavras escritas, dá-nos a percepção, errada, que a mediocridade também é uma forma de realização. Nada mais errado. A mediocridade é um exercício existencial, a genialidade é um produto acabado. No génio está a perfeição do acto, o que pressupõe não a completude da obra como ideal de realização, mas a sua exacta individualidade. Nada ou ninguém, algum dia, naquele exacto quadrante o poderá equiparar, seja na beleza, na originalidade, no seu exacto caracter, que lhe determina uma existência única e acabada.

Há génios em muitas áreas. Ao longo da minha vida também tive os meus ícones, os meus heróis, a quem me queria equiparar um dia, nas diversas áreas de interesse que fui alimentando ao longo da minha vida. Primeiro o futebol. Em criança só tinha um desejo: ser profissional de futebol. Para isso dedicava os meus “longos” dias na prática desse jogo que me apaixonava. Só pensava futebol, fosse em casa, na escola, na igreja, no exacto momento em que despachadas as minhas obrigações correntes – que mais das vezes, obviava – e me podia consagrar de corpo e alma, ao exercício desse jogo.

Lamentavelmente e para meu infortúnio, o que me sobrava em técnica e destreza mental (para o jogo :-)) faltava-me em capacidade e resistência física. Aquilo que conseguia fazer nos jogos de recreio, ou nos “quintais” alcatroados onde fazíamos as nossas “peladas”, brilhando a grande altura na minha técnica apuradíssima – por mil vezes ensaiada – quando chegado aos grandes campos, relvados ou não, soçobrava perante a imensidão do esforço físico exigido para abrilhantar tal técnica nos verdadeiros campos de “batalha”.

Passada a ilusão do futebol de praticante, transportei essa paixão para o adepto acirrado de um clube longínquo e perdedor, que partir dos anos 80 começou a pedir meças aos outrora clubes “gloriosos” da capital. Mas isso são contas de outro rosário que se o tempo, e a paciência, me permitirem um dia, aqui dissecarei com maior cuidado e pertinácia.

Do que aqui falo hoje é desse génio, desenfreado e único que, de tempos a tempos, nos faz questionar sobre a prova de relevância da nossa própria existência. Dá-me ideia que o grosso da humanidade – no qual me incluo – vive para absorver esse impacto, esse vislumbre de lucidez e razão. Sim, confesso que esse lugar na plateia dos espectadores viventes em razão do génio não me insatisfaz mas, deixa-me incerto quanto à natureza da minha existência. Sim, gosto de saborear e deleitar-me nessas precisões quase matemáticas da palavra, seja ela falada ou escrita que, de tempos a tempos tenho a sorte de contemplar em livro ou num discurso de ocasião, mas isso traz-me, inevitavelmente, ao meu processo ontológico existencial. A singularidade do génio torna-o único. Sem essa singularidade, todos seríamos génios, medíocres ou idiotas, e o mundo fatalmente uma prova sem superação.

Despontar-se como génio tem, fatalmente, uma prova de intervenção divina. E essa é uma prova de que “Deus” tem preferências, tem escolhas, na hora de apontar à perfeição. Não o condeno. Quem tem o poder de escolha também tem o ónus da prova, e Deus, por ser Deus, não pode falhar! Por isso escolhe o melhor, o único capaz dessa prova de irrealidade para tantos espectadores, como eu, da natureza triste do quotidiano.

Sem essa magistralidade, sem essa pincelada, sem essa actuação simbólica, o mundo não passaria de um lugar lúgubre nas expectativas mais grandiosas do próprio Homem. Vivemos uma vida errante, na expectativa de descobrirmos o cerne da questão e sabemos que, mais cedo ou mais tarde, encontraremos essa resposta na palavra singular do génio. E a nossa vida é o testemunho basilar dessa correlação entre o autor e a personagem, na forma como a nossa própria existência se articula na perfeição do enredo.

Confesso que me levantei a meio da noite para escrever outro tipo de texto. Era sobre o génio, de igual modo, mas com uma dose, assaz venenosa, sobre a intervenção angelical na formação do “génio”.

Há, como sabemos, outro tipo de “génio”. O “génio” da garrafa, sempre pronto para nos fabricar mais um desejo. Esse “génio”, produto não-acabado, da relação uni-direcional Homem-Deus, julga-se escolhido porque na sua alienação se presume um ser de luz. Tem-se por escolhido, não pela prova irrefutável da singularidade absoluta do seu acto, mas pela própria presunção da escolha!? Um “génio” deste tipo fabrica todo o tipo de desejos, mas só concede três, como prova da sua intermediação (única) entre o céu e a terra. Desses três desejos, esse “génio” não realiza um sequer, porque se tem, por definição, na imaterialidade das relações.


É a diferença de génios. Nuns, o génio serve-nos a condição humana no vislumbre que a perfeição, e Deus quiçá, existe; noutros, o “génio” concede-nos a certeza da existência de Deus, sem o seu ténue reflexo como prova de semelhança…



 Por: Joker

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Apatia…

#FCPorto #Portugal #vergonha #Joker #Portugal #Futebol



Comigo por África
(Continente amado)
Esse resultado
Da prova doméstica
Deixou-me apático
Descrente na época
Como uma écloga
De travo dinástico:

Ond’o império
Do reino crescente
É invadido por gente
Sem gosto ou critério!
E a prova de fogo
Dessa decadência
É a incompetência
Da dignidade em jogo!

Pois só os valores
Se podem sobrepor
Ao insólito torpor
Destes “jogadores”
Sem móbil ou símbolo
Onde s’ostentar!
Procuram “lutar”
Sem âmago, d’umbigo!

E mesmo c’as forças
Fossem desiguais
Com guerreiros banais
Vestidos de moças
Sabemos c’o espírito
Por bem prevalece
No que nos enobrece:
“Morrer” com mérito!

Por isso a derrota
Não significa perder!
E nela se pode aprender
Da vida, essa rota
Que nos leve ao sentido
Máximo desta vida
Seja alegre ou sofrida
Prevalece esse espírito!

Só isso nos traz
A lógica incessante
Duma vida a jusante
Qu’a morte perfaz!
E o que nos resta
No percurso lavrado?
O presente, o passado
Qu’o futuro atesta!

Nem sempre subir
Significa vencer!
Na descida há poder
Que nos faz insurgir!
Mas o toque de graça
Qu’a derrota nos serve
É o carácter que ferve!
E no futuro, a raça!

E nisto a apatia
No meu continente-mãe
Por saber que mais além
O meu clube perdia…
Não que me do’a derrota
Como probabilidade!
Mas sim a indignidade
D’o saber como nota!

Excerto de rodapé
Como notícia comum
Um jogo, mais um!
Como rácio ou maré
Uma fatalidade!?
Uma lei da física
Uma análise estatística
Destituída de vontade…

Onde o aspecto fulcral
Seja essa possibilidade
Não como probabilidade
Mas um registo habitual!?
O que num clube rebelde
Habituado a combater
Significa PERDER
Mais c’um jogo, a pele!

Não no campo, no símbolo
Qu’o ostenta orgulhoso
Um Dragão Majestoso
Cujo porte altivo
Se vê prostrado na lama
Da nossa rendição!
De toda uma Nação
Que já não reclama….

E pior que perder
É esta sensação
D’apatia, negação
Como um cego por ver!
E acreditar que se muda
Como antes se fez!
Porque sim, é à vez?
E tudo isto resulta?

Como caímos tão fundo
Depois do apogeu?
O qu’o império perdeu
Foi mais qu’o seu mundo!
Foi essa dignidade
Como força de carácter:
O baluarte do “Prater”
E de Sevilha, a “vontade”!


E é nisto qu’assenta
A força dum “povo”
Na derrota, um” todo”
Na vitória, um penta!
Por isso é comunicar
A quem de direito
Qu’o símbolo no peito
Só a quem LUTAR!


Por: Joker

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Liberdade

#FCPorto #Benfica #Liberdade #25deAbril #Portugal 


Quarenta anos após
Celebra-se a Liberdade!
E neste dia a claridade
Dissipa os últimos pós

E o céu já clareia
Depois da negritude
Ond’a poeira em magnitude
Encheu o ar em cadeia!

Nesses anos de silêncio
Ond’a derrota era certa
Há uma porta entreaberta
Por um novo movimento!

E o regime é derrubado
P’la coragem de poucos
Que nisto avançam, loucos!?
Contr’o brigadeiro e blindado!

E o velho sistema caduco
É substituído p’la revolução!
E a democracia é a razão
Pr’a outro sistema e instituto!

E a democracia provém
Como desejo da Nação!
E tudo muda, na canção
Que nos projectou mais além!

E as instituições do passado
Definham nos novos tempos
Não são protegidas, nos termos
Dessa política do Estado (novo)!

E outras surgem por mérito
Manietadas por décadas!
Superam provas e metas…
Ressentem o tempo pretérito!…

Qu’as mentalidades são vivas
Depois de mort’a política!
Que nist’o rancor e a crítica
São programas e alternativas!

E tudo é feito no burgo
Pr’a se desmistificar a vitória
Da liberdade e da glória
Noutra cidade e clube!

Qu’aí não cheg’o mérito
Que tudo é torpe e corrupto!
Não há ética nem escrúpulo…
Ofende-se o tempo pretérito!

E novas vagas de “justiça”
Pretendem (des)classificar o escudo
Qu’o clube ostenta c’o orgulho
Só por inveja e cobiça!

Nos tempos aureos de Salazar
Seria certa a condenação!
O Porto ser campeão?
Só por sorte ou azar!

Mas a liberdade dissipa
Este pó que acumulado!
E o céu brilha azulado
Por mais que se grite “benfica”!

E podem fazer a cosmética
Desses tempos da Legião
Que na liberdade, o Dragão
É o maior símbolo e poética!

Por: Joker

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