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terça-feira, 11 de abril de 2017

A cartilha


Et pluribus unum!


A cartilha

É um livro pr'a aprender a ler
Ou compêndio de catecismo,
Mas esta cartilha é um eufemismo 
Do poder!

Esse poder do grande polvo 
Que tudo dispõe e gere,
E manda nisto como quer, 
Sem estorvo...

Os tentáculos dessa escrita 
Vêm na pena dum Janela,
E só comenta por ela 
Quem a acredita!

Esses puristas da palavra 
Do clube do regime,
Pr'a que nela nos ensine 
Qu'a verdade salva...

Só critérios de verdade 
Na sua partilha,
Que da cartilha 
Há pluralidade!?

Papagaios do benfica 
A gritar ao mesmo tempo,
Qu'o clube é isento 
Da politica!?

E depois ver na tribuna
O primeiro e o ministro,
E na cartilha lá estar escrito 
Que têm fortuna!?

C'o dinheiro da nação
Ali tão bem hipotecado,
E diz a cartilha que foi emprestado 
P'la "Obrigação"!

Diz o gordo e o maçon,
O seu primo-candidato,
O Gobern e o Calado 
De la même façon!

For'o resto dos escreventes 
Que populam nas redações,
Que também recebem instruções 
Coincidentes!

E em tanto correio-electrónico 
Só se vêem "independentes",
E falam como dirigentes 
No mesmo tónico!

Tanta pensante cabeça
Em seis milhões,
E é o janela que dá instruções, 
À peça!?

É um novo Eça
O grande Janela, 
E a crónica, por ela,
Vai na trigésima sexta!

Um longo rol 
De verdades eloquentes,
E os benfiquistas contentes 
No futebol!

"O Luisão 
Foi imprevidente"...
O comentário coincidente 
Na televisão!

É o "profissionalismo 
Comunicacional",
Que na cartilha é plural 
O "individualismo"!?

Cambada de hipócritas,
De paus-mandados,
Que nunca foram controlados
Nas suas mnemónicas!?

É o imenso polvo 
Deste quintal à beira-mar plantado,
Que tem tudo arregimentado 
Pr'a vencer de novo...

Estão mobilizados 
Pr'a vencer o tetra,
E nem a cartilha descoberta 
Os faz censurados...

Vão continuar a mentir 
Como "independentes",
E lançar verdades inocentes 
Pr'a nos iludir...

E ao Luisão 
Dá-se a carta branca,
E o benfica arranca 
Um qualquer do chão!

E aos gregos 
Dá-se o salvo-conduto, 
E s'o futebol é curto 
Fecham-se os cinco dedos!

E se há castigo
Que lá incomode a Justiça, 
Dá-se-lhes c'a premissa 
Do artigo!

Lá vai o Meirim
Arvorar-se em juiz,
E dizer que, por um triz,
O lance foi no fim...

E isso não releva
Senão como lance normal,
E a justiça não é penal 
Na regra!

E ao benfica a lei
Está abaixo do seu estatuto,
Por isso calha-lhe o indulto 
Do rei!

O Eusébio,
Esse herói moderno!
Esse símbolo eterno 
Do ébrio!

É assim que se vive 
No reino da cartilha, 
E isto é uma maravilha 
D'Estado livre!

Respira-se democracia
No mundo da cartilha,
E o Janela é a Bastilha
Que se tomará um dia...

Se vencer este campeonato, 
E não sendo crente,
Faço um voto clemente 
Ao celibato!

Vou pr'o Mosteiro 
Aprender a exegese,
E aprendo a catequese 
Na cartilha do batoteiro!

E ainda me faço 
Assessor diplomado, 
E monto um negócio no Estado, 
De aço!

Ou de sucata,
Ou um novo banco!
E arranjo um amigo com tanto,
Que m'o empresta!

E vou viver pr'a cidade-luz 
Pr'a estudar da cartilha,
Aquela junt'a Bastilha, 
E escrever a ponto de cruz!

E depois concorrer 
Pr'o cargo do Mr. Burns-Papagaio,
E fingir que saio 
A perder...

Como bom benfiquista 
Vou par'o Dubai,
E da Emirates sai 
O meu fogo-de-vista!

O meu patrocínio,
Dito milionário, 
Porqu'o clube é corolário 
Em tal domínio!

Esta mentira, 
Mil vezes repetida,
Qu'a cartilha não é lida, 
Nem nela se delira...

Esta gente é isto,
Um imenso polvo, 
E não há nada de novo 
Em tal registo...

É pois recitar 
De novo a cartilha,
E esperar do karma a trilha 
Que nos há-de ensinar...

Joker

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